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Época em que mais ocorrem acidentes com queimaduras, presidente da SBCP alerta sobre falta bancos de pele no país

By 19 de junho de 2019 Nenhum comentário

Por SBCP

Em junho, com as festividades juninas e tradições de queima de fogos e fogueiras, aumentam os casos de queimaduras no país. Quando a área queimada é muito grande e não é possível utilizar a pele do próprio paciente (autoenxerto), realiza-se o transplante de pele (aloenxerto), caso exista essa possibilidade. Isso porque o Brasil conta com apenas quatro deles: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro e o estoque não é suficiente para atender a demanda nacional.

O Dr. Níveo Steffen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e autor do livro “Manual Para Implantação de Banco de Pele Humana no Brasil”, afirma que o número de Bancos de Tecidos Pele no Brasil é muito pequeno e, considerando o baixo valor dos aloenxertos, “Seria muito importante que novos Bancos de Pele fossem abertos em todos os Estados da Federação, o que determinaria uma melhora significativa ao atendimento de pacientes queimados, minimizando o sofrimento e o quadro de dor, proporcionando em casos graves a manutenção da vida”, explica.

Realizado em casos de queimaduras graves, o transplante de pele pode ser decisivo para a sobrevivência do paciente. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017 a estatística anual de queimaduras era de aproximadamente um milhão. Em muitos desses casos, as vítimas são crianças com até 14 anos.

COMO É REALIZADO O TRANSPLANTE DE PELE?

O tecido aplicado no paciente funciona como um curativo biológico. Após a retirada da pele lesada (desbridamento) é realizado o transplante que irá substituir os tecidos carbonizados e mortos que foram retirados. “Essa nova pele proporciona alívio da dor e melhora clínica do paciente”, afirma Steffen. Em aproximadamente duas semanas, essa pele transplantada será eliminada pelo organismo, mas, neste estágio, já é possível utilizar a pele do próprio paciente para a cobertura das áreas queimadas.

CASOS HISTÓRICOS

Em 1961, em um dos maiores incêndios já ocorridos no Brasil, do Gran Circo Norte-Americano, em Niterói, o Brasil contava apenas com um Banco de Pele em São Paulo, da Unidade de Queimaduras do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Todo o estoque foi enviado para o atendimento das vítimas, mas não foi suficiente e a maioria da pele transplantada veio dos Estados Unidos.

Em 2013, o Banco de Tecidos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, RS, fundado em 2005, foi fundamental para o atendimento das centenas de queimados em um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria. Esse mesmo Banco enviou peles para o tratamento das vítimas do incêndio em uma creche de Janaúba, Minas Gerais, em 2017, que deixou 13 mortos e mais de 40 feridos.

SOBRE A SBCP

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica foi fundada em 1948, em São Paulo, com o objetivo de promover e aprimorar o estudo da cirurgia plástica no Brasil. Hoje, a SBCP é composta por aproximadamente 6.500 cirurgiões plásticos, entre titulares, associados e aspirantes a membros. Presente em todo o País, a SBCP possui regionais em 19 capitais do País promovendo o avanço da especialidade em jornadas, simpósios e Congressos, estimulando a pesquisa científica e sua publicação para promover o intercâmbio entre especialistas brasileiros e estrangeiros, pautados na densidade científica sempre em busca da segurança do paciente.

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