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Conselho publica orientações para cirurgiões plásticos

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Médico poderá registrar etapas da operação, como consultas, exames e alertas de riscos

O CFM (Conselho Federal de Medicina) divulgou ontem um protocolo para orientar cirurgiões plásticos. Trata-se de um documento em que o profissional vai anotar cada etapa do procedimento, desde consultas até o pós-operatório, e registrar se informou o paciente sobre possíveis riscos.

O preenchimento do documento, por ora, é opcional, mas o presidente do conselho, Roberto Dávila, afirma que isso pode se tornar obrigatório e até mesmo se estender a outras especialidades. O objetivo é melhorar as informações prestadas ao paciente e reduzir as queixas depois da cirurgia. O formulário terá que ser assinado pelo médico e pelo paciente. Cada um ficará com uma via. O modelo está no site do CFM: www.portalmedico.org.br.

“O documento não elimina os riscos da cirurgia, mas eles ficam reduzidos se tomarmos esses cuidados“, diz Antônio Gonçalves Pinheiro, da câmara técnica de cirurgia plástica do CFM. A iniciativa surgiu após reclamações de pacientes. Entre 2006 e 2010, a cirurgia plástica subiu do sexto para o terceiro lugar no ranking de processos no conselho.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também terá um manual para os profissionais, com orientações sobre duração e número de procedimentos em uma cirurgia. Não haverá limite quantitativo. “Cada caso é um caso“, diz Sebastião Guerra, presidente da entidade. A publicação deve sair até outubro.

Fonte: Folha de S.Paulo / ANGELA PINHO

Sem câncer e com alta dose de alegria

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Um grupo de 61 mulheres comemora o sucesso do mutirão para reconstrução da mama, resultado da parceria entre a rede pública e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Um mês depois de serem submetidas à cirurgia de reconstrução da mama, durante mutirão médico, as 61 mulheres operadas se reuniram, ontem, pela primeira vez no auditório do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) para o balanço pós-operatório das plásticas realizadas. O hospital, antes palco de protestos por causa da demora de atendimento às pacientes que passaram por mastectomia, se transformou em local de comemoração. A alegria das mulheres era tamanha que o pudor cedeu espaço ao orgulho de mostrar a nova mama. “Sinto-me uma mocinha de 15 anos com peitinho novo”, brincou a dona de casa Iraídes Silva Lima, 58 anos.

O mutirão realizado em 30 de março contribuiu para reduzir a fila de espera por cirurgias de reconstrução mamária no Distrito Federal. Segundo dados do Ministério da Saúde, antes, o DF ocupava a 12ª posição entre as unidades da Federação em quantidade de cirurgias. Entre 2008 e 2010, ocorreram 547 operações. Se os outros estados mantiveram nos primeiros meses de 2011, o mesmo ritmo de cirurgias de 2010, com os 61 novos procedimentos, o DF sobe para o nono lugar.

Porém mais de 300 brasilienses ainda aguardam para sentir a mesma alegria que das 61pacientes que ontem se encontram no Hran. Para conseguir atender ao menos as 97 selecionadas para o mutirão de março e que não fizeram a cirurgia porque não apresentavam condições adequadas de saúde, o Hran realizará a partir do próximo dia 14, minimutirões sempre aos sábados a cada quinzena para atender 12 pacientes que passaram pela mastectomia. “O mutirão foi um grande salto, mas não conseguimos zerar a fila, esperamos atender pelo menos as 97 até o fim do ano”, explicou Edilberto Araújo, presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

De acordo com o coordenador da inciativa, Luciano Chaves, 98% das cirurgias feitas em 30 de março foram consideradas um sucesso. Apenas uma paciente teve uma pequena hemorrogia. Graças aos bons resultados de Brasília, o médico espera parceria com o governo federal e secretarias estaduais de saúde para a promoção de um mutirão nacional a ser realizado em março de 2012, envolvendo 4,2 mil cirurgiões plásticos para atender as mais de 2 mil mulheres que aguardam o procedimento de recomposição mamária. “Nosso pensamento tem que ser maior. Temos que levar o projeto-piloto de Brasília à esfera nacional”, conclamou.

Vários procedimentos

A reconstrução da mama é considerada a parte final do tratamento do câncer de mama, já que exige a retirada do órgão. Por isso, oSistema Único de Saúde (SUS) faz a cirurgia desde 1999 na rede pública e conveniada. O mutirão de Brasília foi uma parceria entre a rede privada de hospitais do DF, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Secretaria de Saúde do DF. A parceria também se mantém no pós-operatório. Uma mulher submetida à reconstituição mamária geralmente volta ao centro cirúrgico pelo menos mais duas vezes. Primeiro, ela faz o preenchimento. Em seguida, a simetria das mamas e, seis meses depois, o bico do seio.

A copeira Mônica Consolação, de 41 anos, esperou oito anos para ter reconstruído o bico do seio. Só no mutirão ela conseguiu, finalmente, ter a mama inteiramente reconstituída. “Fiquei tirando fotos de todo o processo e, agora, fotografo com orgulho a minha mama completa”, conta. A piauiense Maria Zita Rodrigues de Sousa, 49, também está com a autoestima recuperada. “Sofri demais quando descobri a doença, estava tudo tomado e tive que tirar toda a mama. Agora, ela está aqui de volta”, conta, entusiasmada, a copeira.

Fonte: Correio Braziliense

Mutirão de Cirurgia Plástica – DF

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Às 7h de ontem, foi dada a largada para a maratona de cirurgias de reconstrução de mama que operaram 61 mulheres em 12 horas, número quase equivalente às 70 feitas ao longo de 2010. É a primeira vez que um mutirão como esse é realizado no Brasil. Para garantir o sucesso nos atendimentos, o reforço veio de 17 médicos de fora do Distrito Federal. A experiência pretende ser piloto de um projeto que prevê iniciativa parecida em âmbito nacional, prevista para março de 2012 — serão beneficiadas cerca de 2 mil mulheres que estão na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, os bons resultados de ontem serão encaminhados para análise da presidente Dilma Rousseff.

A escolha do DF aconteceu por causa da fila de 300 mulheres à espera de cirurgia plástica — algumas pacientes aguardam a oportunidade há 15 anos. A demora levou-as a protestarem em dezembro do ano passado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) (leia Memória). Além disso, Brasília sedia a Jornada de Cirurgia Plástica Etapa Centro-Oeste. Os profissionais envolvidos no evento tornaram possível a iniciativa. “Já fizemos oito mutirões de cirurgia plástica pelo Brasil, mas nenhum de reconstrução mamária”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Guerra.

Para os procedimentos de ontem, 158 pacientes foram selecionadas. Elas se submeteram a exames e 64 se viram aptas para a cirurgia plástica. “Escolhemos as que atendiam as condições necessárias, as que não tinham alterações nos exames ou estavam fazendo quimioterapia ou radioterapia”, explicou o coordenador do mutirão, Luciano Chaves. Mas, desse total, três não fizeram a cirurgia. Uma por que a pressão arterial estava alta; outra por causa de uma infecção; e a terceira por motivos familiares.

Dos 14 hospitais participantes, sete são da rede pública de saúde e sete, da rede privada. Ao todo, foram usadas 32 salas de cirurgia. Mais de 120 médicos se envolveram na maratona, sendo 90 cirurgiões plásticos e 32 anestesistas. Também participou uma equipe de 90 enfermeiros. Cada intervenção levou, em média, cinco horas.

SUS

O chefe de cirurgia plástica do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Luiz de Gonzaga Guimarães, atendeu o Correio após oito horas ininterruptas de cirurgias. “Existe a falta de acompanhamento em todos os níveis sociais em relação a câncer e reconstrução mamária. Um mutirão como esse vale a pena para alertar sobre a importância da prevenção”, explicou (leia entrevista completa abaixo).

O diretor executivo do Sindicato Brasiliense de Hospitais Privados, José Carlos Daher, afirmou que uma cirurgia de recomposição de mama custa de R$ 10 mil a R$ 15 mil. A cirurgia de reconstrução da mama é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1999 por meio da rede pública e conveniada. A lei federal que garante esse direito vale em casos de mutilação decorrente do tratamento de câncer. O secretário de saúde do DF, Rafael Barbosa, afirmou que a iniciativa servirá de exemplo para aumentar a quantidade de cirurgias no DF, que desde 2009 não ultrapassa 70 por ano.

Medicina estética fora da lei

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) está apertando o cerco contra a medicina estética, especialidade não reconhecida pela entidade, mas muito oferecida em consultórios. Um primeiro passo é a elaboração de um manual sobre publicidade médica, que aumentará as restrições aos chamados procedimentos estéticos. O texto, além de apontar o que pode ou não ser anunciado, fará recomendações para apurar e denunciar responsáveis por irregularidades.
O manual proíbe, por exemplo, as propagandas mostrando pacientes antes e depois de cirurgias ou intervenções. O médico também não poderá usar de sensacionalismo para atrair pacientes, como prometer que ele obterá um certo resultado.- A divulgação de antes e depois é quebra de sigilo entre médico e paciente – explica o coordenador da Câmara de Cirurgia Plástica do CFM, Antônio Pinheiro.
O assunto foi tema de reunião do conselho ontem. Só no ano passado, dois médicos tiveram seus registros cassados por terem se “vendido” como médicos estéticos, o que é ilegal.
A Sociedade Brasileira de Medicina Estética entrou com um pedido para que a prática virasse especialidade médica em 2005. No entanto, os conselheiros entenderam que não há nada de novo na atividade para justificar sua inclusão. Os procedimentos realizados por médicos que se intitulam como “estéticos” – como preenchimento de rugas, aplicação de toxina botulínica e outras intervenções antienvelhecimento – são feitos por especialidades existentes, como a dermatologia e a cirurgia plástica.- Temos sugerido a esses médicos que procurem fazer especializações em dermatologia, cirurgia plástica, angiologia ou endocrinologia – diz o conselheiro do CFM Emmanuel Fortes, afirmando que a maioria dos profissionais que aplicam toxina botulínica não tem especialidade alguma.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, Aloizio Faria de Souza, há pelo menos 15 mil médicos no Brasil realizando procedimentos estéticos e que não se pode generalizar afirmando que eles são desqualificados. Ele admite que há profissionais que fazem cursos rápidos, com carga horária menor, apenas para aprender um tratamento estético. Mas também lembra que no país existem cursos de pós-graduação em medicina estética, dirigido exclusivamente a médicos.
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo, Faria de Souza, a pressão de médicos das sociedades de dermatologia e cirurgia plástica para o não reconhecimento da medicina estética como especialidade tem um único objetivo, fazer reserva de mercado: – Essas sociedades estão estruturadas há mais tempo e têm mais poder político. Mas a medicina estética é praticada em todo o mundo.
Bogdana Victória Kadunc, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, discorda de Faria e diz que a prática de tratamentos dermatológicos por profissionais que se dizem especialistas em medicina estética pode ser um risco para a saúde.
– Para uma especialidade ser reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina, é necessário um longo caminho e o preenchimento de uma série de critérios, como, por exemplo, oferecer curso de residência médica – diz.

Tratamentos não reconhecidos

Há casos, diz Bogdana, de médicos esteticistas que se dizem dermatologistas; e isso é grave.- Eles não estudaram profundamente pele, músculos e vasos; não conhecem doenças dermatológicas e às vezes nem sabem reconhecer um tumor. Em mãos não habilitadas, peelings podem deixar cicatrizes permanentes; preenchimentos podem causar isquemia, necrose; laser pode provocar queimaduras graves, e toxina botulínica deformações.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Nelson Edy Guerra, diz que há casos de médicos que oferecem tratamentos não reconhecidos pela SBCP, como lipoaspiração em consultório.

O Brasileiro que operou Khadafi

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O CIRURGIÃO

Ribeiro em seu consultório em Botafogo, no Rio. “Não cobrei nada de Khadafi, mas ganhei um presente em dólares e francos”

O slogan da clínica do niteroiense Liacyr Ribeiro, de 70 anos, é “cirurgia plástica e bom-senso”. Não há dúvida de que ele domina a especialidade. Ribeiro presidiu a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (entre 1991 e 1992), escreveu 68 artigos científicos e capítulos de livros e tem orgulho de comandar a Associação dos Ex-Alunos do Prof. Ivo Pitanguy. Quanto à sensatez, há controvérsias. Onde estava o bom-senso do médico que, em 1995, aceitou se enfiar num bunker em Trípoli, na Líbia, depois de receber a incumbência de melhorar a aparência do ditador Muammar Khadafi?

Nos últimos 16 anos, Ribeiro cuidou bem desse segredo. Resolveu revelá-lo a ÉPOCA depois de consultar a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica a respeito das implicações éticas de sua decisão. Diz que recebeu passe livre e contou uma história reveladora. “Não estou fazendo isso para atrair clientes para minha clínica. Contar que operei Khadafi é antipropaganda, porque, afinal, ele não está com boa aparência”, diz. “Minha intenção é contribuir para a compreensão de uma figura histórica em torno da qual há muita especulação e pouca informação.”

Ribeiro opera no Rio de Janeiro, onde mantém dois consultórios (um em Botafogo e outro na Barra da Tijuca), e, algumas vezes por ano, em Nápoles, na Itália. Ele não confirma, mas blogs italianos informam que um de seus clientes é o premiê Silvio Berlusconi.

No episódio da operação de Khadafi foi parar em Trípoli por obra de um homem que assistia com interesse a suas palestras na Argentina e na Europa. Um dia o homem misterioso se apresentou. Disse que se chamava Mohamed Zaid e era ministro da Saúde da Líbia. Zaid o convidou para participar do I Congresso Pan-Arábico de Cirurgia Plástica, que seria realizado na capital da Líbia em 1994. Ribeiro aceitou. Apresentou trabalhos sobre cirurgia plástica de mama, assunto ao qual dedicou toda a carreira. Ao final de uma das palestras, Zaid disse que gostaria que ele visse uma pessoa muito querida. Ribeiro imaginou que veria a mulher do ministro, que talvez estivesse interessada em retocar os seios.

“Queria deixar o rosto do Khadafi esticadinho em 1995. Ele exigiu uma cirurgia imperceptível”

Ribeiro diz que foi conduzido a um carro dirigido pelo próprio Zaid. Passaram pelo palácio destruído pelos americanos em 1986 durante um bombardeio que matou a filha adotiva de Khadafi. Logo depois, Ribeiro começou a ficar apreensivo. O carro serpenteou por ruas estreitas antes de passar por vários bloqueios vigiados por soldados armados. O ministro estacionou diante de uma construção. Os dois entraram, e Ribeiro foi colocado numa biblioteca. Só aí o ministro disse:

– Você vai examinar o nosso líder.

O cirurgião começou a entender o tamanho da encrenca em que se metera – até então, involuntariamente. “Só percebi que aquilo era o bunker do Khadafi quando fui colocado sozinho com ele embaixo de uma tenda, montada dentro de casa. Apesar da penumbra, Ribeiro reconheceu a figura do ditador, que vestia uma túnica longa. O ministro e o médico particular – um paquistanês que morava na biblioteca – não acompanharam a consulta. Ribeiro ouviu a porta bater atrás de si, enquanto Khadafi se aproximava. No primeiro contato, o ditador foi gentil e educado. “Ele apertou a minha mão e, num inglês impecável, aprendido quando estudou estratégia militar na Inglaterra, explicou o que queria”, diz. “Não me deu medo.”

A primeira coisa que o ditador fez foi tentar justificar por que precisava de uma cirurgia de rejuvenescimento. “Ele disse que estava no poder havia muitos anos e não queria que os jovens o vissem como um velho.” Khadafi havia lido sobre várias técnicas. Foi logo dizendo o que queria e o que não queria. Ribeiro indicou ao ditador um lifting facial completo, operação para erguer a pele ou a musculatura do rosto com o objetivo de fazer a pessoa parecer mais jovem. “Queria deixá-lo com o rosto bem esticadinho, mas ele não aceitou”, diz Ribeiro. “Pediu uma intervenção natural que não deixasse vestígios, como uma cicatriz atrás da orelha.” Ribeiro diz ter explicado ao ditador que, sem o lifting facial, o resultado da cirurgia poderia ficar aquém do desejado. Não conseguiu convencê-lo a aceitar o procedimento mais radical. “Apesar de educado e inteligente, Khadafi me pareceu introvertido, tímido, frio”, afirma. “Quando eu fazia uma pergunta, ele não respondia de imediato. Cada palavra parecia calculada.” Ao final da conversa, Khadafi irrompeu:

– O.k. Vamos fazer a cirurgia hoje.

Sem acreditar no que ouvia, Ribeiro gaguejou. Disse que não seria possível, que precisava de material específico, assistentes, anestesistas… arriscou qualquer argumento capaz de tirá-lo dali (em segurança) o mais rápido possível. Com a intervenção do médico particular de Khadafi e do ministro da Saúde, chegou-se a um acordo. A cirurgia foi combinada para o ano seguinte. No primeiro encontro, Ribeiro faria apenas um pequeno procedimento. Com anestesia local, extrairia gordura da barriga do ditador e usaria esse material para tentar preencher e amenizar os sulcos profundos provocados pela flacidez das maçãs do rosto. Sem alternativa, Ribeiro aceitou. Mas sofreu para conseguir encontrar e extrair gordura na barriga do ditador. “Khadafi era saradaço, se exercitava muito. Tinha uma academia completa dentro do bunker e uma piscina de 100 metros.”

No mesmo lugar, a família do ditador dispunha também de um gabinete odontológico, comandado por uma dentista búlgara. Era equipado com o que existia de mais moderno no mundo. Havia, ainda, duas salas de cirurgia completas, com equipamentos de UTI. Em 1995, Ribeiro voltou a Trípoli com o colega Fabio Nacach, especialista em implante capilar.

Ficou combinado que, além de tentar frear o avanço da calvície, Ribeiro melhoraria o aspecto das pálpebras, amenizaria os sulcos ao lado das maçãs do rosto e disfarçaria uma cicatriz localizada no lado direito da testa. O ditador não contou ao médico o que teria provocado a cicatriz, mas Ribeiro teve a impressão de que eram vestígios de uma facada.

UM BRASILEIRO NO BUNKER
1. Khadafi e Ribeiro em 1994, quando se conheceram em Trípoli. 2. Ribeiro nas ruínas romanas de Sabrath, a 70 quilômetros de Trípoli. 3. O brasileiro na biblioteca em que foi colocado, dentro do bunker de Khadafi. Ele não se lembra do nome do paquistanês (à esq. na foto), que era o médico particular de Khadafi. O ministro da Saúde, Mohamed Zaid (à dir. na foto), apresentou Ribeiro a Khadafi
Khadafi marcou a cirurgia para as 2 horas da madrugada. “Por causa do calor, só os mais pobres trabalham durante o dia em Trípoli. Quem pode fazer compras ou ir ao médico, por exemplo, faz isso à noite ou de madrugada”, afirma. Khadafi permaneceu s consciente porque recebeu apenas anestesia local e sedação. Tinha medo de morrer ou ser morto durante a anestesia geral. No meio do procedimento, mandou parar tudo porque queria comer um hambúrguer. O material cirúrgico foi removido e sanduíches foram servidos a toda a equipe. Além dos dois brasileiros, estavam na sala dois anestesistas (um russo e um egípcio) e uma instrumentadora iugoslava. Segundo Ribeiro, Khadafi gostou do resultado. Mas o médico teve de permanecer em Trípoli para acompanhar a recuperação dele. Depois de dez dias, ouviu do ditador:

– Este lugar, sem mulheres e sem bebida, deve ser um sacrifício para você. Pode ir embora.

Quando finalmente entrou no carro para começar a viagem de volta ao Brasil, Ribeiro tomou consciência do risco que corria por ser o autor de uma obra que precisava ser esquecida. “Pensei: agora estou morto. Este carro vai explodir antes de chegar à fronteira com a Tunísia.” Nessa conjuntura, Ribeiro diz que preferiu não cobrar nada. “Ele era, ao mesmo tempo, um estadista e um ditador. Achei melhor não dizer nada sobre dinheiro.” Pode-se dizer que o “estadista” – responsável por uma lista vergonhosa de atrocidades em 40 anos de poder e que hoje lança bombas contra sua própria população – indenizou bem o brasileiro pelo susto. Na despedida, Ribeiro ganhou um presentinho do ministro da Saúde. Um envelope recheado de dólares e francos. O médico não revela o valor, mas diz que ganhou muito mais do que cobraria pelo mesmo tratamento no Brasil. Há cinco anos, a equipe de Khadafi pediu que Ribeiro voltasse a Trípoli para um novo procedimento. Alegando doença na família, Ribeiro recusou. “Acho que ele se ofendeu.” Nunca mais foi procurado.

Fonte: Época

Plástica invisível

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Novas técnicas de lifting rejuvenescem o rosto, mantendo aspecto mais natural

NO ALTO a cirurgiã Natale Gontijo opera a face de uma paciente. Ela diz que o lifting deixa o rosto com o aspecto jovem e natural sem parecer que a pele foi puxada. No detalhe, a incisão segue o contorno da orelha e deixa a cicatriz quase invisível
O PREENCHIMENTO com ácido pode ser tratamento complementar ao lifting
Lasers que prometem um rosto jovem, preenchimentos que garantem acabar de vez com as marcas de expressão e até clínicas dermatológicas que oferecem cirurgia de pálpebras. Cuidado, os resultados podem deixar a desejar e, pior, exigirem outros tratamentos complicados. O alerta vale principalmente se o objetivo for rejuvenescer a face. Depois de anos de exposição solar, estresse e efeito da gravidade, o que realmente recupera a elasticidade e acaba com a flacidez da pele do rosto e do pescoço é a plástica de lifting. A técnica até se modernizou para concorrer com os tratamentos das clínicas de estética e tem a vantagem de proporcionar um efeito duradouro.

Se a ideia é ter um tratamento completo, só os procedimentos dermatológicos e estéticos talvez não resolvam tudo, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Apenas o lifting de face — técnica cirúrgica — proporciona o rejuvenescimento total, eliminando a flacidez.
— Em casos complexos, uma face com flacidez, cheia de rugas e vincos acentuados em diversas partes, a melhor opção continua sendo operar — afirma o cirurgião plástico Sebastião Nelson Edy Guerra, presidente da SBCP.
Natale Ferreira Gontijo de Amorim, pesquisadora-chefe da Clínica Ivo Pitanguy, faz a mesma advertência, lembrando ainda que dermatologistas não têm a mesma formação de um cirurgião plástico.
— O laser, por exemplo, apenas melhora a qualidade da pele e, portanto, é um método complementar, não substituindo o lifting de face. O aparelho não acaba com a flacidez em grau moderado ou grave — acrescenta a cirurgiã.
Paulo Roberto Leal, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica e Microcirurgia Reconstrutora do Instituto Nacional de Câncer (Inca), vai além, afirmando que cirurgias delicadas, como a de pálpebras, devem ser executadas somente por quem tem um longo treinamento de cirurgião, pois suas sequelas poderão ser graves. E comenta que lasers e outros recursos não cirúrgicos só funcionam bem em mãos experientes.
— Não raro recebo pacientes que sofreram sérios danos ao se submeterem a tratamentos estéticos com profissionais não qualificados, e às vezes esses problemas são irreversíveis — conta Leal.
Pele com aspecto mais natural
Se a única solução para ter novamente um rosto com a aparência jovem for encarar o bisturi, também é preciso saber em detalhes os prós e contras. Os cuidados no pós-operatório são muitos, com uma série de restrições para não botar tudo a perder. No lifting os médicos aproveitam para tratar a musculatura superficial da face e do pescoço, reposicionando a gordura das bochechas, quando caídas, e aspiram a gordura sob o queixo (a papada), se necessário.
— O objetivo é deixar a pele jovem com aspecto natural, sem parecer que foi puxada. Quanto maior a flacidez, mais extensa será a cirurgia, exigindo mais cortes — explica Natale. — Se a pessoa tiver excesso de pele e bolsas de gorduras nas pálpebras, essas queixas são tratadas durante o lifting ou em outra cirurgia. Isso vale também se quiser corrigir a queda da ponta do nariz.
Para o resultado ficar bem natural, as incisões hoje acompanham os contornos da orelha; assim ficam escondidas, podendo ser estendidas para dentro do cabelo. Um outro avanço na técnica é recolocar no lugar as bolsas malares que formam as maçãs do rosto.
— Com a idade, nossa face vai ficando com um desenho retangular e alongado. Depois do lifting é visível a face mais cheia na região da maçã e fina embaixo. Além de recuperarmos o contorno da juventude, suavizamos os sulcos ao redor da boca — explica Natale.
Pálpebras no lugar certo
Também Paulo Leal afirma que a recuperação das maçãs do rosto é uma das vantagens do lifting em relação às técnicas não cirúrgicas. Para fazer isso, os cirurgiões podem enxertar gordura retirada da barriga do próprio paciente. E ele acrescenta que a correção das pálpebras é, no mínimo, metade do sucesso da operação:
— Hoje no lifting há tendência a fazer incisões menores, principalmente nos pacientes mais jovens.
Um outra novidade no lifting, mas que não chega a encantar a todos os cirurgiões, é a videoendoscopia, um método que facilita a visualização dos músculos da face. A técnica tem a sua melhor indicação na plástica da fronte, especificamente a área da testa e das sobrancelhas, que afrouxam com a idade. Com a videoendoscopia eleva-se essa parte do rosto sem deixar grandes cicatrizes no couro cabeludo, e ela ajuda a atenuar algumas expressões faciais.
— A videoendoscopia proporciona um efeito semelhante ao da aplicação da toxina botulínica, mas nem todos os cirurgiões gostam de usá-la — afirma Leal.
Já Natale acha que a videoendoscopia para fazer o rejuvenescimento facial só vale para as alterações muito visíveis na testa, e ela prefere indicar as aplicações de toxina botulínica.
O lifting proporciona um resultado definitivo por cinco a dez anos, em média, mas o envelhecimento natural continua, lembram os cirurgiões. Então o efeito dependerá muito de hábitos, especialmente no que diz respeito aos cuidados com a sua pele.
— Dependendo da avaliação, em situações mais complexas, uma nova intervenção após o primeiro ano complementa a primeira operação — diz Sebastião Guerra.
E Paulo Leal lembra que as pessoas não são iguais, reagindo de forma diferente ao lifting.
— Há quem perca mais precocemente os efeitos do lifting. Até fatores emocionais influenciam.
Para melhores resultados
AINDA NO HOSPITAL: A cirurgia de lifting dura de duas a três horas, ou um pouco mais, podendo ser feita com aplicação de anestesia geral ou local com sedação. A pessoa fica internada por até 48 horas e recebe alta com o rosto sem curativo. Pode sentir leve desconforto devido ao edema ou inchaço (alguns pacientes incham mais do que outros) no local operado, porém dor forte não é uma queixa comum.
EM CASA: Além de evitar a exposição ao sol forte (é imprescindível o uso de protetor/filtro) e não fazer esforços físicos vigorosos (como praticar ginástica) por pelo menos 40 dias, recomenda-se drenagem linfática. As sessões começam geralmente 15 dias após a cirurgia e o número dependerá de cada caso, de acordo com o grau de edema, que costuma diminuir a partir do terceiro dia. Os pontos começam a ser retirados entre seis e 12 dias depois, explica Sebastião Guerra, acrescentando que os primeiros resultados são mais bem avaliados após o décimo dia. Ele recomenda só lavar (com muito cuidado) os cabelos entre o segundo e o sétimo dia depois da operação, secando bem a área das orelhas e evitando a escovação. Produtos como tinturas só poderão ser usados após a terceira semana. Médicos dizem que qualquer maquiagem deve ser evitada por pelo menos dez dias. Paulo Leal comenta que o efeito final varia conforme a extensão da operação. Porém, considera-se que o resultado de um lifting não está completo antes de um ano.
NADA DE CIGARRO: Fumantes podem ter resultados piores. Isso porque o tabagismo prejudica muito o fluxo de sangue e dificulta a cicatrização dos tecidos. Quanto mais bem cuidada a pele, melhor o efeito e mais duradouro o lifting. Pele desidratada com muitas rugas finas e manchas compromete o efeito. Nesses casos, o ideal é tratar o tecido previamente com dermatologista, principalmente no que diz respeito à hidratação, que ajuda a aumentar a elasticidade e tônus da pele.
SONO E SEXO: Para dormir bem, os cirurgiões afirmam que a melhor posição é de barriga pra cima. Deitar-se de lado pode deixar uma parte do corpo mais inchada do que outra. E cuidado com as gargalhadas e o excesso de conversas nos primeiros dias, porque isso contribui para aumentar um pouco o inchaço e pode causar sangramento. Deve-se evitar as relações sexuais por cerca de duas semanas, pelo mesmo motivo.
PELE MAIS SAUDÁVEL: Preenchimentos com ácido hialurônico e a aplicação de toxina botulínica podem ser realizados duas semanas após a cirurgia, quando a pessoa começa a desinchar, diz Natale Gontijo. São considerados tratamentos complementares para conseguir um resultado ainda melhor do lifting, se necessário.

Implantes mamários – Linfoma

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A SBCP, frente à divulgação de alguns relatos que levantaram a possibilidade do aparecimento de tumor maligno em pacientes portadoras de implantes mamários , sente-se no dever de manifestar seus pontos de vista sobre o assunto.

Estudamos seis trabalhos publicados, que no nosso entender representam os mais importantes, advindo algumas conclusões:

Pela extrema raridade dos casos estudados em relação ao número de pacientes portadoras de implantes, podemos considerar os achados uma pura coincidência sem expressão estatística.

Recomendamos, tendo em vista os benefícios que podem advir da participação da SBCP, através desta Comissão de silicone, que todos os casos suspeitos sejam comunicados a citada comissão e o planejamento das medidas a serem tomadas seja feito de maneira conjunta.

Como estes pacientes representam uma fração minúscula do total da população portadora de implantes uma relação confiável não pode ainda ser estabelecida.

Comissão de Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Prótese ajustável

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Novidade em implante mamário é apresentada durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, o maior evento na área do Brasil e o segundo maior do mundo.

Uma prótese de silicone que pode aumentar de tamanho durante ou depois da cirurgia foi o destaque do 47.º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, que reuniu mais de dois mil cirurgiões plásticos brasileiros e estrangeiros entre os dias 11 e 15 de novembro em Vitória, no estado do Espírito Santo.

Chamado de Spectra, o implante ajustável criado pelo cirurgião sul-africano Hilton Becker – que já tem uma prótese que leva o seu sobrenome – está em fase final de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas já está aprovada e em uso em outros países, especialmente na Europa.

INOVAÇÃO

A novidade é uma câmara interna, onde pode ser inserido soro fisiológico por meio de uma cânula. Se preenchida completamente, esta câmera pode aumentar em até 30% a projeção do seio, o que resolveria o problema daquelas mu­­lheres que, depois que o inchaço do pós-operatório vai embora, acham que deveriam ter colocado uma prótese maior. Elas têm um período de alguns meses para voltar ao cirurgião e sair com um novo tamanho sem ter de trocar a prótese.

A possibilidade de “ga­­nhar” mais projeção do seio, em um procedimento mais simples do que fazer outra cirurgia, não é a única vantagem da Spectra. A novidade, segundo o criador, é ideal às cerca de 15% das mulheres brasileiras que, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, têm assimetria nas mamas. Becker, no entanto, garante que quase 100% das mulheres têm algum grau de assimetria.

Quando essas pacientes com mamas de tamanhos ou formas diferentes são submetidas à cirurgia, é necessário que o cirurgião faça a prova de vários tamanhos de próteses diferentes, até que chegue em uma combinação que julgue proporcional. Mas, com próteses de tamanhos diferentes, mesmo que se consiga a mesma projeção, a base das mesmas será diferente. “Isso não acontece com a Spectra, já que o cirurgião pode ajustar as dimensões e o volume da prótese na hora da cirurgia”, afirma.

MAMA

O número de cirurgias de aumento da mama pelo im­­plante de prótese tem crescido no Brasil. De acordo com pesquisa do Ibope, no ano passado este foi o procedimento cirúrgico mais solicitado pelas mulheres, com mais de 156 mil intervenções. O cirurgião plástico Sebastião Nelson Edy Guerra, presidente da So­­ciedade Brasileira de Cirurgia Plástica, comprova este crescimento, apesar de o número ser bastante próximo ao de outro procedimento que já foi campeão de intervenções. “As últimas estatísticas mostraram que, entre as mulheres, 21% das cirurgias plásticas são feitas para o implante de prótese de silicone, enquanto 20% se trata de lipoaspiração. E muitas vezes a mulher acaba sendo submetida aos dois procedimentos de uma só vez”, conta.

CONGRESSO

O evento contou com a presença de grandes nomes da cirurgia plástica internacional e nacional, como Ivo Pitanguy, e com a participação de diversas sociedades internacionais da cirurgia plástica. Segundo Guerra, o congresso é um ponto de encontro dos cirurgiões plásticos, que usam a oportunidade para discutir o presente e o futuro da área. “Aqui é onde as técnicas de cirurgia se consolidam ou são derrubadas. São discutidas as experiências médicas e é feita uma revisão sobre as práticas da cirurgia plástica. Não há cirurgia sem riscos. Mas este é um congresso em que está sendo muito valorizada a segurança em cirurgias e estamos lutando para que os problemas decorrentes da cirurgia plástica sejam cada vez mais raros”, diz.

Sobre a escolha de um profissional, o presidente afirma que o primeiro passo é procurar indicações de pessoas que já foram submetidas ao procedimento esperado. “É importante conversar com outros pacientes e entrar em contato com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pois se um médico é um dos 4,8 mil membros, ele é habilitado e fiscalizado constantemente”, diz.

Fonte:Gazeta do Povo

Botox pode causar atrofia em músculo, aponta pesquisa

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Estudo feito na Universidade de Calgary, Canadá, sugere que o uso prolongado da toxina botulínica pode causar atrofia e perda de força muscular tanto nas regiões próximas quanto nas distantes do local da aplicação.

O levantamento, que será publicado no “Journal of Biomedics”, avaliou efeitos de aplicações em 20 coelhos, divididos em quatro grupos.

O grupo submetido ao maior número de doses e por mais tempo (seis meses), apresentou maior atrofia e maior perda de força e de massa musculares.

Estudos anteriores já haviam apontado que a aplicação de botox poderia causar esses mesmos efeitos. Médicos ouvidos pela Folha afirmaram que músculos próximos ao local que recebeu a aplicação podem ser afetados, ainda que isso seja raro.

No entanto, essa é a primeira pesquisa a mostrar que os efeitos podem ocorrer em áreas do corpo distantes daquela que recebeu a injeção.

No estudo com os coelhos, foram observadas atrofia e perda da força muscular nas patas que receberam a toxina e nas que não receberam.

HUMANOS E ANIMAIS

As dosagens aplicadas na pesquisa foram similares às usadas em tratamentos terapêuticos -como em casos de espaticidade, que é uma rigidez excessiva da musculatura, sequela comum em pessoas que tiveram derrame. Essas quantidades costumam ser seis vezes maiores do que as usadas em tratamentos estéticos.

Segundo o fisioterapeuta Rafael Fortuna, autor da pesquisa, os resultados sugerem que podem ocorrer esses efeitos com o uso prolongado da toxina tanto em tratamentos terapêuticos quanto estéticos, já que a substância é a mesma, como ele diz.

Mas, segundo o pesquisador, é difícil prever que os efeitos em humanos sejam exatamente iguais aos observados em animais.

O neurologista Henrique Ballalai Ferraz, do departamento de transtornos do movimento da Academia Brasileira de Neurologia, diz que já se suspeitava da ação à distância da toxina botulínica.

Mas, segundo ele, os resultados da pesquisa só são relevantes para quem utiliza doses muito elevadas da substância, o que é incomum.

Carlos Casagrande, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, concorda.

“São feitas milhares de aplicações estéticas de botox todos os dias e não há relatos desses efeitos sistêmicos, de aplicar numa região e um músculo distante ser paralisado”, diz.

Sobre as causas desse efeito, Fortuna diz que há apenas especulações. Uma é que a toxina migra de região pela corrente sanguínea.

“Como o botox é utilizado há relativamente pouco tempo [nos EUA, ele foi aprovado em 1989], há poucos estudos sobre seu uso prolongado”, diz o pesquisador. Por isso, ele recomenda “cautela e bom senso” em seu uso.

Fortuna, no entanto, diz acreditar que os efeitos positivos do botox, em especial no uso terapêutico (para problemas como estrabismo, hiper-hidrose e paralisia cerebral), compensam os riscos.

Fonte: Folha.com