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Cirurgia Plástica Brasileira tem papel fundamental em tratamentos de queimaduras

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Em todos os acidentes no Brasil onde houve um elevado número de vítimas de queimaduras graves, a Cirurgia Plástica Brasileira atuou com humanismo, vanguarda e excelência tecnológica

Após a explosão de um caminhão que transportava gás na última quinta-feira, 23, e que até o momento deixou 14 mortos e mais de 50 feridos, sendo 35 com queimaduras graves, no distrito de Villa El Salvador, no sul de Lima, os quatro bancos de tecidos do Brasil já começaram o envio de todo seu estoque de peles para o tratamento das vítimas, que incluem adultos e crianças. O total estimado é de 20.000cm² de tecidos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dr. Denis Calazans, “a excelência da nossa Cirurgia Plástica é orgulho para Medicina nacional, não só por seu reconhecimento científico mundial (graças a competência dos membros da SBCP), mas também por suas ações humanitárias (SBCP/Fundação IDEAH). Ações rápidas como esta do Banco de Pele da Santa Casa de Porto Alegre – Serviço de Cirurgia Plástica Credenciado SBCP), mostram a essência da Cirurgia Plástica brasileira”.

Grande parte do material enviado saiu do Banco de Peles da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS), dirigido pelo cirurgião plástico Dr. Eduardo Chem, que colocou à disposição todo o estoque de peles para ajudar no tratamento das vítimas peruanas. Este é o maior do País. Os outros três Estados que possuem um Banco de Tecidos, São Paulo (Hospital das Clínicas), Rio de Janeiro (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad) e Curitiba (Hospital Universitário Evangélico Mackenzie), que também estão enviando doações.

Material separado para doação no Banco de Peles da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (à esquerda) e o material seguindo para o Aeroporto para embarcar para o Peru (à direita).

FORÇA TAREFA EM PROL DA VIDA

A mobilização dos médicos brasileiros reforça o enorme papel científico e social da cirurgia plástica, bem como a importância de se contar com profissionais especialistas em suas áreas. E assim tem sido desde os primórdios da especialidade, em que fatos históricos marcaram a cirurgia plástica no Brasil e possibilitou não só a sua expansão e qualidade, como também transformar o Brasil em um dos centros mundiais da cirurgia plástica.

Em 1961, uma equipe de incontáveis cirurgiões plásticos de várias partes do Brasil e do Mundo, incluindo o então professor de Cirurgia Plástica da Santa Casa do Rio de Janeiro, Ivo Pitanguy, atenderam as vítimas da tragédia conhecida como “o espetáculo mais triste da Terra”, o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, na cidade de Niterói (RJ) e que deixou 503 mortos e milhares de feridos, sendo 70% crianças. Um fato memorável e que houve uma condução excepcional e que colocou a cirurgia plástica nos olhos dos grandes centros da especialidade até então.

O espetáculo mais triste da Terra: o que sobrou do Gran Circo após o incêndio / Crédito: Jorge Peter/Revista Flagrante

Hoje, 27 de janeiro, completa sete anos de outra tragédia comoveu o Brasil e mobilizou novamente a cirurgia plástica: o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que deixou 242 mortos e 680 feridos. Um grande mutirão foi realizado para conseguir atender todas as vítimas. Assim foi também na tragédia de Janaúba, em Minas Gerais, em 2017: um incêndio criminoso em uma creche, deixou 14 mortos e mais de 40 feridos.

Com a mobilização de diversos profissionais especialistas de todo o mundo, a SBCP manifesta o seu total apoio e auxílio para as vítimas, que contarão com a excelência tecnológica brasileira e tratamentos de vanguarda em casos de queimaduras graves.

Incêndio da Boate Kiss, em 2013, que matou 242 e deixou outras 636 pessoas feridas – Foto: Agência RBS/AP (esquerda). O que sobrou da Creche em Janaúba – Foto Reprodução/TV Globo (direita).

Firmes para sempre

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A cirurgia da primeira-dama Michelle Bolsonaro nas mamas fez crescer o interesse pela intervenção e ampliou uma questão: qual a duração do material?

Por Giulia Vidale

A confirmação de que a primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 37 anos, trocara a prótese de silicone nas mamas nos primeiros dias de janeiro, no Hospital DF Star, em Brasília, deflagrou um movimento atípico nos consultórios médicos do país. Mulheres que já se submeteram ao procedimento ou planejam fazê-lo buscaram avidamente informações sobre a qualidade dos modelos e os prazos de validade — Michelle realizou a primeira colocação há mais de dez anos.

O aumento das mamas é o procedimento estético mais comum no Brasil. Apenas em 2018 foram feitas no país 275?000 cirurgias de implante de próteses, de acordo com o mais recente levantamento da Sociedade Inter­nacional de Cirurgia Plástica Estética — mais que o dobro em relação a uma década atrás. Os novos números põem as brasileiras em segundo lugar no ranking mundial, perdendo apenas para as americanas, com 321?000 operações realizadas no mesmo período.

“Em alguns casos, contudo, essa reação acontece de forma exagerada, e dá-se a contratura, que provoca dor, endurecimento e deformidade nas mamas”

Denis Calazans
Presidente Nacional da SBCP

O principal motivo para a multiplicação dessas cirurgias foi a extraordinária evolução das próteses de silicone. Os novos modelos, informam os fabricantes, não têm data de validade. Até pouco tempo atrás, o prazo de resistência era, em média, de dez anos. No entanto, as próteses raramente duram para sempre. Cada organismo reage de modo diferente. Quando a prótese é colocada, o metabolismo desenvolve uma espécie de cápsula de cicatriz para isolar o que é considerado corpo estranho. Trata-se de uma reação normal. “Em alguns casos, contudo, essa reação acontece de forma exagerada, e dá-se a contratura, que provoca dor, endurecimento e deformidade nas mamas”, diz Dênis Calazans, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Foi essa a causa da troca das próteses de Michelle. Nos modelos mais antigos, desenvolvidos até a década de 90, o problema acometia 10% das mulheres com silicone. Hoje atinge apenas 4% (veja o quadro). Havia neles também maior probabilidade de ruptura, em metade dos casos — agora o fracasso é de apenas 1%.

“A maioria das substituições realizadas atualmente ocorre por desejo da paciente e por razões estéticas, e não por prazo vencido”, diz o cirurgião plástico Eduardo Kanashiro, da Clínica Due, em São Paulo. Mesmo com todo o aperfeiçoamento, contudo, e apesar das promessas, há sempre o fim da linha. O cirurgião plástico Cecin Daoud, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, faz uma indagação necessária: “É simples. Qual item você compra e pode usar ‘para sempre’? Praticamente nenhum”.

DOR Michelle: o desconforto acomete, hoje, apenas 4% das mulheres operadas – Crédito das fotos: Marcos Corrêa/PR

Endurecimento, alteração no tamanho e desconforto nas mamas são sinais de alerta. Michelle teve dor. Mas algumas vezes não há sintomas. Os médicos recomendam check-ups anuais depois de uma década, com exames de ultrassom e mamografia. A cirurgia de troca demora noventa minutos e é muito semelhante à da disposição inicial das próteses. Pode-se, inclusive, trabalhar com a cicatriz original, sem cortes adicionais.

A cirurgia pioneira para o aumento dos seios com prótese de silicone ocorreu nos Estados Unidos em 1962. A americana Timmie Jean Lindsey, mãe de seis filhos, submeteu-se ao procedimento em um hospital do Texas. A intervenção foi recebida com grande entusiasmo naqueles tempos de exaltação da silhueta curvilínea, com seios fartos, pouco depois de a atriz Marilyn Monroe aparecer nua nas páginas da revista Playboy. Foi um estrondo comportamental. Anteriormente, várias tentativas — fracassadas — de aumentar os seios já haviam sido feitas. Elas incluíram desde injeção de parafina e silicone diretamente nos seios até implantes de esponja, bombas de vácuo e dispositivos de sucção. A quantidade de formatos e tamanhos de prótese aumentou exponencialmente. No início, havia apenas quatro opções de tamanho: PP, P, M e G. Agora, existem mais de 450 medidas. As preferências também mudaram muito ao longo de seis décadas. Se nos anos 1990 ainda havia a valorização dos seios fartos, herança de Marilyn, e o ideal estético era a atriz Pamela Anderson, a partir de 2015 se deu a revalorização dos seios pequenos, mais naturais. Grandes ou pequenos, o importante é garantir a saúde e a satisfação de quem recorre à cirurgia.

Fonte: Revista Veja – 15 de janeiro de 2020

Marcos na evolução da cirurgia plástica no Brasil

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Cirurgiões plásticos falam sobre a participação da SBCP na construção da credibilidade do país no cenário internacional

Por Leila Vieira

No início do século 19, o estudo da cirurgia plástica brasileira nasceu de duas grandes escolas: a anatômica e a cirúrgica. A primeira foi fundada no Brasil em 1808. Esses núcleos foram fundamentais para disseminar pesquisas científicas, técnicas e práticas clínicas entre os médicos. A partir da criação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 1948, houve um estímulo para a ampliação da área. A sistematização de critérios de conhecimentos específicos deu início ao desenvolvimento da cirurgia plástica nacional.

A essência da cirurgia plástica desponta da reparação de traumas ou reconstrução de defeitos congênitos. O coordenador da Comissão de Museu e História e membro titular da SBCP, Dr. Fernando Gomes de Andrade, avalia que esse cenário promoveu, inclusive, o aperfeiçoamento dos métodos de algumas especialidades médicas. “A base da cirurgia plástica é a cirurgia do trauma, cirurgia geral e, posteriormente, a cirurgia oncológica. Todas essas especialidades criam condições para que a cirurgia plástica tenha tal dinamicidade. Ela não é uma especialidade fragmentária. A cirurgia estética é uma convergência desse processo.”

Nos últimos anos, a SBCP Nacional tem incentivado o debate sobre a importância da cirurgia de reparação. Os esforços podem ser identificados, principalmente, nos processos de formação dos novos cirurgiões plásticos. Atualmente, cada vez mais profissionais qualificados em reconstrução podem ser encontrados nos hospitais.

O movimento fortalece a especialidade. Essa valorização do cirurgião reparador reflete no mercado de trabalho e entre a sociedade, que consegue atendimento eficiente e competente em uma demanda antes reprimida. O Brasil é hoje uma potência mundial em cirurgia plástica pelo alto nível das técnicas realizadas. Antes de chegar ao status atual, inúmeros cirurgiões brasileiros desenvolveram estratégias para fomentar esses procedimentos cirúrgicos — nomes como Rebelo Neto e Antônio Prudente foram pioneiros nos estudos da cirurgia plástica brasileira. Também se destacam Victor Spina, Ricardo Baroudi e Ivo Pitanguy, considerados os consolidadores do País como eferência internacional em cirurgias plásticas.

Cirurgião plástico, historiador, grande contribuidor da área literária e um dos idealizadores do Museu da Cirurgia Plástica ao lado do Dr. Fernando Andrade e outros dois médicos, Dr. Moisés Wolfenson identifica que a excelência dos procedimentos cirúrgicos realizados pelos cirurgiões brasileiros é um dos fatores que levaram o País a ocupar essa posição. “O nível de exigência é alto. Eu diria que, mesmo sendo uma cirurgia reparadora, ela é executada com refinamentos estéticos. A SBCP tem quase uma centena de serviços credenciados pelo MEC na formação dos nossos cirurgiões plásticos em todo o Brasil, tendo a cirurgia reparadora como prioridade.”

Outra preocupação é sobre as futuras gerações. O País continua formando cirurgiões bem preparados para lidar com as principais intercorrências cirúrgicas, e o compromisso é garantir a qualidade dos profissionais brasileiros. “O grande desafio é criar condições para que os cirurgiões plásticos formados pelos diversos serviços do Brasil inteiro tenham qualidade uníssona ou igual”, ressalta o Dr. Fernando Gomes de Andrade.

Outra linha foca a atuação social da entidade. A prestação de serviços para a população vem intensificando a troca de experiências entre os cirurgiões nos âmbitos nacional e internacional. Com esse trabalho, os médicos têm a oportunidade de conviver com outras realidades e acrescentar sapiência ao seu repertório de atendimento. “A SBCP sempre esteve à frente de seu tempo, seja como referência social, indicando os nomes capacitados na especialidade, seja realizando mutirões de cirurgias plásticas em quase todo o Brasil. Em vários países, como Colômbia e Vietnã, cirurgiões brasileiros realizam missões humanitárias”, afirma Dr. Wolfenson.

Com toda a evolução e crescimento da cirurgia plástica, a sociedade brasileira apresenta um papel de destaque quando se trata da defesa da especialidade médica. O tema reforça a importância da preservação da segurança cirúrgica e da proteção à vida. Um dos principais passos para conseguir alcançar resultados positivos nessa área é reconhecer a complexidade das atividades que envolvem procedimentos cirúrgicos, para evitar que profissionais não capacitados exerçam uma função médica. A SBCP congrega mais de seis mil cirurgiões plásticos em todos os estados do País, mantendo um trabalho contínuo de atualização intelectual e tecnológica desses cirurgiões. Dessa forma, em parceria com as Regionais, promove congressos, simpósios, jornadas e reuniões científicas para elevar o conhecimento entre os associados e definir propósitos que priorizem e beneficiem saúde e bem-estar aos pacientes.

Fonte: Plastiko’s – edição 221

Dr. Moisés Wolfenson

Dr. Fernando Gomes de Andrade

Cirurgia plástica responsável

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O Brasil está em 2º lugar no ranking mundial de cirurgias plásticas, atrás dos Estados Unidos.

Por Pedro Nery Bersan
Cirurgião plástico do Hospital Madre Teresa e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

O último estudo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (Isaps) revelou que os brasileiros passaram por cerca de 2,5 milhões de procedimentos em 2017, representando 10,4% das cirurgias estéticas mundiais. Os profissionais brasileiros são muito respeitados pelos números, mas, principalmente, pelo foco em qualidade, segurança e inovação em intervenções cirúrgicas, envolvendo técnicas e abordagens próprias e já difundidas mundialmente. Contudo, com o aumento dos “golpes da cirurgia plástica”, é preciso alertar que o número de pessoas sem uma correta qualificação ou habilitação profissional cresce à medida que aumenta, também, a preocupação com a aparência. É fundamental atenção com os procedimentos estéticos invasivos ou cosmiátricos, pois somente devem ser executados por especialistas em dermatologia ou cirurgia plástica.

O cirurgião plástico passa por seis anos de faculdade de medicina, mais dois em cirurgia geral e outros três para residência em cirurgia plástica. O processo é importante para a capacitação em execução de procedimentos, identificação de possíveis intercorrências, para evitá-las, ou para lidar com elas quando não detectadas antes do procedimento.

Conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil tem mais de seis mil cirurgiões plásticos, sendo o profissional responsável por melhorar a autoestima ao promover o bem-estar, contribuindo não apenas com a aparência externa, mas auxiliando no equilíbrio geral. Os benefícios da cirurgia plástica vão muito além da questão estética, ao devolver a autoestima, afastando problemas relacionados à autoimagem, como a depressão. Também auxilia na recuperação de doenças e aspectos funcionais do corpo, que podem ser corrigidos ou aprimorados com procedimentos cirúrgicos.

O Censo de 2018 da SBCP aponta crescimento de 25,2% nas cirurgias estéticas e 9,3% nas intervenções reparadoras. Ainda conforme o levantamento, 70% das cirurgias plásticas são femininas. O implante de silicone nos seios, lipoaspiração, abdominoplastia, mastopexia (cirurgia para levantar os peitos) e mamoplastia redutora lideram a lista.

Os homens também estão engrossando essa fila nos consultórios. As maiores intervenções masculinas são rinoplastia (nariz), otoplastia (correção das orelhas de abano), redução das mamas (ginecomastia), implante capilar, lipoaspiração e cirurgia de pálpebra (blefaroplastia).

É crucial alertar que os procedimentos estéticos devem ser feitos por um cirurgião credenciado pela SBCP e em uma clínica qualificada. É preciso praticar uma cirurgia plástica como especialidade médica, respeitando os princípios éticos profissionais e priorizando, sempre, o ser humano, com sua segurança, saúde e satisfação. Estudar, pesquisar e, sempre que necessário, se qualificar em inovações e técnicas, aproveitando, constantemente, a experiência para melhor atender às particularidades individuais, focando em melhores resultados.

Entre o sonho, as falsas promessas e a pura realidade: saúde não se vende, não se compra

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Assistimos a uma avalanche de não médicos e até médicos, sem treinamento suficiente, propondo condutas mirabolantes e promessas de resultados irreais

Por Alexandre Meira
Cirurgião Plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Minas Gerais (SBCP-MG)

Você procuraria um encanador para consertar sua televisão? E o dermatologista para tratar seus dentes?  Creio que não, certo? Mas, como presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-MG), tenho acompanhado a perigosa exposição da sociedade a profissionais não preparados ou reconhecidos por seus Conselhos para realizarem procedimentos médicos – mesmo os ditos minimamente invasivos – passíveis de complicações e intercorrências. E o pior: além de não estarem preparados, não prestam assistência aos pacientes quando surgem as malfadadas complicações.

Assistimos, atualmente, a uma avalanche de não médicos – e algumas vezes, até de médicos – sem treinamento suficiente propondo condutas mirabolantes acompanhadas de promessas de resultados irreais. Para tanto, basta dar uma voltinha nas redes sociais – este veneno em nossa especialidade – mostrando fotos de pré e pós tratamentos apenas com belíssimos resultados, como se esses ocorressem em todos os casos. E omitindo efeitos moderados, ruins e até péssimos, que serão sentidos após o paciente ter sido iludido com falsas promessas. Como se saúde e felicidade pudessem ser comprados em um consultório.

O ato médico deve ser realizado de forma ética, responsável, baseada em evidências científicas, esclarecendo aos pacientes sobre prós e contras dos tratamentos propostos, seus valores, o porquê de realizá-los e as adversidades possíveis. E com a medicina estética não pode ser diferente em nome, também, do bem-estar emocional e social de quem a busca.

Considero essa área ainda mais complexa, pois devemos nos preocupar com as expectativas das pessoas. Nesse ponto mora o maior desafio: a medicina não é uma ciência exata e nenhum resultado pode ser prometido. Podemos e devemos, sim, prometer atenção, cuidado, precaução e conhecimento pleno daquilo que vamos realizar. E estarmos preparados para as adversidades, raras, mas que podem ocorrer.

Ao desejar tratar sua aparência corporal ou facial por meio de procedimentos que irão invadir a sua pele com agulhadasinjeção de medicamentoslaser e outros, procure um Dermatologista ou Cirurgião Plástico, que deverá ser, também, o profissional responsável por realizar a cirurgia plástica seja ela estética ou reparadora. E veja se ele tem o titulo de especialista na área que se propõe a atuar.

SBCP tem a função de prover formação adequada aos seus membros, de submetê-lo à prova de suficiência para obter o título de especialista após cinco anos de aperfeiçoamento pós faculdade, além de estar sempre atuante, por meio de de congressos, simpósios, jornadas cientificas, no aprofundamento do conhecimento de seus membros. Afinal, os resultados mais importantes que temos para atingir são os que proporcionam a saúde plena, ou seja, física, mental e bem-estar social a quem nos procura.

Reconstruindo vidas

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Manaus recebe o 1º Mutirão de Cirurgias Plásticas de reconstrução mamária e reparadoras pós-bariátrica.

Por Wal Lima

Cirurgiões plásticos do Pará, Minas Gerais e São Paulo estão em Manaus, desde ontem, para o 1º Mutirão de Cirurgia Plástica Reparadora e Reconstrutiva destinado à pacientes carentes que estão à espera dessas cirurgias pelo SUS em Manaus. A ação, que está sendo realizada pela primeira vez no Amazonas, é promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) com apoio da diretoria de Ação Social e a Fundação Instituto Para o Desenvolvimento do Ensino e Ação Humanitária (Ideah), que contempla dez pacientes com cirurgias reparadoras de reconstrução mamária e pós-bariátrica, com atendimentos realizados na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV).

O presidente Regional da SBCP, Renato Gallo, explica que a ação que já percorreu outros quatro estados do País. Para ele, a ação é gratificante porque resgata a vontade de viver das pacientes que antes sofriam com baixa autoestima. “Existe uma grande tendência das pessoas em imaginarem que cirurgia plástica é somente voltada para o campo estético, quando na verdade, ela vai muito além e estamos provando isto com este mutirão, cumprindo nosso objetivo, ajudando estas pessoas”, afirmou o médico. Renato Gallo afirma que, no Amazonas, o mutirão de cirurgias vai contar com o apoio dos 30 cirurgiões plásticos do Estados dos associados à SBCP. “Queremos ajudar a minimizar as filas e demoras nos atendimentos do SUS, tanto que as pacientes participantes foram chamadas por conta do grau de complexabilidade de suas cirurgias, que chegam a durar até cinco horas”, ressaltou o representante da SBCP, destacando que a ação pode voltar ocorrer no Amazonas por conta da parceria com a entidade.

Quantos aos procedimentos pós-bariátrica, o doutor Luiz Carlos de Lima, responsável pelo gerenciamento de atenção à saúde do HUGV, explica que, após a retirada de gordura por meio de cirurgia bariátrica, cada paciente deve retornar para um novo procedimento cirúrgico por pelo menos quatro os cinco vez, para remover o excesso de pele. Ele também conta que a ação de cirurgias vai envolver todos os alunos de medicina e residentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que prestam serviços no hospital universitário, promovendo ainda um intercâmbio, já que o evento conta com profissionais de várias localidades do País.

A troca de conhecimentos também foi destacada pelo cirurgião plástico responsável pela ação na FCecon, Roberto Pereira. Para ele, poder atuar ao lado de cirurgiões de  localidades como Porto Alegre, do Pará e Minas Gerais é poder fazer uso do que tem de melhor em material humano, agregando valores profissionais para ambos os profissionais.

Mutirão de cirurgias plásticas da SBCP começou ontem em Manaus e está sendo realizado na Fundação Cecon e no Hospital Universitário Getúlio Vargas.

Auxiliadora venceu um câncer de mama e passou por cirurgia de reconstrução.

CONGRESSO

Victor Adissi, diretor nacional da ação, que acompanhou outros mutirões de cirurgias da SBCP pelo País, ressalta que a cidade de Manaus chegou a ser estudada antes da realização do evento, pois, além dos atendimentos, a capital também será sede do Congresso Norte-Nordeste de Cirurgia Plástica, que começa hoje.

Personagem

Auxiliadora Lima de Souza
Ex-paciente

Em 2011, após um autoexame, a dona de casa Auxiliadora Lima de Souza, 52, descobriu que tinha um nódulo na mama. Ele teve que passar pelo procedimento de retirada total da mama afetada, mas passou pelo procedimento de reconstrução. “Fui para um especialista em Mastologia e posteriormente fiquei fazendo acompanhamentos.

No início  ele era benigno, mas em 2015, quando fui encaminhada do Hospital  Universitário Getúlio Vargas (HUGV) para a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), identificaram em um dos meus retornos a existência de um nódulo maligno e, para a prevenção da minha saúde, a melhor escolha foi pela retirada total da mama, seguida da reconstrução mamária”, relata a ex-paciente.

“Foi tudo muito rápido, mas creio que minha recuperação total, o que inclui o lado emocional, contou muito o fato de terem realizado a reconstituição da minha mama, porque, se tivesse sido o contrário, não sei como poderia ter sido. Até porque, nós, mulheres, temos nossos seios como um símbolo da nossa feminilidade, é algo nosso”, afirma Auxiliadora Lima.

 

Fonte: Jornal A Crítica – 26/09/2019

“Não existe beleza ideal e plena”

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Médico presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Minas Gerais faz um alerta para os limites de se atingir a perfeição por meio de intervenções cirúrgicas e procedimentos estéticos

A popularização das redes sociais acabou fazendo com que mais pessoas recorressem às cirurgias plásticas. Isso porque grande parte delas passam longas horas do dia empenhadas em obter a selfie perfeita, com intuito de aumentar o número de seguidores e de likes no Instagram. Além disso, têm acesso a inúmeros aplicativos que permitem afinar o rosto, modificar o queixo e nariz, entre outras funcionalidades.

Mas qual o limite para suprir essa insatisfação? Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Minas Gerais, dr. Alexandre Meira, deve haver uma conscientização das pessoas sobre o que é viável para elas e o que é uma expectativa inalcançável. “Cada indivíduo tem suas particularidades. Eu não posso falar de beleza como algo linear e único, pois o que fica bem para um paciente não necessariamente é o ideal para outro”, revela. Em conversa com o JORNAL DA CIDADE, o especialista esclarece algumas dúvidas sobre o tema.

JORNAL DA CIDADE

O boom das selfies contribuiu para o aumento na procura por cirurgias plásticas? Por quê?

ALEXANDRE MEIRA
Sim. Acreditamos que no mundo globalizado, no qual redes e mídias sociais proliferam de forma desenfreada, a publicação de imagens de pessoas e corpos considerados perfeitos se tornam o desejo de grande parte da população mundial. Muitas vezes, este padrão de beleza passa a ser uma exigência em nosso meio, criando a ideia de que precisamos nos adequar a isso para que sejamos aceitos.

Existe uma beleza ideal?
Não existe beleza ideal e plena. Ela pertence a cada um e é singular, respeitando a harmonia e características específicas de cada indivíduo. Desta forma, as pessoas que procuram um cirurgião plástico, com desejo de se inspirar em artistas famosos, devem ter muito cuidado. Elas podem estar fadadas ao insucesso dos procedimentos estéticos, na medida em que o resultado sonhado não corresponda a seu próprio biotipo.

Quais cuidados os pacientes precisam ter antes de passarem por um procedimento ou cirurgia plástica?
E recomendado que esses pacientes tenham uma conversa franca com seu cirurgião plástico. E processo crucial para que essa pessoa saiba sobre as reais possibilidades de tratamentos, além das limitações que possam existir em caso.

O indivíduo deve mostrar ao médico seus sonhos e anseios, e ouvir dele quais as reais possibilidades ou não em se atingir o objetivo. Lembrar que absolutamente nenhum resultado de cirurgia ou procedimento estético poderá ser replicado de uma para outra pessoa com absoluta chance de sucesso.

Como saber se meu cirurgião plástico é qualificado?
O cirurgião plástico desempenha um papel de extrema importância nesses casos. Profissionais que detêm uma formação séria e responsável seu registro de especialidade no Conselho Regional de Medicina (o Registro de Qualificação de Especialista poderá ser pesquisado no site do CRM). Além disso, ele deverá ser associado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, uma entidade afiliada da Associação Médica Brasileira, que é a responsável pela formação e titulação do especialista em Cirurgia Plástica. E importante destacar que a Sociedade Brasileira de Dermatologia também é qualificada a fazer procedimentos estéticos minimamente invasivos.

Fonte: Jornal da Cidade

Alexandre Meira
Presidente SBCP-MG

O diferencial competitivo será cocriar uma experiência única para o cliente paciente

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Uma das maiores operadoras de saúde do Brasil, anunciou no mês passado, que iria descredenciar alguns hospitais de sua rede de atendimentos. Dentre esses hospitais estariam os mais renomados do país.

Por Dr. Leo Aguiar

O que muitos podem pensar é que o motivo dessa descredenciamento seria devido unicamente à problemas ou questões relacionadas ao resultado do serviço prestado. A questão é muito mais profunda e reflete um momento de mudança de mindset e de paradigma. Uma disruptura dos modelos de remuneração do sistema atual.

Segundo a reportagem, os hospitais descredenciados resistiram a abandonar a chamada remuneração por serviço (fee for service, no jargão do setor). Nesse modelo, o hospital recebe do plano por cada procedimento realizado no paciente, como exames e curativos. A operadora argumenta que esse modelo incentiva a oferta de procedimentos desnecessários, causando desperdícios e levando a uma assistência médica inadequada. Há uma tendência de migração do fee for service para fee for value, ou seja, pagamento baseado em valor.

A essência aqui do debate é sobre como cuidar verdadeiramente do paciente, de como entregar valor dentro do cuidado. Quando me refiro a valor, não se trata apenas no sentido financeiro, mas algo além, e que tem uma profunda relação com a integralidade da experiência do paciente dentro de sua jornada de consumidor de um serviço prestado por uma empresa de saúde.

Se isso parece tão óbvio e simples de se resolver, então por que estamos debatendo isso agora?

Vivemos um momento de transição, de confronto de idéias entre os antigos modelos e os novos modelos trazidos pela novas gerações.

Acontece que a maior parte dos novos tomadores de decisão do ecossistema de saúde já entendem que o momento é outro, que entregar um excelente serviço com qualidade e segurança é o mínimo que podem fazer pelos seus clientes e que o grande diferencial competitivo é a sua capacidade de entregar valor durante todos os pontos de contatos da jornada do paciente.

Porém, antes de falarmos de um serviço de saúde que remunere sobre o valor do serviço prestado, precisamos entender o que é valor na sua essência.

Segundo um estudo realizado pela universidade de Utah, onde foram entrevistados médicos e pacientes sobre questões que envolvem a percepção de valor do sistema de saúde, as combinações das respostas dos pacientes foram comparadas com as combinações escolhidas pelos médicos e o resultado mostrou que elas foram diferentes em 90% das vezes.

Os pacientes querem participar das decisões a respeito de sua vida cocriando seu processo de saúde.

Para a maior parte dos gestores de saúde, existe uma fórmula dura e fria sobre Valor.

Valor para o paciente = Desfecho/ Custo, porém essa é um forma muito simplista de entender algo tão complexo como o sistema de saúde.

O mundo não é como nós enxergamos. Na verdade, nós enxergamos o mundo como nós somos, e nesse ponto existe um viés cognitivo que limita nossa percepção da verdadeira realidade.

A partir dessa nova percepção de realidade, mais e mais pessoas irão entender e estudar o sistema de saúde como um sistema complexo e adaptativo, nos mesmos modelos utilizados pelo centro de saúde global da Universidade de York e utilizado por Joi Ito, do MIT Media Lab, em sua dissertação de PHD chamada a “A Prática da Mudança”.

Hoje, podemos entender valor para o paciente como a cocriação de sua experiência de saúde, em que os conceitos defendidos por Prahalad definem o futuro da competição.

Então surge o conceito de valor futuro, exemplificado nessa fórmula da EY, em que Valor é igual a Inovação elevada aos Dados.

Inovação pode ser entendida pela adaptação dos conceitos do quadruple AIM, onde é necessário ter resultados (para as pessoas, profissionais de saúde, pagadores e gestores ) e esses resultados precisam ser personalizados – por meio de uma medicina participatória, de precisão, preditiva e que seja proativa – e os dados servem para ser conectados, combinados e compartilhados.

Dados são as informações obtidas através de aparelhos que digitalizaram a nossa vida; são indicadores, OKR, e métricas de performance. Tudo que pode ser medido pode ser melhorado. Porém, precisamos medir através de aparelhos inovadores, conectar e combinar com as informações que possuímos para gerar insigths e soluções que podem ser compartilhadas.

No final do dia a mensagem final que fica é: Utilizamos a Inovação e os Dados para entregar a melhor experiencia para nosso paciente. Simples assim.

A tecnologia é uma ferramenta para coletar dados, para podermos conectar esses dados e combiná-los para que possamos compartilhar com todos os profissionais que impactam a jornada dos pacientes.

Com o entendimento desses dados, poderemos tomar melhores e mais efetivas decisões para entregar uma experiência personalizada e de grande valor para todos os 4 pilares do quadruple AIM, principalmente e inclusive os pacientes. E assim serão as novas formas de remuneração e contratação hospitais.

Um grande exemplo dessa transformação aconteceu no Hospital de Câncer de Barretos, no interior de São Paulo, e que hoje se chama Hospital do Amor e também no Instituto São Joséem Florianópolis.

O Futuro da Medicina e da Saúde – como um sistema complexo e adptativo – é pós digital, baseado em relações humanas com foco na empatia e no cuidado, com muito amor.

Prover uma jornada incrível em qualquer área da saúde é agora parte da estratégia do sucesso e o grande diferencial competitivo entre os hospitais.

A experiência aqui é do cliente, não só do paciente. E esse cliente está pronto para ser surpreendido. A questão é saber se você e sua empresa estão preparados para prover essa jornada.

No CX Day iremos abordar o sucesso da experiência do cliente e como poderemos criar experiências de valor para todos. Esse meeting é sobre Customer Experience, e como gestores e todas as áreas de empresas e instituições de saúde podem criar experiências de valor que gerem impacto positivo para todos os seus clientes.

O Futuro das Coisas estará presente no CX Day. Será uma manhã inteira para conhecermos os novos clientes da saúde e seus conceitos de valor e sucesso; as ferramentas e soluções realmente inovadoras que vêm transformando a experiência do atual consumidor e pitchesdos gestores de empresas de saúde com práticas exitosas e com foco na experiência do cliente.


Crédito da imagem da capa: Catello Gragnaniello

Fonte: O Futuro das Coisas – Leia o artigo na íntegra em https://ofuturodascoisas.com/o-diferencial-competitivo-sera-cocriar-uma-experiencia-unica-para-o-cliente-paciente/

Campanha de São João – Conscientização e prevenção de queimaduras

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A cirurgia reparadora representa papel fundamental no tratamento de queimados. O cirurgião plástico realiza desde pequenos curativos até tratamentos mais complexos como enxertos e transplantes de pele. A área de queimaduras é tão ampla e abrangente, que a SBCP possui um Capítulo totalmente dedicado ao aprofundamento do estudo de técnicas e tratamentos e sempre contempla o atendimento aos queimados nas ações humanitárias que realiza durante todo o ano, em diversas cidades do País.

Ciente de seu fundamental papel científico e social a SBCP aproveita o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, 06 de junho, e lança uma campanha em suas Redes Sociais para conscientizar a população dos perigos do uso inadequado de fontes de calor em períodos de festas juninas, com o apoio da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), Associação Médica Brasileira (AMB), Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCM) e Fundação IDEAH.

Dados apurados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) entre 2009 e 2017 apontam aproximadamente cinco mil internações ocasionadas pelo manuseio incorreto de fogos de artifício. E o que é pior: muitas das vítimas de queimaduras, são crianças.

Os festejos de São João podem representar perigo para quem descuida da segurança. Confira três dicas indispensáveis para evitar lesões ocasionadas por fontes de calor:

🔹 Fogueiras devem ser acesas em local arejado e livre de rede elétrica;

🔹 Fogos devem ser adquiridos em empreendimentos regulamentados;

🔹 Mantenha crianças afastadas de atividades perigosas. A prevenção é fundamental. Compartilhe com os seus amigos.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e todos os apoiadores desta campanha investem no desenvolvimento científico contínuo para a recuperação da funcionalidade e autoestima dos pacientes afetados. Lembre-se a prevenção é o melhor cuidado. Divirta-se com responsabilidade.

Obesidade é como um câncer

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Cirurgião bariátrico e presidente da International Federation for The Surgery Of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO), Almino Cardoso Ramos fala sobre a complexidade da doença, demonstra o cenário da cirurgia bariátrica e como o país está posicionado em relação às nações mais desenvolvidas do mundo

Por Lucilene Oliveira

“Um trabalho totalmente linear.” É dessa maneira que o presidente da International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO), Almino Cardoso Ramos, faz um paralelo entre o trabalho do cirurgião bariátrico e do cirurgião plástico. O especialista recebeu a Plastiko´s em seu consultório e defendeu que o tratamento da doença crônica seja realizado de forma multidisciplinar e que a cirurgia plástica pós-bariátrica não pode, em hipótese alguma, ser confundida com uma cirurgia plástica estética. “Ela é reparadora, porque se dedica ao reparo das sequelas após um emagrecimento acentuado”, afirma o médico, ao defender a imediata cobertura dos planos de saúde e atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para esses pacientes.

Em uma extensa conversa, que objetivou traçar o panorama da cirurgia bariátrica no Brasil e no mundo, o presidente da IFSO destacou que a cirurgia plástica é “uma continuidade no tratamento da obesidade” e que o Brasil precisa aumentar em 50% o número de cirurgias bariátricas, a fim de atender a uma demanda reprimida, em especial no SUS. Confira os principais trechos da entrevista.

“Ela é reparadora, porque se dedica ao reparo das sequelas após um emagrecimento acentuado”

Almino Cardoso Ramos
Presidente da International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO)

Como o senhor vê o panorama atual das cirurgias bariátricas no mundo e como o Brasil se posiciona nesse cenário?

Antes de olhar o panorama da cirurgia bariátrica no mundo, precisamos olhar para o panorama da obesidade. O primeiro passo das entidades internacionais e nacionais que tratam de obesidade é começar a combater o estigma e o preconceito, que vêm até mesmo da própria classe de assistência.  Por mais que a ciência tenha evoluído e a obesidade seja reconhecida como uma doença – e temos que reconhecer o papel do Brasil nisso, porque o País foi um dos primeiros a reconhecer a obesidade como uma doença -, ainda temos um longo caminho a percorrer. Os Estados Unidos, que têm um dos maiores índices de obesidade no mundo, só reconheceram a obesidade como doença há cinco anos.

No Brasil, isso aconteceu ainda nos anos 1990. A obesidade é uma doença e deve ser tratada como tal. Mais que isso, é uma doença crônica e muito complexa. Para se ter uma ideia, a obesidade é uma doença tão crônica e complexa quanto o câncer, embora elas tenham evoluções diferentes, mas essa comparação pode ser feita. Esse é um quadro universal. Não é apenas no Brasil, mas em todos os países; o excesso de peso, em geral, é um problema muito maior do que a desnutrição. O problema do Brasil já foi a desnutrição, hoje é o excesso de peso, e isso vem piorando ano a ano. Hoje, 52% dos brasileiros têm excesso de peso; 20% são obesos e aproximadamente 4% têm a forma mais grave da obesidade, chamada antigamente de obesidade mórbida, que hoje chamamos de obesidade severa. A expectativa é que, nas próximas pesquisas, esses índices aumentem.

O Brasil tem a segunda maior sociedade do mundo dedicada ao tratamento da obesidade mórbida, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM); por aqui, são feitos aproximadamente entre 110 e 115 mil procedimentos desses por ano, com 1.600 profissionais bariátricos. No cenário global, o Brasil tem um papel muito importante pelo reconhecimento da obesidade como doença e pelo reconhecimento da cirurgia como melhor tratamento para a forma mais avançada da obesidade.

É lei no Brasil, para o Ministério da Saúde e para todos os convênios médicos, que, uma vez que o paciente comprove ter obesidade mórbida, dentro de algumas situações, ele tem direito ao tratamento mais adequado, que é o cirúrgico. Isso, no entanto, não acontece em todos os países. Na maioria deles, existe muita limitação. O Brasil é protagonista na área; em qualquer congresso mundial sobre cirurgia bariátrica, temos papel de destaque. Os cirurgiões brasileiros são muito respeitados.

 

Qual a importância para o País em ter um especialista brasileiro como presidente da IFSO?

A Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas (IFSO) faz a coordenação mundial dos novos estudos relacionados à especialidade, promovendo todos os anos congressos em diferentes países, com o objetivo de ajudar diversos países a criar um programa inclusivo de tratamento da obesidade, a fim de diminuir esse preconceito e estigma contra a doença. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica é um dos membros mais importantes dessa federação internacional. O Brasil se posiciona muito bem, tem bons serviços e centros de excelência que oferecem ao paciente uma cirurgia segura.

 

A cirurgia bariátrica evoluiu muito nos últimos anos. Quais foram os principais ganhos em relação a técnicas e procedimentos?

Se olharmos a realidade da cirurgia bariátrica há 20 anos, hoje ela é totalmente diferente. Nessas duas décadas, a cirurgia laparoscópica é a reconhecida como melhor, menos invasiva e de melhor resultado, sendo feita com pequenas incisões no abdômen, e não mais com incisões de 20 a 30 cm. A evolução da laparoscopia durante esse período foi um grande avanço. O treinamento do cirurgião e das equipes é outro fator extremamente positivo, além da evolução do processo de acompanhamento do paciente após a operação.  A cirurgia bariátrica não é feita com a intenção de causar nenhum problema para ninguém, porém, alguns eventos adversos podem acontecer após o procedimento, mas todos são previsíveis e evitáveis.

Fala-se muito a respeito de nutrição, anemia, deficiência de cálcio, osteoporose etc., mas já sabemos como todas essas situações se comportam. É importante frisar a esse paciente que, após a cirurgia bariátrica, não é normal ter queda de cabelo, fragilidade de unha e outros problemas. E para evitar o aparecimento desses quadros, o paciente precisa fazer um bom pós-operatório. Temos que trabalhar, alertar o paciente que ele precisa de acompanhamento após a cirurgia bariátrica, principalmente nos dois primeiros anos.

 

Essa evolução do procedimento também contribuiu para prever as complicações e reduzir a mortalidade?

Há 20 anos, a mortalidade de cirurgia bariátrica era em torno de 2% e, para uma doença com uma certa gravidade, não pode ser considerada uma mortalidade tão alta. Mas, hoje, a mortalidade relacionada com cirurgia bacia toriátrica, quando feita dentro de um centro de excelência, é menos de 0,5%. Na verdade, em um dos estudos, ela está em torno de 0,1% a 0,2%. Levando em conta que estamos tratando com pacientes bastante pesados e graves, muitos com problemas cardiovasculares, essa taxa pode ser considerada uma mortalidade extremamente baixa.

Em alguns países, foi feito um estudo de mortalidade entre pacientes que fazem a cirurgia e pacientes que têm indicação, mas não fazem.  A mortalidade naqueles que têm a indicação para fazer a cirurgia, mas não fazem, é em torno de nove a 12 vezes maior do que naquele grupo que faz a operação. Já está provado que a cirurgia proporciona mais tempo de vida, mais qualidade de vida e, inclusive, do ponto de vista econômico, já está provado que uma cirurgia dessas, em três ou quatro anos de pós–operatório, paga todo seu investimento. É mais barato menor, e a outra é o bypass. O principal aspecto da gastrectomia vertical é o fisiológico. A parte do estômago retirada é a que produz um hormônio chamado grelina, que nos faz ter fome. Ao todo, 90% da grelina vem da parte do estômago que tiramos. Mais do que redução do tamanho do estômago, essa cirurgia significa redução da fome em 90%.

A outra técnica, parecida com essa, está mais associada ao desvio intestinal. Eu corto o intestino e ligo a parte distal ao estômago pequeno, fazendo com que a comida não passe mais na região onde permanecem sendo produzidas as enzimas da digestão. Quando faço o bypass, terei o resultado do sleeve mais o resultado da derivação intestinal. Em média, a perda de peso relacionada a um sleeve, a uma gastrectomia vertical, gira em torno de 25% a 30% do peso, e em um bypass, a perda é de 35% a 40% o peso. O primeiro conceito que devemos ter é que não há um procedimento pior ou melhor; existem situações onde   a gastrectomia vertical pode estar mais indicada e outras onde o bypass pode estar mais indicado. Em resumo, o bypass, por fazer perder mais peso e ter maior efeito metabólico, acaba sendo dedicado àquelas pessoas mais obesas, com IMC mais alto, que precisam perder mais peso, ou aquelas com muitas doenças metabólicas, diabetes, hipertensão.

Se eu pego um paciente que precisa emagrecer em torno de 30 quilos e ele tem comorbidades leves, por exemplo, como mais problemas ortopédicos pelo excesso de peso, mas não é diabético, ele pode ter uma hipertensão leve, a gastrectomia vertical pode ser uma boa opção. Agora, para aquele indivíduo que tem 120, 130, 140 quilos, que toma sete, oito comprimidos por dia para tratar diabetes, hipertensão e dislipidemia, o bypass será a melhor opção.

 

O senhor falou que são seis técnicas diferentes de cirurgia. Quais são elas e suas especificidades?

Após o uso normal de medicações, de tratamentos intervencionistas, a primeira coisa que vem é a linha de procedimentos endoscópicos. Nos procedimentos endoscópicos, temos o balão intragástrico, que terá um efeito de diminuição de fome e melhora de saciedade, levando o paciente a perder peso. O inconveniente é que isso é um tratamento temporário e nós sabemos que a obesidade é uma doença crônica, então vamos tratar o paciente só durante aquele momento; a chance de reganho de peso depois é muito grande. E existe um outro tratamento endoscópico que, por endoscopia, por uma sutura especial, se faz a redução do estômago, que se chama gastroplastia endoscópagar pela cirurgia, porque depois vai diminuir o número de doenças do paciente, internações, complicações, uso de medicação e, inclusive, risco de mortalidade.

 

O pós-operatório da cirurgia bariátrica envolve diretamente a cirurgia plástica. Como vê a relação entre as duas especialidades para esse tipo de procedimento?

É totalmente linear. Quando falamos da cirurgia plástica pós- bariátrica, estamos falando de um procedimento que faz parte do tratamento multidisciplinar, que esse paciente necessita. A cirurgia plástica depois da cirurgia bariátrica não é vista como uma cirurgia plástica estética, mas reparadora, porque se dedica ao reparo das sequelas que ficam depois de um emagrecimento acentuado. A cirurgia plástica faz parte do tratamento da obesidade. É uma continuidade no tratamento do paciente obeso.

 

Falando sobre técnicas, quando é mais indicado o bypass ou a gastrectomia vertical?

Quando vemos o atual panorama mundial de técnicas para tratamento da obesidade, temos umas seis disponíveis, mas 85% das operações são de duas técnicas: uma é a gastrectomia vertical, que é simplesmente a retirada de dois terços do estômago, tornando-o menor, e a outra é o bypass. O principal aspecto da gastrectomia vertical é o fisiológico. A parte do estômago retirada é a que produz um hormônio chamado grelina, que nos faz ter fome. Ao todo, 90% da grelina vem da parte do estômago que tiramos. Mais do que redução do tamanho do estômago, essa cirurgia significa redução da fome em 90%.

A outra técnica, parecida com essa, está mais associada ao desvio intestinal. Eu corto o intestino e ligo a parte distal ao estômago pequeno, fazendo com que a comida não passe mais na região onde permanecem sendo produzidas as enzimas da digestão. Quando faço o bypass, terei o resultado do sleeve mais o resultado da derivação intestinal. Em média, a perda de peso relacionada a um sleeve, a uma gastrectomia vertical, gira em torno de 25% a 30% do peso, e em um bypass, a perda é de 35% a 40% do peso. O primeiro conceito que devemos ter é que não há um procedimento pior ou melhor; existem situações onde a gastrectomia vertical pode estar mais indicada e outras onde o bypass pode estar mais indicado. Em resumo, o bypass, por fazer perder mais peso e ter maior efeito metabólico, acaba sendo dedicado àquelas pessoas mais obesas, com IMC mais alto, que precisam perder mais peso, ou aquelas com muitas doenças metabólicas, diabetes, hipertensão.

Se eu pego um paciente que precisa emagrecer em torno de 30 quilos e ele tem comorbidades leves, por exemplo, como mais problemas ortopédicos pelo excesso de peso, mas não é diabético, ele pode ter uma hipertensão leve, a gastrectomia vertical pode ser uma boa opção. Agora, para aquele indivíduo que tem 120, 130, 140 quilos, que toma sete, oito comprimidos por dia para tratar diabetes, hipertensão e dislipidemia, o bypass será a melhor opção.

 

O senhor falou que são seis técnicas diferentes de cirurgia. Quais são elas e suas especificidades?

Após o uso normal de medicações, de tratamentos intervencionistas, a primeira coisa que vem é a linha de procedimentos endoscópicos. Nos procedimentos endoscópicos, temos o balão intragástrico, que terá um efeito de diminuição de fome e melhora de saciedade, levando o paciente a perder peso. O inconveniente é que isso é um tratamento temporário e nós sabemos que a obesidade é uma doença crônica, então vamos tratar o paciente só durante aquele momento; a chance de reganho de peso depois é muito grande. E existe um outro tratamento endoscópico que, por endoscopia, por uma sutura especial, se faz a redução do estômago, que se chama gastroplastia endoscópica. Então esses tratamentos endoscópicos são basicamente indicados a pacientes com pouco excesso de peso, que precisam ter uma perda em torno de 15% a 20% do peso.

Depois, nós temos os procedimentos cirúrgicos, e todos eles são por laparoscopia. O primeiro, que é um procedimento em franca diminuição de números em todo o mundo, é uma operação que já foi muito popular: a banda gástrica ajustável. Nessa cirurgia, é colocado um anel limitador do estômago; não se corta nem grampeia o órgão, somente se limita com a colocação desse anel.

Depois, temos a gastrectomia vertical e o bypass gástrico, que chamamos de bypass gástrico em y e roux, que citei anteriormente. Tem um outro tipo chamado bypass gástrico de uma anastomose, muito parecido com esse, mas com uma pequena modificação técnica. Temos ainda aquele grupo de cirurgias dedicado aos superobesos, com IMC acima de 50, que é a derivação biliopancreática, um tipo de by-pass que desvia muito mais o comprimento do intestino porque é para maior perda de peso.

 

Há algum motivo específico para essa diferença?

Preferência do cirurgião. Em geral, fora do Brasil, a cirurgia bariátrica é relativamente nova, não tem tanta história. No Brasil, já são 30 anos fazendo cirurgia bariátrica e os primeiros cirurgiões que operaram no País, que criaram toda a história de cirurgia que temos hoje, se dedicavam principalmente ao by-pass gástrico. Essa é a razão pela qual a maioria dos cirurgiões brasileiros ainda está mais envolvida com essa técnica, mas à medida que temos novos cirurgiões começando a se dedicar a isso, eles começam a olhar o que está acontecendo fora do Brasil e a trazer essa realidade. Mas isso é basicamente uma questão de confiança do cirurgião.

Temos a derivação biliopancreática, que é a standard, a derivação biliopancreática com duodenal switch e o duodenal switch de uma anastomose. Basicamente, essas são as cirurgias mais utilizadas em todo o mundo, mas 85% dos casos operados se limitam à gastrectomia vertical e ao bypass gástrico, por terem um histórico maior de uso e mais confiança dos cirurgiões, que estão melhor preparados para trabalhar com elas. A única diferença é que, fora do Brasil, a gastrectomia vertical é a cirurgia mais popular. Ela representa em torno de 70% da cirurgia bariátrica, quando comparada com o bypass. Aqui no Brasil, o bypass ainda é a cirurgia preferida, mas a gastrectomia vertical está crescendo muito e, provavelmente, neste ano ou em 2020, já se iguale ao resto do mundo, tornando-se a gastrectomia vertical o procedimento mais realizado.

 

As estatísticas atuais demonstram um aumento gradativo da obesidade, consequentemente devendo levar a um número cada vez maior de cirurgias. Como avalia esse cenário?

Acho que a situação econômica do Brasil é algo que tem bloqueado bastante algumas situações. Por exemplo, na maioria dos hospitais públicos do País, somente se faz cirurgia aberta ainda, quer dizer, até do ponto de vista ético, temos que começar a questionar isso: será ético oferecer um procedimento quando sabemos que há outro muito mais seguro? Mas o Ministério da Saúde ainda não ofereceu condições para que os hospitais públicos comecem a fazer cirurgia bariátrica por laparoscopia.

Outra coisa: quando olhamos para a população brasileira, se pensarmos que o grande contingente depende do SUS, como vamos entender que, dentro do número de cirurgias bariátricas feitas no Brasil, 90% são feitas no ambiente de convênio médico e só 10% dentro do SUS? Ou seja, 10% de cirurgias para 90% da população. Ainda assim, a questão pública precisa melhorar muito para que possamos alavancar essa situação. Creio que, na saúde suplementar, da parte de regulação, a situação andou bem. Temos normativas que garantem aos brasileiros com convênio médico, de uma forma ou de outra, a realização do melhor tratamento para a obesidade mórbida, que é a cirurgia bariátrica. Mas ainda tem muito chão pela frente, os benefícios da cirurgia são muito grandes, não podem ficar restritos a um grupo, precisam ser oferecidos de maneira universal dentro do Brasil e, para isso, vamos depender do Ministério da Saúde.

 

O CFM mudou a resolução sobre indicação da cirurgia bariátrica, passando de quem tem IMC 35 para 30, de pessoas com diabetes sem controle medicamentoso. Como analisa essa mudança?

A cirurgia bariátrica é indicada para quem tem obesidade mórbida. Defina-se obesidade mórbida como obesidade severa, obesidade grau 3 por quem tem um IMC acima de 40. Então quem tem um IMC acima de 40 tem direito ao tratamento mais adequado, independentemente de comorbidades ou não. Quando a pessoa tem um IMC de 35, mas também comorbidades importantes, como diabetes, hipertensão, problemas ortopédicos severos, apneia do sono, dislipidemia (aumento de colesterol e triglicérides), acúmulo de gordura no fígado, esteatose, esteato-hepatite, infertilidade, problemas respiratórios ou problemas cardiovasculares, ela também passa a ter indicação formal para a cirurgia. Recentemente, o CFM aprovou a cirurgia com IMC entre 30 e 35, ou seja, desceu um pouquinho mais, apenas para pacientes que sejam diabéticos, em quem o endocrinologista não consiga compensar o tratamento com remédios e recomende para a operação.

A atual regulação brasileira é acima de IMC 35 com comorbidade ou acima de 40, reconhecida pelo CFM, Ministério da Saúde e ANS como a mais adequada. Com IMC entre 30 e 35, até agora, só o Conselho Federal de Medicina reconheceu, embora grandes associações internacionais, como a American Diabetes Association (ADA), que é a entidade internacional mais importante no tratamento de diabetes, já tenha reconhecido há dois anos. Estamos discutindo para que as outras entidades também aceitem a indicação da cirurgia do diabético acima de 30 porque, cientificamente, em vários estudos, já está provado que existe um grande benefício para esse grupo.

 

O Brasil realiza cerca de 110 mil cirurgias bariátricas por ano. Como vê esse número? Existe uma perspectiva de ampliação?

A ideia é que sim. Esses números têm melhorado, porém, essa melhora ainda tem sido inferior ao que gostaríamos. Nos Estados Unidos, o número de cirurgias chega a 300 mil, em média, por ano. No Brasil, fazemos um terço disso. Acho que esse número deveria aumentar, pelo menos, mais 50% para chegar a um nível aceitável.

 

Entrevista publicada na Revista Plastiko’s edição 218.

Legenda f1 – Para Ramos, os planos de saúde e o SUS devem cobrir todo o tratamento do paciente

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