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Embaixadores do Conhecimento

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Revista Brasileira de Cirurgia Plástica busca fomentar o conhecimento científico nos Residentes brasileiros

Por Daniele Amorim

Desde o segundo semestre de 2020, os médicos residentes em cirurgia plástica se tornaram protagonistas no debate científico sobre a especialidade por meio do programa “Embaixadores da RBCP”. Com a chancela da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e apoio do Departamento de Comunicação (DECOM), o programa conta com um time de residentes, com representatividade em todo o Brasil, para auxiliar e estimular a divulgação e interatividade em relação aos estudos publicados na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP).

A ideia de criar o programa, acolhida de imediato pelo Dr. Dênis Calazans e pelo editor-chefe da RBCP, Dr. Dov Goldenberg, surgiu a partir da experiência do Dr. Murilo Secanho, residente do terceiro ano na Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB). Murilo, que é Embaixador Residente no Conselho Editorial da Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open, revista da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS), sentia que a SBCP poderia ter uma iniciativa semelhante à da ASPS para fomentar o conhecimento científico com residentes brasileiros. “No Congresso foi criar um formato ideal para a discussão dos artigos publicados na RBCP, em forma de debates online, que ganhou o nome “Master Class”. Nesses encontros, que ocorrem a cada 15 dias, a participação de residentes e coordenadores experientes gera um debate científico dos principais artigos publicados na revista científica da SBCP. Os artigos publicados e disponíveis online são discutidos para gerar uma análise crítica do DESC de 2020, eu encontrei o Dr. Dênis Calazans e sugeri criarmos algo parecido no Brasil, um conselho de residentes que serviria para estimular a produção científica e também divulgar o conteúdo da RBCP nas redes sociais. A ideia foi bem aceita por ambos”, relata o residente.

Com aval da Diretoria da SBCP, era o momento de colocar o programa de pé. A primeira iniciativa do artigo em relação à sua forma, metodologia, resultados obtidos e nível de evidência. “As vantagens desta iniciativa são múltiplas: para o ensino em cirurgia plástica, para o aprendizado crítico da análise de um artigo científico e, enfim, para a divulgação dos estudos aos nossos associados e colegas médicos, permitindo um estímulo adicional aos autores para publicarem em nossa revista.

Mais uma vez, o Conselho Editorial da RBCP busca novas fronteiras a serem cruzadas, com o objetivo da divulgação científica ética e de qualidade”, ressalta o Dr. Dov. Os residentes de serviços credenciados são convidados para participar da discussão acadêmica por meio da divulgação do evento nas redes sociais da SBCP e em grupos de WhatsApp. Em 2020, os embaixadores organizaram seis edições do “Master Class – Ciência a seu alcance” e tiveram a participação de moderadores renomados como o Prof. Dr, Antonio Bozola e o Prof. Dr. José Horácio Aboudib, por exemplo. Todas as edições foram gravadas e estão disponíveis aos assinantes da plataforma SBCP Live.

Leia a matéria na íntegra na edição 226 de Plastiko’s

A Cirurgia Plástica é quase uma psicanálise cirúrgica

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Professora Titular Emérita da UFRJ, a Dra. Talita recorda sua trajetória e fala sobre a evolução da prática e aumento do número de mulheres na especialidade

Por MADSON DE MORAES

A Dra. Talita Romero Franco entrou para a faculdade de medicina querendo ser psicanalista e saiu cirurgiã plástica. Por isso, conversar com ela é entrar em contato com uma pensadora de ideias provocadoras e mente aguçada.

Mas até hoje aquela futura psicanalista mora nas reflexões que faz sobre a cirurgia plástica. “É quase uma psicanálise cirúrgica porque trabalhamos o tempo todo com a emoção das pessoas”, diz Talita, natural do Rio de Janeiro e nascida em uma família que, desde o século 19, é formada por médicos.

Sua avó paterna, aliás, foi uma das primeiras médicas formadas do Brasil. No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, onde trabalhou desde a sua fundação em 1979 até se aposentar em 2011, ela foi chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do hospital universitário por 17 anos e a responsável pela criação da disciplina eletiva de Intro dução à Cirurgia Plástica, além da coordenação da Residência Médica na área.

Especialista em cirurgias reparadoras e, sobretudo, em cirurgias de malformações congênitas, a atual professora titular emérita da UFRJ, de 80 anos, detalha seu interesse pela especialidade, fala do convívio com o Prof. Pitanguy, lembra-se da discriminação que as médicas e cirurgiãs sofriam no passado e comenta a evolução da cirurgia plástica nas últimas décadas.

Você entrou na faculdade com o propósito de ser psicanalista e saiu médica. O que a fez mudar de ideia?

Entrei na Medicina pensando em ser psicanalista, mas logo comecei a ajudar meu pai em suas cirurgias particulares. Além disso, no segundo ano, comecei a namorar aquele que se tornaria meu marido, também cirurgião. Assim, fui me interessando pela área. Não é por acaso que se escolhe uma especialidade. Percebi que me sinto melhor como protagonista do que como observadora. Portanto, não seria uma boa psicanalista. A cirurgia plástica é como se fosse uma psicanálise cirúrgica porque trabalhamos o tempo todo com a emoção das pessoas e o que podemos oferecer de resultado concreto. É uma psicanálise quase prática. Quando optei pela cirurgia, me interessei por Cabeça e Pescoço, pelo fato de ser muito anatômica. Mas meu pai interferiu, sugerindo a Cirurgia Plástica, “uma cirurgia alegre, que traz felicidade no lugar de sofrimento”. Fui apresentada, então, ao Serviço do Prof. Ivo Pitanguy, onde fiz minha especialização numa das primeiras turmas organizadas por ele, de 1965 a 1967.

Como foi o aprendizado e o convívio com o mestre?

A residência na especialidade com o Prof. Pitanguy durou três anos, mas continuei no Serviço por mais uns 10 anos. Tenho 12 trabalhos publicados com ele. Foi um período longo de convívio. Ele era muito exigente, mas também espirituoso e humano com os pacientes. Fui presidente da AEXPI, associação de seus ex-alunos, e fiz até um encontro em Itaparica, marcante porque fugia da rigidez tradicional de um congresso, com os palestrantes de bermuda e trajes de banho. Depois, mantive o contato com ele, mas um pouco mais afastada, por ter sido admitida em 1979 no recém-inaugurado Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, onde fui chefe do Serviço de Cirurgia Plástica por 17 anos. Lá criei a disciplina eletiva de Introdução à Cirurgia Plástica e a residência médica na área.

Como era atuar como médica e cirurgiã plástica na época em que você começou?

Sou de uma época em que mulheres médicas eram poucas e cirurgiãs causavam espanto. Quando comecei a trabalhar, o centro cirúrgico dos hospitais não tinha vestiário para mulheres: trocávamos a roupa em locais improvisados ou precisávamos “pedir licença” na sala dos médicos. Havia ainda, na década de 1960, preconceito com a própria cirurgia plástica. Os outros cirurgiões a encaravam como algo menor e com foco primordialmente em satisfazer a vaidade das mulheres. Estava se desvencilhando da cirurgia geral e tentava assumir uma alma própria. Foram necessárias diversas guerras para se perceber a real importância de nossa especialidade.

Sua avó paterna, Judith Adelaide Maurity Santos, foi uma das primeiras médicas do Brasil. O que isso representou para a sua trajetória?

Cresci acompanhada pela história dessa avó, formada em 1900, a primeira do Rio de Janeiro e a sexta do Brasil. Convivi com ela até meus 12 anos. É certo que isso teve grande influência em minha percepção da capacidade das mulheres e no desejo de seguir seus passos nessa família, cheia de médicos desde a metade do século 19.

Como você avalia atual mente a formação dos cirurgiões plásticos? A cirurgia estética ainda se sobrepõe à reconstrutora?

Não é que haja mais ênfase na cirurgia estética. Alguns serviços não apresentam um volume grande de cirurgia reparadora ou não possuem estrutura hospitalar e pessoal docente habilitado para procedimentos mais complexos. A cirurgia estética temmaior demanda e é de execução barata e pacientes não faltam. Por outro lado, é, sem sombra de dúvida, uma área que dá grande retorno financeiro, o que faz com que muitos se interessem prioritariamente por ela. É algo triste porque, para fazer uma boa cirurgia estética, é preciso aprender uma boa reparadora, que é a base de tudo. Ela é que nos dá lastro e emoção.

Levou um tempo até a sociedade aceitar a cirurgia estética?

Para ser difundida e aceita, a cirurgia estética precisava de divulgação, mas a propaganda em jornal era considerada um escândalo. Cito um fato engraçado. Houve um colega médico que estudou na Europa e voltou querendo fazer estética. Abriu um consultório na Avenida Rio Branco, aqui no Rio, e fez uma propaganda enorme em jornais. Na mesma via, havia um teatro em que o ator Procópio Ferreira fazia uma peça chamada “Um maluco da avenida”. O médico ganhou esse apelido, mas conseguiu seu objetivo. As mulheres se interessaram logo e as próprias pacientes faziam propaganda. Levou um tempo até a cirurgia estética ser amplamente aceita, com a inestimável contribuição do Prof. Pitanguy.

Você viu a cirurgia plástica se consolidar. O que mais mudou de lá para cá?

A evolução foi extraordinária. O conhecimento anatômico direcionado, a tecnologia, o instrumental, a aparelhagem, as substâncias, as próteses, a imunologia, tudo mudou ou foi aperfeiçoado. Os últimos 60 anos têm sido formidáveis! Houve ainda a percepção de sua enorme abrangência e de sua atuação em todas as áreas do corpo e da mente.

Você foi uma das grandes especialistas em reparadoras e, sobretudo, em cirurgias de malformações congênitas. Por que o interesse nessa área?

Antes dos métodos de imagem em obstetrícia, a gestação era um período de alegria e medo. O diagnóstico das malformações era feito no pós-parto e, muitas vezes, pegava as famílias de surpresa. O sorriso fissurado de uma criança sempre me comoveu por ser uma alegria inocente de quem ainda não sabia o que viria pela frente. A cirurgia de reconstrução de orelha também me parece mágica, com seus tecidos frágeis e raros, os cuidados e sustos e, em certos momentos, saber que não há um plano B, tem que dar certo. No hospital universitário da UFRJ, dispomos de um setor sobre as malformações, em especial as de face. Tenho a satisfação de compartilhar esse amor pela cirurgia reparadora, sobretudo as de malformações congênitas, com meu filho Diogo Franco, que continua os trabalhos no hospital universitário desde a minha aposentadoria.

Leia a entrevista completa na edição 229 da Plastiko’s

Edição 229 de Plastiko’s

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Para celebrar o conhecimento e o reencontro

Por MADSON DE MORAES
Colaboração DIEGO GARCIA

Um congresso histórico, marcante e que celebrará, além do conhecimento científico, a potência da vida e do reencontro. É com essa concepção que a Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Departamento de Eventos Científicos (DEC) e a Regional da SBCP, em Alagoas, trabalham incansável e minuciosamente na realização do 57º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica (CBCP). Trata-se do maior congresso da especialidade na América Latina e um dos principais do mundo.

O evento presencial chega pela primeira vez a Maceió (AL) e ocorrerá entre os dias 3 e 6 de novembro no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso. O congresso terá a participação de centenas de convidados nacionais e dezenas de palestrantes internacionais, que trarão os temas mais relevantes em técnicas e procedimentos da cirurgia plástica. Segundo o DEC, a expectativa é de receber, durante os quatro dias do evento, cerca de 2 mil congressistas de todo o Brasil e do exterior. Cirurgia mamária, BIA-ALCL e ASIA, cosmiatria, lipoaspiração, cirurgia íntima e gluteoplastia são alguns dos assuntos abordados em debates, casos clínicos e sessões do evento, além das dezenas de cursos coordenados pelos Capítulos da SBCP. Ao todo, estão previstas cerca de 30 mesas-redondas sobre diversos temas.

As dissecções anatômicas realizadas em cadáveres também farão parte da programa ção deste ano, com módulos sobre face, craniofacial, nariz e órbito-palpebral. O 57º CBCP terá também a 3ª edição da Copa dos Residentes dos Serviços Credenciados da SBCP, formato que foi sucesso de audiência nos últimos congressos. A Copa consiste em simular situações de cirurgia plástica em que são feitas perguntas ao vivo para os residentes da competição. Outro destaque é o simpósio “Sideg InMaceió”, que focará no jovem cirurgião plástico com tema sobres carreira, marketing e gestão, entre outros.

INOVAÇÕES TÉCNICAS E CIRÚRGICAS DOS ÚLTIMOS ANOS

Para melhorar a dinâmica dos debates e manter uma linha de discussão que esclareça as dúvidas dos congressistas naquela mesa-redonda, os objetivos didáticos já estarão definidos antes do debate. Outra mudança é em relação ao formato das mesas. “A maioria será composta por uma conferência internacional, seguida de complementação com cirurgiões plásticos brasileiros”, explica o diretor do DEC, Dr. Luís Henrique Ishida.

A ampla participação internacional é outro ponto forte do 57º CBCP. Excepcionalmente nesta edição do congresso brasileiro, todas as participações de estrangeiros serão online, contando com profissionais renomados e experientes de países como Estados Unidos, Itália, França, Turquia, Espanha, Colômbia, Holanda, Reino Unido e México. “O congresso será muito especial, pois agregará inovações técnicas e cirúrgicas dos últimos dois anos, além de juntar socialmente e promover o networking de colegas que há muito tempo não se encontram. Será um ambiente seguro e agradável em uma das mais lindas cidades do Brasil. Nos planejamos para receber confortavelmente cerca de 3 mil participantes”, ressalta Ishida.

O fato de Alagoas sediar pela primeira vez o evento é importante para toda a especialidade, de acordo com o presidente da Regional da SBCP em Alagoas, Dr. André de Mendonça Costa. “O Congresso era algo desejado há muito tempo por nossa Regional. Éramos uma das poucas cidades com Regionais que ainda não tinham sediado o congresso brasileiro. Sua realização em Alagoas, com toda magnitude, é muito importante não somente para nós cirurgiões plásticos, mas também para a especialidade de uma forma geral. Fora isso, trará grande visibilidade para o estado”, ressalta.

Para o presidente da SBCP, Dr. Dênis Calazans, o 57º CBCP será um encontro mágico. “Nossas Jornadas presenciais deram um gostinho do que será nosso congresso em novembro onde, além do conhecimento científico robusto, reencontraremos colegas de todo o Brasil em uma cidade incrível como Maceió com segurança e adotando os protocolos sanitários locais. Estamos certos de que será um evento inesquecível para todos da SBCP”, afirma.

Confira a matéria completa na edição 229 de Plastiko’s

PELE QUE SALVA VIDAS

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Principal desafio dos bancos atualmente são os baixos Estoques devido as poucas doações de pele. Uso da membrana amniótica é alternativa à pele de cadáver, mas esbarra na falta de regulamentação sobre seu uso no brasil

Por Caio Patriani 

Há 24 anos, o Brasil regulamentava o transplante de órgãos e tecidos humanos. Mas foi apenas em 2009 que o Ministério da Saúde começou a estabelecer normas específicas para o funcionamento dos Bancos de Pele. Hoje o Brasil possui quatro bancos de tecidos que atuam na captação, processamento, armazena mento e distribuição de pele de cadáver humano para transplantes. O material é utilizado principalmente no tratamento de queimaduras mais graves, mas pode ser utilizado em casos menos complexos ou outros tipos de feridas quando necessário e disponível.

O Banco de Peles da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre é o mais antigo do Brasil. Fundado em 2005, é dirigido pelo Dr. Eduardo Mainieri Chem. O segundo mais antigo é o Banco de Tecidos do Hospital das Clínicas (HC), na capital paulista, coordenado pelo cirurgião plástico André Paggiaro. Outros dois estados que possuem um Banco de Tecidos: Rio de Janeiro (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad) e Curitiba (Hospital Universitário Evangélico Mackenzie), que são coordenados, respectivamente, pelos Dr. Luís Calomeno e Dr. Victor Lima.

“Os quatro bancos de pele que atendem o Brasil hoje são regulamentados pelo Sistema Nacional de Transplante (SNT) e eles atuam sob demanda de ser viços habilitados para fazer transplante. Esses serviços solicitam o material e se verifica qual banco tem a disponibilidade para atender”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), Dr. José Adorno. Ele esclarece que, embora todos os bancos ativos se situem na Região Sul e Sudeste, todos possuem alcance nacional. A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, também deve ter um banco de pele no futuro próximo. Coordenado pelo Dr. Pedro Coltro, o banco de pele está vinculado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e já possui estrutura física preparada e aguarda credenciamento junto ao SNT. Além dele, caminha o processo para a abertura de um banco de peles em Salvador, Bahia, sob a tutela do Dr. Marcus Barroso. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada cidade com mais de 500 mil habitantes precisaria ter um banco de pele. Hoje os quatro bancos de pele juntos não suprem 1% da necessidade de pele do país.

DESAFIOS NA CAPTAÇÃO E COMBATE AO PRECONCEITO

Os diretores dos Bancos de Pele entrevistados acima ressaltam que o principal desafio dos bancos hoje é o baixo estoque devido às poucas doações de pele, especialmente em 2020, com o impacto da pandemia da Covid-19. No Banco de Pele da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, foram apenas 24 doadores de pele. No mesmo período de 2019, o número chegou a quase 50 doadores. Em 2019, o Banco de Tecidos do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie teve 10 doadores, enquanto que, em 2020, esse número caiu para cinco.

“Os estoques sempre foram pequenos, mas pioraram com a pandemia, e todos os transplantes de órgãos no Brasil diminuíram. Então, não conseguimos atender a demanda nacional por pele”, explica o Dr. Eduardo Chem. Ele ressalta que, a cada cinco ou seis doadores de múltiplos órgãos, em apenas um dos casos a família autoriza a doação também da pele. Há duas razões que explicam essa baixa aceitação de doação de peles: o preconceito e a falta de informação. “Os familiares de doadores costumam aceitar doar o coração, pulmão ou fígado, entre outros órgãos, mas, quando se fala da pele, existe resistência. A pele é retirada de locais que jamais ficariam visíveis no velório. Não tem mutilação ou deformação alguma do cadáver e precisamos desmistificar isso”, reforça o Dr. Pedro Coltro.

Todos os anos, campanhas de informação são realizadas para informar corretamente a população sobre a importância de doar pele, os impactos para o doador e os benefícios que são levados para as pessoas que recebem as doações. “Doar pele salva vidas. É um ato muito bonito que a família pode fazer. A doação não descaracteriza em nada o corpo do doador e pode salvar a vida de um ou dois pacientes com queimaduras graves”, esclarece o Dr. Victor Lima.

Outro problema que limita a captação de pele, especificamente em 2020 devido à pandemia da Covid-19, foi o desconhecimento sobre os potenciais efeitos da doença sobre o material doado e os recipientes das doações. “Tivemos um período de 2020 em que não sabíamos se o transplante poderia ou não transmitir a Covid-19 ou quais os cuidados diferenciados tínhamos que ter com o doador para garantir a segurança do processo”, recorda o Dr. André Paggiaro. “Uma das maneiras de aumentarmos a captação de pele alógena é aumentar a rede de captadores, formando captadores de outras especialidades para atuarem em outras regiões onde não há bancos de tecidos, mas ocorrem doações de múltiplos órgãos”, sugere o Dr. Luís Calomeno.

Leia a matéria completa na edição 226 de Plastiko’s

                Detalhes do Banco de Pele do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad, no Rio de Janeiro

                Imagens do Banco de Pele do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba (PR)

Dr. Eduardo Chem com equipe do Banco
de Pele da Santa Casa de Misericórdia
de Porto Alegre

Detalhe do Banco de Pele da
Santa Casa de Misericórdia de
Porto Alegr
e

Explante mamário e a ciência

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EXPLANTE MAMÁRIO E O BII: O QUE DIZ A CIÊNCIA?

Por MADSON DE MORAES
Colaboração DANIELE AMORIM

Nos últimos anos, diversos grupos e organizações de pacientes nas redes sociais têm se mobilizado para dar voz ao relato de inúmeras mulheres que têm autorreportado uma série de sintomas que surgem após a reconstrução ou aumento mamário com implantes de silicone. Esses sintomas incluem, por exemplo, fadiga, dores nas articulações e nos músculos, perda de cabelo ou mesmo alterações de peso, sintomas que estas mulheres referem surgir como resultado do uso de implantes mamários.

O termo utilizado entre o público leigo para se referir a esse conjunto de sintomas, sistêmicos e inespecíficos, é “Breast Implant Illness”, livremente traduzido como doença do silicone. Embora algumas mulheres relatem nas redes sociais e estudos reportem melhora ou resolução destes sintomas após o explante, a causa destes sintomas e o grau em que podem estar relacionados aos implantes ainda não estão claros para a ciência.

“Esse grupo de mulheres começou a levantar questionamentos para os quais ainda não temos respostas. O que temos é um grupo de pacientes que afirma ter sintomas inespecíficos e que, para melhorá-los ou evitá-los no futuro, buscam o explante mamário”, afirma a Regente do Capítulo de Biomateriais e Próteses da SBCP da Sociedade Brasileira e Cirurgia Plástica (SBCP), Dra. Anne Groth. Poucos dispositivos médicos foram tão estudados ao longo das últimas décadas como o implante de silicone e, até o presente momento, há evidência científica que ampara a utilização deles com segurança. “Ao mesmo tempo, os sintomas relatados pelas pacientes precisam ser considerados com a maior seriedade e respeito e estudos neste tema são muito importantes e já estão a caminho”, observa a médica.

Atualmente, a FDA afirma que o BII não é reconhecido como diagnóstico médico formal e não há testes específicos ou critérios reconhecidos para sua definição. Entidades que representam a cirurgia plástica no mundo, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS), adotam a mesma postura e enfatizam que, até o momento, não há evidências científicas definitivas que sustentem a ligação entre implantes mamários e a chamada doença do silicone. Em um documento divulgado em agosto de 2020, a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) chamou a atenção para o fato de que a comunicação nas redes sociais pode ser a responsável pelo rápido aumento nos relatos das pacientes e que há muitos fatores que podem afetar a interação entre uma paciente e seus implantes mamários.

“As pacientes se autodiagnosticam com doença do silicone e não levam em consideração que os sintomas podem ser multifatoriais ou ainda relacionados a outras doenças como as reumáticas ou autoimunes”, observa o Dr. Ricardo Miranda. A Síndrome ASIA, explica ele, é uma abreviação do inglês de “síndrome autoimune induzida por adjuvantes”, podendo o silicone das próteses mamárias atuar como adjuvante.

E, embora alguns sintomas da Síndrome ASIA sejam relatados no BII, é preciso notar que a Síndrome ASIA é uma doença reconhecida e apresenta critérios maiores e menores para seu diagnóstico. “A BII não é uma doença reconhecida pela classe médica e não apresenta critérios definidos para diagnóstico. É preciso acolher as pacientes que procuram o explante, mas sempre à luz da ciência. A relação da prótese de mama e ASIA ou doenças reumáticas ainda é inconclusivo”, diz.

Algumas perguntas importantes, observa o cirurgião plástico, seguem ainda sem resposta da ciência. A prótese de mama íntegra pode ser um adjuvante na Síndrome ASIA? Seria a BII uma doença de fato e qual sua etiologia? Como saber que o silicone das próteses de mama é o adjuvante e não outras substâncias que a paciente foi exposta? Outra questão importante é se toda paciente que solicita a retirada da prótese mamária deve ser submetida a um explante em bloco. “Precisamos entender melhor a relação da prótese de mama e sintomas sistêmicos, estudar a etiologia, encontrar um método diagnóstico, além de critérios clínicos, e estabelecer em quais pacientes o explante em bloco pode ser benéfico”, esclarece o Dr. Ricardo.

 

UMA REALIDADE NOS CONSULTÓRIOS

No Brasil ainda não existe um número oficial sobre o total de explantes, mas esse aumento já é uma realidade na rotina dos consultórios. O Dr. Gustavo Stocchero, de São Paulo, conta que houve um aumento de mais de 300% na procura pelo explante no seu consultório em 2020. Mas, pondera, o número só é alto quando comparado com a procura em relação a 2019. “Em 2019, eu devo ter feito uns dois explantes e, ano passado, foram cerca de 12. Tem muita paciente procurando e, sem dúvida, a mudança é expressiva”, observa.

Outro cirurgião plástico que viu essa procura aumentar foi o Dr. Wendell Uguetto, também de São Paulo. Ele relata que nunca fez tantos explantes mamários como em 2020. “Tivemos uma moda de mamas grandes há 10 anos. Mas agora é o contrário. Essa mudança fez com que muitas pacientes procurassem pelo procedimento”, avalia. O Dr. Ricardo Votto, de Santa Catarina, notou esse crescimento há mais ou menos um ano e afirma que está cada vez mais frequente.

“A maioria das pacientes que recebo colocaram implantes de silicone há 10 ou 15 anos e contam que, hoje, em outro momento da vida, as próteses não fazem mais sentido no cotidiano delas.” Em seu consultório, no Recife, o Dr. Thiago Morais notou esse aparecimento” de mulheres atrás do explante no último ano. “O explante é uma situação real no Brasil e no mundo e irá aumentar. O cirurgião plástico tem que olhar para esse cenário com um olhar humano e a mensagem é não negligenciar as queixas das pacientes, mas amparar e acompanhar”, pontua. Na rotina do Dr. Guilherme Graziosi, do Rio de Janeiro, também houve esse aumento. O perfil destas pacientes que chegam até ele é de mulheres com idade entre 20 a 40 anos. “Tive dois casos de explante. Uma delas veio com o diagnóstico de síndrome de ASIA, confirmado por um reumatologista. A outra paciente veio por conta própria por apresentar sintomas frustros e “linkando” estes sintomas ao uso do silicone.

Ambas relataram melhoras de alguns sintomas após os explantes, mas não temos como correlacionar o explante a estas melhoras.”

 

CIÊNCIA EM BUSCA DE RESPOSTAS

Pesquisadores, cirurgiões plásticos e as principais sociedades de cirurgia plástica e autoridades de saúde pelo mundo estão mobilizados para entender melhor a doença do silicone e Síndrome ASIA. Algumas revisões recentes investigando o BII e a segurança dos implantes mamários começam a lançar alguma luz sobre o tema.

Lá fora, um dos focos da força-tarefa com diferentes pesquisadores da Fundação de Educação e Pesquisa em Cirurgia Estética (ASERF), braço de pesquisa da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS), é entender a relação entre os sintomas e os implantes mamários. “Mais estudos são necessários para determinar o melhor método de triagem de pacientes antes da cirurgia de implante mamário e para determinar quais pacientes, se desenvolverem BII posteriormente, têm probabilidade de melhorar com a remoção do implante”, observou a ASPS em documento do ano passado.

Para melhorar, mas não substituir a discussão médico-paciente sobre os benefícios e riscos dos implantes mamários, que pertencem exclusivamente a pacientes individuais, a FDA emitiu, no ano passado, uma orientação final para a rotulagem de implantes mamários e deter minou que as caixas devem conter três informações aos pacientes: que os implantes não são vitalícios, que os implantes texturizados estão associados ao BIA-ALCL e que os pacientes  devem ser informados de que há relatos de pacientes com implantes que têm reportado uma série de sintomas sistêmicos. “O que falta é fazer esse link do implante mamário com todo esse conjunto de sintomas. Talvez existam algumas pacientes que, por alguma questão imunológica, estejam predispostas a desenvolver algum sintoma adverso”, afirma a Dra. Anne.

A cirurgiã plástica cita um estudo canadense, que avaliou 100 pacientes submetidas à explante, para mostrar que a questão do BII ainda segue uma pergunta em aberto para a ciência. Elas foram divididas em três grupos de acordo com a melhora dos sintomas. No grupo 1, houve melhora em 80% dos sintomas físicos, enquanto, no grupo 2, houve melhora dos sintomas por um período e retorno dos sintomas após 6-12 meses. Já no terceiro grupo não houve melhora dos sintomas físicos após o explante.

“Os dados apontam que algumas pacientes melhoram, outras não e outras melhoram transitoriamente. A grande questão que precisamos responder é se o implante de silicone está, de fato, causando sintomas nocivos e como podemos determinar quem são as pacientes mais suscetíveis a desenvolver estes sintomas sistêmicos”, avalia.

No Brasil, a SBCP, por meio do Capítulo de Implantes e Biomateriais, deu início este ano a um estudo lidera do pelo Dr. Denis Valente, de Porto Alegre, que unirá cirurgiões plásticos que fazem explantes para obter dados nacionais sobre o tema. O Dr. Ricardo Miranda, membro da entidade, publicou recentemente na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) um estudo no qual avaliou o explante em bloco de prótese mamária de silicone na qualidade de vida e evolução dos sintomas da síndrome ASIA. Foram analisadas15 pacientes com síndrome ASIA e submetidas à explante da prótese de mama e reconstrução com mastopexia. Durante o acompanhamento de 12 meses, elas foram avaliadas quanto à evolução dos sintomas. Os sintomas mais comuns, como mialgia, artralgia, fadiga crônica, pele e cabelos secos, tiveram melhora em mais de 80% das pacientes operadas ao final de 12 meses de acompanhamento.

O estudo concluiu que o explante de prótese de mama em pacientes com a Síndrome ASIA “parece estar associado” à melhora da qualidade de vida e diminuição dos sintomas relacionados à síndrome e que “são necessários outros estudos”, com uma amostra maior e análise estatística, para investigar a correlação causal entre explante de prótese de mama com a melhora da qualidade de vida e diminuição dos sintomas.

 

EDUCAÇÃO DA PACIENTE

Uma pesquisa conduzida pelo Dr. Ricardo Votto, entre setembro e outubro de 2020, trouxe à tona outros detalhes sobre o explante: cerca de 25% dos médicos tiveram pacientes que solicitaram o reimplante nas mamas após o explante, a despeito dos sintomas, por não aceitarem sua imagem sem eles. O dado foi extraído a partir de um questionário enviado por ele para aproximadamente 200 colegas de especialidades, como reumatologistas, cirurgiões plásticos e mastologistas, que responderam sobre suas realidades em consultório. Outro dado aponta que a maioria das mulheres que procuram pelo explante são motivadas pelas redes sociais e pelo medo de vir a ter a condição, e não tanto por apresentar os sintomas relacionados ao BII.

Os resultados finais serão submetidos para publicação na RBCP. Ainda que perguntas importantes estejam sem respostas, o papel do médico neste debate é educar a paciente tendo a ciência e as práticas éticas ao seu lado. “Se a paciente tem uma prótese submuscular ou se não tem nenhuma doença, mas tem uma vontade maior de tirar a cápsula, vou explicar para ela que, se eu tiver problema na cirurgia, não vou tirar. A paciente não pode exigir isso do médico e ele só deve fazer se existe uma doença”, opina a Dra. Ruth Graf, do Paraná. “Este é o momento em que podemos fazer a diferença como médicos, expondo o que existe de ciência até o momento sobre BII, que é muito pouco, e as orientando sobre as melhores opções para cada caso”, reforça a Dra. Anne.

O norte-americano Bradley Calobrace, cirurgião plástico que é uma das maiores autoridades no mundo em cirurgia de mama, disse por e-mail em resposta a esta pergunta: “Este não é um momento para operar com base em evidências anedóticas ou palpites. É importante seguir as orientações da medicina baseada em evidências mesmo quando as informações disponíveis são limitadas”.

Para o presidente da SBCP, Dr. Dênis Calazans, é preciso auxiliar as pacientes a compreender que os estudos têm sido realizados para estabelecer ou não a relação entre BII e implantes mamários e que estes dados não são obtidos na velocidade das redes sociais. É importante ouvir e acolher as queixas das pacientes e apresentar as opções seguras e éticas, baseadas em evidências científicas, para pacientes que desejam explantes por BII. Nós, cirurgiões plásticos, não podemos vender soluções mágicas e desprovidas de ciência”, diz.

Fonte: Revista Plastiko’s – Edição 226.

Entrevista com Dr. Bradley Calobrace

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“Precisamos de mais pesquisas para compreender o BII”

Por MADSON DE MORAES

Com quase 60 anos, o norte-americano Bradley Calobrace é hoje uma das principais autoridades mundiais em procedimentos cosméticos estéticos e não cirúrgicos. Natural do Estado de Indiana, nos Estados Unidos, o premiado cirurgião plástico costuma viajar pelo mundo para falar sobre o tema e já participou de vários estudos clínicos de mama conduzidos pela Food and Drug Administration (FDA), além de publicar extensivamente sobre o assunto da cirurgia estética da mama. Presidente do Comitê BIA-ALCL da The Aesthetic Society e editor-clínico do Aesthetic Surgery Journal, o Dr. Calobrace concedeu, por e-mail, uma entrevista exclusiva para a Plastiko’s, na qual respondeu algumas perguntas sobre a suposta relação dos implantes mamários com o Breast Implant Illness (BII), a doença do silicone.

 

As estatísticas mostram um aumento na busca por explantes. Na sua opinião, quais são os principais fatores que levam a esse aumento?

Cada vez mais nos últimos 3-5 anos, tem havido uma discussão crescente nas plataformas de mídia social em relação a duas questões principais: a associação de implantes mamários com uma constelação mal definida de sintomas, que é conhecida como doença dos implantes mamários; e a associação de implantes texturizados com BIA-ALCL. Houve uma audiência da FDA em março de 2019 e um recall voluntário mundial do implante texturizado Allergan Biocell no verão de 2019. Essas questões e o aumento da conversa nas plataformas de mídia social criaram um burburinho negativo para os implantes e os pacientes estão cada vez mais escolhendo opções estéticas de mama sem implante (mamoplastia, enxerto de gordura, autoaumento) e muitas pacientes com implantes estão solicitando a remoção, muitas vezes com procedimentos para melhorar a estética das mamas.

 

Qual a sua opinião sobre o BII e como orientar as pacientes que desejam explantes?

Pouco se sabe sobre a BII e a possível associação de uma ampla gama de sintomas com a presença de um implante mamário. Não se trata do implante preenchido por gel de silicone, pois há tantos pacientes com implantes de solução salina quanto pacientes com implantes de silicone solicitando a remoção do implante por causa desses sintomas sistêmicos. Precisamos de mais pesquisas para compreender o BII e as causas potenciais subjacentes.

Por causa das redes sociais, muitos pacientes acreditam que seus implantes estão criando os sintomas e, embora alguns possam estar realmente associados aos seus implantes mamários (o verdadeiro BII), muitos não melhorarão com a remoção do implante. O que é certo, pelo menos em meus pacientes, é a crença de que seus sintomas são causados por seus implantes e, portanto, o explante é a única opção.

No final das contas, sou o defensor de meus pacientes ao compartilhar, aberta e honestamente, o que se sabe sobre o BII e o potencial da cirurgia para melhorar ou não seus sintomas e, então, tomamos uma decisão conjunta para a melhor opção de tratamento.

 

Muitos pacientes hoje chegam ao consultório solicitando o explante e a capsulectomia em bloco. Como você orienta esses pacientes?

Além disso, explico que uma capsulectomia embloco é um procedimento indicado para casos de câncer, sendo apropriada para BIA-ALCL, mas não para BII. Não há absoluta mente nenhuma evidência de que a capsulectomia em bloco fornece qualquer benefício e, certamente, traz riscos significativa mente maiores. A ideia de uma excisão em massa da cápsula, retirando tudo de uma só vez, é impossível em muitos pacientes. As ressecções em bloco têm sido frequentemente promovidas por cirurgiões na internet como “cirurgiões especialistas em explante”, fazendo grandes ressecções em bloco e, infelizmente, levando a deformidades residuais profundas sem absolutamente nenhuma evidência de benefício sobre uma capsulectomia mais cautelosa. Infelizmente, os pacientes se tornam vítimas desse “hype” que, na maioria das vezes, só beneficia verdadeira mente o autodenominado “cirurgião especialista”.

 

Em geral, qual é o manejo da cápsula em pacientes que solicitam explante para sintomas do BII?

É incerto, neste momento, dizer o que é mais apropriado. Por meio de alguns estudos da BII em andamento, podemos descobrir que a remoção da cápsula não oferece nenhum benefício comparado com o simples explante. É por isso que precisamos de mais bons estudos. Neste momento, eu pessoalmente acredito que, após um aconselhamento apropriado, se a opção for pelo tratamento da BII cirurgicamente, é mais indicado realizar o explante e a capsulectomia. Se o implante estiver subglandular, mais frequentemente seria uma capsulectomia total com o implante (não em bloco e, possivelmente, de toda a cápsula, mas sem garantias). Se o implante estiver submuscular, geralmente é uma capsulectomia total ou quase total com eletro-destruição de qualquer cápsula remanescente na parede torácica considerada aderente e com risco de excisão completa. Todas as cápsulas e implantes dos pacientes são encaminhados para exames de patologia e são colhidas culturas aeróbias, anaeróbias e fúngicas. Alguns cirurgiões optam por uma avaliação bacteriana mais completa por meio de sequenciamento de DNA avançado.

 

Em que situações você acha que vale a pena preservar a cápsula?

Ao realizar uma cirurgia de mama, vale a pena preservar a cápsula sempre que possível. Ela fornece estrutura e suporte para futuros implantes e preserva a vascularização ao realizar uma mastopexia ao mesmo tempo. Então, se eu puder ficar com ela, especialmente com a troca do implante, eu fico. Assim, nunca faço capsulectomia de rotina, tem que haver indicação. Para mim, os mais importantes são contratura capsular significativa, cápsula calcificada ou massa presente na cápsula. Além disso, o BIA-ALCL seria uma indicação absoluta para uma capsulectomia em bloco. As decisões mais desafiadoras são para BII ou pacientes com implantes texturizados que desejam capsulectomias para redução de risco para futuro BIA-ALCL. No BII, ou eu faço apenas o explante com uma avaliação e remoção da cápsula (se houver qualquer patologia observada), ou eu realizo uma capsulectomia precisa conforme descrito.

 

Qual sua opinião sobre implantes texturizados colocados em um plano submuscular? Alguma orientação baseada na nova realidade dos explantes?

 

Para implantes texturiza dos, sou mais agressivo com a textura Biocell, pois tem uma associação muito maior com câncer; eu realizo uma capsulectomia total quando subglandular, e uma capsulectomia total ou quase total quando submuscular. Todas as cápsulas são enviadas à patologia para avaliação. Nunca é apropriado fazer uma ressecção em bloco em casos de implantes texturizados para reduzir o risco de BIA-ALCL, pois esse procedimento é muito arriscado e sem benefício comprovado.

Com certeza, mesmo uma capsulectomia total em casos de implantes texturizados não erradica o risco de um futuro BIA-ALCL. No entanto, provavelmente reduz significativamente o risco. Portanto, os cirurgiões devem fazer o possível para remover a cápsula, mas minimizar os riscos, pois as chances de um BIA-ALCL se desenvolver no futuro são extremamente pequenas e a abordagem de risco mais agressiva não tem evidência de qualquer benefício. Este não é um momento para operar com base em evidências anedóticas ou palpites. É importante seguir as orientações da medicina baseada em evidências mesmo quando as informações disponíveis são limitadas.

Muitos dos meus pacientes sentem-se confortáveis em explantar ou mudar para um implante liso e simplesmente avaliar a cápsula no momento da cirurgia e apenas removê-la se alguma anormalidade for identificada. Acredito que essa pode ser uma abordagem excelente para muitos pacientes.

 

O que pode ser feito na perspectiva de uma sociedade de cirurgia plástica?


Meu papel é o de maior defensor da minha paciente e a necessidade de fornecer a ela as informações mais precisas para ajudá-la a tomar a decisão final. Uma abordagem honesta e sincera, na qual o paciente entende que a única motivação de seu cirurgião é fornecer a ela as informações mais precisas e o melhor atendimento. É, de longe, o aspecto mais importante. Não quero criar medo desnecessário ou fazer promessas irrealistas, pois não serviriam ao meu paciente.

Também faço algo muito importante: digo aos pacientes que ainda não entendemos a BII e, portanto, não tenho ideia se seus sintomas vão melhorar. Talvez o mais importante a explicar é que o explante pode criar uma deformidade significativa, incorre em riscos elevados e tem um impacto financeiro considerável. Isso deve ser explicado com precisão e honestidade a cada paciente para ajudá-la a compreender o custo real com o benefício desconhecido. E, então, cada paciente pode tomar uma decisão verdadeiramente informada sobre a adequação de se submeter à cirurgia para BII.

 

Fonte: Revista Plastiko’s – Edição 226

Médicos ou reféns das redes sociais?

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Atuar no mercado privado da medicina, não é mais o seu “próximo passo na carreira”, simplesmente.

Por Daniel Coriolano

Embora muitos queiram passar esta sensação de glamour, a realidade não usa maquiagem nem filtros do Instagram. Ir para o âmbito privado é falta de oferta no setor público, em algumas situações, e ponto. Outro motivo que empurra colegas para o setor privado, é a existência de consultas ou procedimentos não contemplados na lista da Agência Nacional de Saúde (ANS) e, portanto, teoricamente, geradores de honorários mais significativos, como questões estéticas, por exemplos.

As ofertas por plantões fixos, atendimentos ambulatoriais ou quaisquer outros serviços médicos em organizações do setor público, não são mais tão disponíveis assim e nem tão pouco, proporcionam honorários vultosos like in the old days.

A depender da região, já há disputas intensas por escalas de plantões, serviços ambulatoriais já totalmente preenchidos e, limitações salariais que impulsionam colegas a tomarem outras condutas de carreira e, partir para o sistema suplementar de saúde é uma delas.

Estamos falando de 500.000 médicos com registros ativos, 2,38 profissionais por mil habitantes no Brasil, apesar das discrepâncias regionais, segundo o estudo Demografia Médica 2020, realizado pelo Conselho Federal de Medicina. Sem falar na influência dos Mercados Globais, revelada por profissionais de outros países prestes a iniciar suas atividades por aqui.

“O Mercado Global é resultado de uma economia de mercado que propõe a livre iniciativa e o livre comércio de bens ou serviços, além é claro da própria globalização, que produz a diminuição de fronteiras/barreiras entre os países.”

Além de estrangeiros que por motivos diversos querem morar no Brasil e exercer a medicina, são 15 mil médicos brasileiros formados no exterior que aguardam retorno do Revalida, segundo matéria veiculada pelo Correio Brasiliense em julho de 2020. Certo ou errado? Não é este o ponto do meu artigo. Destaco algo simples: esta é a lei, irmão. A lei do mercado. E ela não costuma falhar. Menos oferta de trabalho, menores honorários, mais dificuldade para angariar clientes/pacientes.

“A lei da oferta e da demanda foi criada na época da economia clássica por Adam Smith. É a relação entre a determinação do preço de um produto com sua oferta e demanda no mercado econômico. A oferta refere-se à quantidade de um determinado bem, serviço ou produto que está disponível para venda por parte de uma empresa.”

Diante da realidade e com o mercado médico mais acirrado, é justo e até esperado recorrer a ferramentas de exposição de mercado para aumentar o alcance da nossa mensagem, qualificar audiência para nosso contexto de especialidade e aumentar as chances de conversão de seguidores para pacientes para o consultório. Este é o descritivo de um método utilizado em marketing e vendas chamado “funil de vendas” ou para nosso contexto de saúde, “funil de relacionamento”. Com essa nomenclatura, nos afastamos da possibilidade de entender a medicina como comercio, ainda que apenas em termos linguísticos.

Até aqui tudo bem.

É plausível utilizar a publicidade para expor a competência médica no mercado de trabalho. Dentro dos ditames éticos e em consonância com as resoluções do CFM, é possível utilizar o marketing na medicina.

Diante da realidade de mercado e tomado pela necessidade de atuar no setor privado, algo novo, nunca falado em livros de semiologia na graduação e nem tão pouco comentado durante nossa residência médica, acontece: o início da importante relação, MÉDICO-SEGUIDOR, muito antes da relação médico-paciente, tradicionalmente comentada pelo grande Porto. Este novo relacionamento é relevante quando se olha sobre as relações pessoais hoje em dia, as tecnologias digitais de informação e comunicação e a medicina não está fora disso.

Iniciar um perfil nas redes sociais digitais, sobretudo no Instagram ou TikTok, parece ser imprescindível. Estratégias de outbound, ativações de canais de fluxo de pacientes por meio networking com colegas e outros profissionais de saúde e zelo na assistência dos pacientes atuais para que eles também possam gerar influência na atração de novos públicos, por meio de sua rede de contatos, não são comportamentos tão lembrados assim pelos noviços no âmbito privado.

O inbound, atração e conquista de paciente a partir do público que já conhece o profissional, é o que desponta nas mentes dos colegas e é por isso que vemos hoje uma explosão de arrobas (@) produzindo conteúdos de saúde para alcançar melhor posicionamento de mercado e conquistar pacientes.

Neste funil de relacionamento médico com seguidores, um dano pode acontecer. Ao invés de entender a rede social como espaço para construção de um branding forte com exposição de seus valores rígidos e respeito aos conselhos éticos, muitos cedem e cometem tropeços nas redes sociais virtuais ao implementar ações exageradas de topo de funil, cujo objetivo é alcance de público.

Para atrair a atenção das pessoas e ganhar seguidores, algumas táticas são recorrentes; utilizar humor, pets, compartilhamentos de hobbies e outras atividades de cunho pessoal, são recorrentes. Elas não são proibidas, mas reúnem fatores de risco para ocorrência de deslizes, haja vista que, nas redes sociais, tudo é conteúdo publicitário. A foto simples no horário do almoço, nos stories, o seu receituário e carimbo sobre a mesa, o bumerangue do final de semana na praia e os Reels destacando as marcas que a máscara N95 deixou sobre sua região maxilar, após horas de plantão na linha de frente contra a COVID-19. Tudo informa, tudo comunica.

Ao perceber os resultados com conteúdos de topo de funil, altamente replicáveis e virais, bate o desejo de repetir atitudes, e assim acontece. Se dançar diante das três câmeras do iPhone gera 30 novos seguidores e dois novos pacientes, então por que não fazer outra dança? Se postar peças cirúrgicas gera tanta comoção, por que não, além de postar a peça, eu não danço com ela nas mãos? Ahhh isto é uma soma explosiva! É genial! Vou ganhar muitos seguidores e pacientes!

O golpe mental tá aí, cai quem quer. Com o chapéu de “produtor de conteúdos digitais” sobre a cabeça, temos a chance de passar a morar em uma bolha que normaliza atitudes. Com o passar do tempo os absurdos que passam no seu feed, passam a ser classificados de apenas conteúdos inofensivos, cotidianos, como quaisquer outros posts sem relevância. Então em um certo dia… BOOMMMM! Você se vê refém da produção de conteúdos que tem por objetivo, apenas chamar atenção, compromete relacionamento conjugal, com filho e familiares, além de abalar sua carreira médica.

Há uma linha tênue que separa médicos que contribuem para a sociedade através de conteúdos relacionados a educação em saúde por meio digitais, e que conseguem atrair dignamente pacientes, daqueles que estão na busca desenfreada por aprovação social, likes e pacientes a todo custo.

Afinal, somos médicos ou reféns das redes?

Fonte : Medium – Daniel Coriolano – https://danielcoriolano.medium.com/médicos-ou-ref-das-redes-sociais-73ca1feb5362

Autoimagem: a insatisfação com o próprio corpo e a busca por procedimentos estéticos

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Quando se tem expectativas condizentes com a realidade e com consciência dos riscos, procedimentos estéticos, cirúrgicos ou não, podem ser benéficos para a qualidade de vida e para a autoestima. Quando há idealizações, porém, realizá-los pode ser uma decisão perigosa

Por Gabriela Custódio

O Brasil foi o país onde mais se fez cirurgias plásticas estéticas em 2019, segundo dados mais recentes da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, em inglês). Divulgada em 9 de dezembro de 2020, a pesquisa global da entidade aponta que, naquele ano, foram quase 1,5 milhão de procedimentos cirúrgicos no País. É o equivalente a 13,1% do total realizado em todo o mundo.

Lipoaspiração (15,5%), aumento de mama (14,1%) e abdominoplastia (10,4%) foram as cirurgias mais realizadas, seguidas por cirurgia de pálpebra (9,7%) e aumento de nádegas (7,7%). Quando a decisão por realizar esses ou outros procedimentos é tomada de forma responsável, com as expectativas condizentes com a realidade e com consciência dos riscos inerentes a toda intervenção, o resultado pode trazer benefícios para a qualidade de vida e para a autoestima dos pacientes.

Por outro lado, se houver idealizações ou se a pessoa está passando por problemas relacionados à saúde mental, realizar um procedimento estético, seja ele cirúrgico ou não cirúrgico, não deve ser a saída. “Há de se ter muito cuidado com os exageros, com a busca desenfreada por cirurgias e procedimentos estéticos”, arma a dermatologista Sílvia Helena Rodrigues (CRM 6742/RQE 2710), atual presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Regional Ceará.

Antes da realização de uma cirurgia plástica estética, é importante que o profissional busque identificar a capacidade do paciente de lidar com frustrações. Se o procedimento for “uma fuga”, o médico Salustiano Pessoa, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e professor de cirurgia plástica da Universidade Federal do Ceará (UFC) arma que essa pessoa não deve passar pela operação.

Dessa forma, trabalhar com uma equipe multidisciplinar é importante tanto para o diagnóstico de transtorno dismórfico corporal, por exemplo, como para o momento da cirurgia. “Um psicólogo bem treinado com certeza tem muito mais condições de fazer esse diagnóstico do que eu. E ter uma boa enfermeira, um bom instrumentador que cuide bem dos ferros durante o manuseio é super importante. Um anestesiologista é fundamental”, arma.

A dermatologista Sílvia Helena Rodrigues acrescenta a necessidade de se fazer uma “avaliação crítica, individual” da anatomia, do formato do rosto e do corpo de cada paciente, além de ter senso estético “para que os resultados não corram o risco de ser inadequados”. Quando um procedimento vira moda na internet entre blogueiras e influencers, por exemplo, muitas pessoas buscam profissionais para realizá-lo.

“Um exemplo recente foi a procura pelo chamado fox eyes, no consultório. É aquela cauda de sobrancelha mais elevada, lembrando o olhar de raposa.

Muitas mulheres (estavam) querendo, mas não é em todas que caria bem. O formato de rosto é determinante para o bom resultado. Enfim, nem tudo fica bem em todo mundo”, arma a dermatologista.

O “grande problema” das redes sociais, para Salustiano Pessoa, é a banalização dos procedimentos e dos riscos que eles oferecem. “O cara acha que fazer uma lipoescultura, uma lipo HD, é como tomar uma cocacola na esquina. E não é”, afirma.

Questões éticas envolvendo procedimentos estéticos

Médicos não podem realizar parcerias, permutas ou sorteios nem utilizar fotos de “antes e depois” para vender resultados “surpreendentes”. Após a notícia do óbito da influenciadora digital Liliane Amorim, aos 26 anos, por complicações após uma lipoaspiração, a também influenciadora Thaynara OG publicou um vídeo nas redes sociais contando a própria experiência com complicações de uma cirurgia plástica estética. Em março de 2020, a maranhense realizou uma lipoaspiração de alta definição. Também chamada lipo LAD ou lipo HD, o procedimento, além de remover o excesso de gordura, modela e destaca os músculos.

“Acho que de tanto ver no Instagram, eu decidi por fazer aquela técnica famosa (a lipo LAD) que várias influenciadoras e blogueiras estavam fazendo”, arma. Ela conta que inicialmente recebeu a proposta de que o procedimento fosse realizado na forma de permuta — tipo de negociação em que influenciadores recebem produtos ou serviços em troca de publicações.

A prática sugerida fere o Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), assim como toda e qualquer forma de parceria ou sorteio. A publicação de fotos de “antes e depois”, tão presentes em redes sociais, também é vedada aos médicos. As normas visam “proteger a integridade dos pacientes e a boa prática médica”, explica Leandro da Silva Pereira, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Pereira explica que o uso dessas imagens é “extremamente perigoso” na criação de falsas expectativas, uma vez que, além da manipulação das fotos, luz ambiente e posicionamento interferem na imagem. “Ademais, alguns profissionais mostram foto ainda no centro cirúrgico alegando resultados surpreendentes. Há que se considerar que um processo cicatricial demora no mínimo seis meses, ou seja, muita coisa vai mudar ao longo do pós-operatório”, complementa.

Em 2020, para conscientizar a população sobre o tema, a SBCP criou a campanha digital “Não existe milagre: existe ciência, responsabilidade e especialização”. As peças publicitárias mostram, por exemplo, o passo a passo de retoques digitais nas imagens e como a postura ou o ângulo alteram o resultado final. “Resultados reais não estão relacionados única e exclusivamente à cirurgia. Eles dependem, também, da adoção de hábitos saudáveis, acompanhamento multiprofissional e cuidados pós-operatórios”, diz uma das postagens da campanha.

Fonte: O Povo
Leia a matéria na íntegra

Aumentou o número de cirurgias plásticas em adolescentes. Será mesmo?

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Cirurgia plástica é um assunto que gera muito interesse nas pessoas, por isso, o tema está sempre em voga na imprensa.

Diego Garcia | SBCP

Mas, no meio de tanta informação divulgada, é preciso ficar atento, pois nem tudo o que é publicado é verdade. Recentemente, dezenas de publicações divulgaram o aumento no número de cirurgias plásticas em adolescentes, citando inclusive, um aumento de 141% em dez anos e creditando esse dado a SBCP. Mas essa informação não é verdadeira.

Não tem como saber como essa informação surgiu, assim como muitos boatos na internet. Alguém publica uma notícia e outros veículos, sem checar a sua veracidade, replicam e assim se difunde uma fake news. Todas as pesquisas referentes a cirurgia plástica no Brasil, realizadas pela SBCP estão disponíveis e acessíveis a toda a população no site www2.cirurgiaplastica.org.br/pesquisas. No período de 2009 e 2020, a SBCP produziu quatro pesquisas, referentes aos anos de 2007/2008, 2014, 2016 e 2018.

O que dizem as pesquisas da SBCP

No primeiro Censo, referente ao período de agosto de 2007 a agosto de 2008, o percentual de cirurgias plásticas realizadas em adolescentes de 12 a 18 anos foi de 8% e a maior parte dos pacientes que realizaram procedimentos estéticos foi entre 19 e 50 anos, totalizando 72%. Nos casos de procedimentos reparadores, não temos a estratificação por idade, o número de procedimentos realizados, entretanto, foi bem menor: 73% procedimentos estéticos e 27% procedimentos reparadores.

Em 2014, o total de cirurgias plásticas realizadas em adolescentes (sem separação entre estética e reparadora) foi de 3% em crianças de até 12 anos e 5,7% em adolescentes de 13 a 18 anos, totalizando 8,7%, ou seja, um ligeiro aumento de 0,7%.

Dois anos depois, em 2016, houve uma queda em relação ao Censo anterior: 1,8% de cirurgias em crianças de até 12 anos e 4,8% em adolescentes de 13 a 18 anos, ou seja, um total de 6,6% e uma queda de 2,1%.

Por fim, no Censo 2018, os números se mantiveram iguais ao censo anterior:  1,8% até 12 anos e 4,8% de 13 a 18 anos e 6,6% no total. Em 2016, houve aumento no número de procedimentos realizados na faixa etária de 19 a 50 anos, já em 2018, o aumento foi entre pacientes de 65 anos ou mais.

Tem alguma dúvida sobre alguma notícia que você viu na mídia sobre cirurgia plástica? Envie para nós pelo e-mail imprensa@cirurgiaplastica.org.br.

Telemedicina e Cirurgia Plástica

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A adoção repentina da Telemedicina traz desafios de longo prazo. Especialistas debatem a legislação atual e oferecem dicas para os cirurgiões plásticos

Por Ed Salles

Uma das transformações causadas pela pandemia de Covid-19 foi colocar a telemedicina em outro patamar. De um recurso utilizado de maneira extraoficial pelos médicos, seu uso virou uma necessidade quase que da noite para o dia. O estudo “Telemedicina e cirurgia plástica durante a pandemia: como o cirurgião plástico brasileiro utilizou teleconsultas e teleaulas”, cujo autor principal é o Dr. Rodolfo Costa Lobato com apoio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Regional São Paulo, trouxe dados importantes sobre o tema. Os coautores do estudo são os cirurgiões plásticos Dr. Pedro Coltro, Dr. André de saúde. “Ainda que em caráter Cervantes, Dr. Rafael Denadai eDra. Maíra Scapolan.

Realizada entre 15 de junho a 8 de julho com a participação de mais de 900 associados da SBCP, a pesquisa mostrou que 43% dos cirurgiões plásticos brasileiros participantes iniciaram o uso da telemedicina, que a dificuldade para exame físico foi o maior limitante da consulta e que também foi a principal causa para aqueles que optaram por não realizar atendimentos via telemedicina. Quanto ao ensino online, mais de 90% dos cirurgiões plásticos têm assistido aulas à distância e pelo menos 70% pretende manter essa rotina.

Na opinião dos participantes, as principais ações regulamentadoras do Conselho Federal de Medicina (CFM) devem ser direcionadas para privacidade e segurança do paciente, regulamentação das consultas digitais, responsabilidade legal sobre as condutas e regulamentação do sistema de cobranças.

No Brasil, o uso da telemedicina é regulamentado desde 2002 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) na Resolução nº 1.643. Em razão da pandemia, uma nova legislação ampliou esse uso. Em 19 de março, o CFM encaminhou ofício ao Ministério da Saúde no qual reconhecia a possibilidade e a eticidade da utilização da telemedicina, enquanto durar a pandemia, para fins de teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta. Um dia depois, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 467/2020, regulamentando o exercício da telemedicina, em caráter excepcional e temporário, contemplando o atendimento pré-clínico, suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico.

NOVA LEGISLAÇÃO

E, em abril, o presidente da República sancionou a Lei nº 13.989/20 que autorizou, em caráter emergencial, o uso da telemedicina enquanto durar a crise causada pela Covid-19. A lei define a telemedicina como o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde. “Ainda que em caráter excepcional, com a nova Lei podemos hoje utilizar a teleconsulta, que era um grande problema em todas as Resoluções do CFM. Mas há questões éticas necessárias para se cumprir de acordo com o ofício do CFM”, afirma o diretor do Departamento de Defesa Profissional (DEPRO) da SBCP, Dr. Alexandre Kataoka.

Uma delas, explica o diretor, é o médico informar ao paciente que a teleconsulta não substitui a consulta presencial. De acordo com o artigo 4º da Lei. nº 13.989, o médico deve informar ao paciente todas as limitações inerentes ao uso da telemedicina.

“Principalmente para nós, cirurgiões plásticos e outras áreas fins, a teleconsulta tem que ser complementada pelo exame físico. Não existe consulta médica sem o exame físico. Temos que falar que a teleconsulta, nesse primeiro momento, é uma orientação a esse paciente”, ressalta Kataoka

INVESTIR EM UMA PLATAFORMA?

Além disso, investir em uma plataforma de consultas online hoje pode ser uma barreira aos cirurgiões plásticos que estão descapitalizados em razão dos impactos econômicos da pandemia. “Mas temos que ter o máximo de segurança possível. Quer fazer a teleconsulta pelo WhatsApp? Legal, mas tenha um prontuário médico ao lado ou, para o médico que já possui prontuário eletrônico, é só preencher. Ele irá fazer a mesma coisa que faz no consultório, mas usando uma plataforma de teleatendimento. Fora o Zoom, pelos problemas de dados que a plataforma teve recentemente, não vejo problemas de o médico usar o Telegram ou o WhatsApp, por exemplo. Além disso, as pessoas perguntam se precisam gravar as consultas. Não é obrigatório, mas vejo como uma segurança a mais para o médico”, opina Kataoka.

Leia a matéria na íntegra na edição 224 de Plastiko’s – http://www.rspress.com.br/userfiles/projetos/plastikos/224/40/

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