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Brasil exporta modela fraudulento de formação para Colômbia, denuncia SBCP

By 29 de julho de 2016 Nenhum comentário

O presidente da SBCP, Luciano Chaves e o diretor Jurídico da entidade, Carlos Michaelis Jr, estiveram reunidos nesta quarta-feira, 27, em Bogotá (Colômbia), com o Vice-Ministro da Educação Francisco Javier Cardona Acosta e representantes da Sociedade Colombiana de Cirurgia Plástica (SCCP) para solicitar o cancelamento dos títulos de especialista em cirurgia plástica emitidos na Colômbia a partir de diplomas ilegais emitidos pela Universidade Veiga de Almeida para médicos colombianos que vieram fazer “cursos de final de semana” no Brasil.

Ao custo de até 100 mil reais, estes médicos colombianos viajam uma vez a cada dois meses para assistir aulas teóricas no Brasil. Ao final de dois anos recebem um certificado de Especialista em Cirurgia Plástica, emitido pela Universidade Veiga de Almeida em parceria com a Academia Brasileira de Cirurgia Plástica, hoje chamada Academia Brasileira de Ciências Médicas. Depois, levam o certificado até o Ministério da Educação na Colômbia para obtenção do título de especialista, ficando assim autorizados a atuar como cirurgiões plásticos.

A ação conjunta entre a Universidade Veiga de Almeida e a atual Academia Brasileira de Ciências Médicas só faz piorar a questão da segurança do paciente (agora não somente no Brasil, mas também nos países vizinhos). “O Brasil está exportando um modelo fraudulento de formação de especialistas em cirurgia plástica. Isso é péssimo para a segurança dos pacientes e para a imagem de toda a medicina brasileira”, alerta Luciano Chaves. Para obter o título de especialista pela SBCP, o médico precisa ter a formação clínica de seis anos, dois anos de formação em cirurgia geral mais três anos de formação em cirurgia plástica, totalizando de 11 anos de estudo.

A SCCP, que é sociedade-irmã da SBCP, se posicionou contra e emissão desses títulos e solicitou apoio da entidade brasileira. “A saúde das pessoas está em risco e isso é uma responsabilidade de todos nós. Já existem relatos de mortes de pacientes desses falsos cirurgiões, o que é lamentável”, afirma Chaves.
O presidente participou ainda pela manhã de uma coletiva de imprensa para tirar dúvidas dos jornalistas sobre o assunto.