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Plásticas clandestinas preocupam médicos

By 5 de novembro de 2012 Nenhum comentário

Esse foi um dos temas da 27ª Jornada Norte-Nordeste de Cirurgia Plástica, que teve início ontem

No Brasil, de acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), há cerca de 12 mil médicos exercendo a medicina na clandestinidade. Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), esses profissionais inaptos que realizam cirurgias plásticas representam perigo para a segurança dos pacientes. No Ceará, esses números ainda não podem ser contabilizados devido ao grande número de cursos de fins de semana que formam profissionais clandestinos.

O encontro também discutiu a cirurgia plástica de mama. O procedimento mais realizado no Brasil é o implante mamário. Para ser apto, o profissional precisa passar por, pelo menos, 14 mil horas de treinamento Foto: Alex Costa

Esse foi um dos temas debatidos durante a 27ª Jornada Norte-Nordeste de Cirurgia Plástica, que teve início, ontem, e segue até amanhã, no Hotel Gran Marquise, na Beira-Mar. Para o presidente da SBCP, José Horácio Aboudib, em São Paulo, de todos os casos de queixas por problemas em cirurgias desse tipo, 97% envolvem os não cirurgiões habilitados. “Queremos alertar a população sobre os perigos e que, por isso, eles devem realizar os procedimentos com os membros da sociedade”, disse.

Ele acrescenta que, para ser um profissional preparado para fazer uma cirurgia plástica, são necessários seis anos de formação na faculdade de Medicina, dois anos de residência em cirurgia geral e três anos de residência em cirurgia plástica. São 14 mil horas de treinamento. Depois, o médico faz provas para ter o título de membro da SBCP.

Para saber se o profissional está apto a exercer a sua função, Aboudib aconselha a perguntar ao médico ou acessar o website da SBCP e procurar na lista de cirurgiões que são membros. “Ao procurar um médico sem treinamento, a chance de insucesso será muito maior”, disse.

O presidente acrescentou que é difícil enfrentar esses problemas, pois a legislação não é específica nesses casos. De acordo com a lei, o médico pode fazer tudo que ele se julgar capaz. “Nós queremos mudar essa lei, pois achamos que medicina se especializou demais e ninguém pode dominar todas as áreas”.

Além disso, ele destacou que a sociedade não tem poder de fiscalização desses médicos que estão exercendo a medicina na clandestinidade. O que pode ser feito é a denúncia para que sejam analisadas pelo CFM e também pela Justiça.

De acordo com o presidente da SBCP Regional Ceará, Paulo Regis Teixeira, esse problema acontece em todas as regiões do Brasil. “Essa invasão dos não-qualificados nos preocupa, pois ser membro da sociedade é uma segurança de que o profissional está habilitado”.

Tempo

Ele fez questão de ressaltar que o treinamento é necessário, pois a pessoa não passa a ser um cirurgião da noite para o dia. “Não podemos enumerar o número de médicos, aqui no Ceará, que estão trabalhando, mas não são capacitados, pois existem muitos cursos de algumas semanas de duração que formam pessoas e as fazem pensar que são capazes de realizar uma cirurgia plástica”, afirmou.

Teixeira declarou que está sendo finalizado um protocolo de segurança para o pré e pós-operatório. Nesse documento, será incluído a necessidade do paciente perguntar ao médico se ele está apto a realizar cirurgia.

O diretor científico da SBCP, Níveo Steffen, explicou que o tema central da 27ª Jornada Norte-Nordeste de Cirurgia Plástica é a mama. O objetivo é levar para o evento a troca de informações para que eles consigam alcançar melhores resultados. “Nesse encontro, discutiremos não só a estética da situação, mas também o sofrimento das mulheres com o câncer de mama, principalmente se a reconstrução for necessária. Dessa forma, os beneficiados são os pacientes”.

Segundo o CFM, o Brasil é o segundo país onde mais se faz cirurgia plástica. Somente no ano passado, foram 800 mil. O implante mamário teve o maior número de procedimentos. Em segundo, está a lipoaspiração e, em terceiro, cirurgias na face.

Fala, blogueiro

Especialista deve diminuir ainda mais os riscos

Para explicar a importância do especialista em cirurgia plástica, vou procurar ser mais informal e falar como falo no meu consultório. Costumo comparar a cirurgia plástica a uma viagem de avião, que é o meio de transporte mais seguro, mas que traz más notícias de tempos em tempos. Quando uma aeronave cai no leste europeu, na África ou na Austrália, o mundo inteiro fica sabendo e, com tantos aviões pelo mundo, não é tão raro que isso ocorra.

O mesmo ocorre com as cirurgias plásticas, cujos ocasionais problemas chamam muito mais atenção que os de outros procedimentos médicos, até mesmo pelo fato de serem bastante seguras.

A missão do especialista é diminuir ainda mais os riscos. Isso exige uma longa formação, no mínimo 11 anos, entre faculdade e residência, além de um constante esforço de aperfeiçoamento e atualização.

No entanto, a legislação brasileira permite que qualquer médico realize qualquer procedimento, desde que tenha conhecimento técnico. Baseado nessas leis, muitos médicos de outras especialidades realizam procedimentos que não fizeram parte de sua formação. Isso aumenta o índice de problemas.

Meu conselho para quem busca cirurgia plástica é começar procurando um especialista. A lista está no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (http://www.cirurgiaplastica.org.br)

Eduardo Furlani
Cirurgião plástico

http://blogs.diariodonordeste.com.br/saudeeestetica/

THIAGO ROCHA
REPÓRTER