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O perigo mora ao lado

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Em busca de cirurgias plásticas mais baratas, mulheres se arriscam viajando à Venezuela, Bolívia e Paraguai para serem operadas, mas têm de lidar sozinhas com complicações

Por Lucilene Oliveira

Uma excursão. Trinta mulheres. Mil e seiscentos quilômetros percorridos. Esses números até poderiam representar uma viagem de férias para algum lugar paradisíaco de nossos países vizinhos. Porém os dados que abrem esta reportagem são de mulheres do norte do Brasil que, há cerca de três anos, saíam de Manaus (AM) em ônibus fretados, geralmente com destino a Puerto Ordaz, na Venezuela, para se submeter a cirurgias plásticas sem aparato clínico e capacitação ideais a custos insustentáveis se comparadas aos valores praticados por especialistas brasileiros sob a chancela da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O grande problema é que não foram raras as vezes em que essa foi uma viagem sem volta. A instabilidade do país governado por Nicolás Maduro fez com que a procura por turismo médico tenha diminuído, mas não cessado integralmente.

A Regional Amazonas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica denuncia que ainda hoje mulheres se aventuram em uma viagem de quase 24 horas com um único objetivo: realizar cirurgias estéticas por preços até quatro vezes menores do que o praticado por especialistas brasileiros.

Os relatos são de que procedimentos cotados no Brasil por R$ 20 mil, por exemplo, cheguem a custar o equivalente a R$ 5 mil no país vizinho. A situação, que teve seu auge em 2015 e 2016 graças ao bom momento econômico do Brasil e à valorização do real, foi tão crítica no Amazonas que levou a SBCP a fazer diligências para frear o avanço dos chamados agenciadores, responsáveis por fazer a conexão de mulheres com médicos venezuelanos, e também evitar que esses profissionais exerçam a medicina em território nacional em situações precárias, como em salões de beleza, clínicas de estética ou até consultórios de fisioterapia.

“O que acontecia e acontece até hoje, mas em menor volume, é que tinha um esquema, uma rede montada, na qual blogueiras, donas de salão de beleza da cidade de Manaus e fisioterapeutas envolvidas com estética começavam a recrutar e fazer propaganda de cirurgiões plásticos venezuelanos na internet, no Facebook, Instagram e redes em geral para organizar as caravanas”, explica o presidente da Regional do Amazonas da SBCP, Jose Renato Barbieri Gallo. O ato de um brasileiro optar por fazer uma cirurgia estética no exterior por si só não é caracterizado como qualquer tipo de crime, uma vez que cabe ao paciente pesquisar sobre o especialista que realizará o atendimento e se ele possui registro no Conselho de Medicina do país vigente. O que é condenado pelos especialistas brasileiros é a baixa qualidade dos trabalhos realizados nas fronteiras e a deficiência na rotina pré e pós-operatória, resultando em cicatrizes em locais inadequados, quadros graves de complicações e resultados diferentes do idealizado.

“As mulheres faziam a cirurgia e ficavam no hotel por um curto período de tempo, e lá eram cuidadas por uma técnica de enfermagem ou alguém da equipe do tal médico que as operava. Depois desse período, elas regressavam a Manaus, em média uma semana ou 15 dias depois. Quem não tinha dinheiro para voltar de avião enfrentava horas em uma viagem de ônibus”, afirma Gallo, criticando a precariedade do pós-operatório.

Procedimentos são realizadas em quartos improvisados nos países vizinhos, sem o suporte de um centro cirúrgico

Em outro extremo do país, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o cenário se repete: mulheres viajam à Bolívia e ao Paraguai em busca da tão sonhada aparência ideal, mas não é preciso muito para que o sonho se torne um pesadelo. Presidente da Regional Mato Grosso do Sul da SBCP, Daniel Nunes e Silva evita fazer críticas aos profissionais que realizam os procedimentos nos dois países vizinhos, mas é enfático ao afirmar que a negligência com o pós-operatório e o uso de materiais com baixa qualidade são os principais impulsionadores de complicações.

“Cirurgia plástica é muito delicada. Você está lidando com muitos fatores que podem comprometer e prejudicar, ou potencializar uma complicação. Muitas vezes, uma leve infecção ou uma pequena borda de necrose em uma mama, por exemplo, se não tratada levará a uma sequela irreparável”, afirma Silva. Compartilhando da opinião do colega, o presidente da Regional Mato Grosso da SBCP, Jubert Sanches, destaca que, a fim de minar as mais remotas possibilidades de intercorrências após a realização do procedimento, é comum que o acompanhamento da paciente persista por três a seis meses após a intervenção cirúrgica.

Assim como utilizar materiais de boa qualidade e realizar o procedimento em um centro cirúrgico que ofereça estrutura para conferir segurança à intervenção, o pós-operatório possui o mesmo peso para uma cirurgia plástica bem-sucedida. Silva afirma que o acompanhamento é tão importante que ele, ao operar pacientes de outros estados que não o seu de origem, cujo pós-operatório não poderá acompanhar de perto, liga pessoalmente para um colega cirurgião de sua confiança da cidade de origem da paciente e pede para que ele realize a retirada dos pontos e curativos.

“Isso a gente já não vê quando acontece fora do Brasil. Já atendi várias pacientes com intercorrências vindas de lá e muitas vezes a paciente não sabia o nome do médico ou tinha vergonha de dizer, relutava muito em falar que operou fora do Brasil, e não havia esse contato e cirurgião para cirurgião”, destaca. Assim como no Amazonas, as complicações cirúrgicas batem à porta nos consultórios brasileiros, e o receio de se responsabilizar por intervenções malsucedidas, uma vez que essas mulheres chegam às clínicas brasileiras sem histórico da cirurgia, levou os profissionais de ambos os estados a se negar a atender essas mulheres e orientá-las a buscar auxílio no Sistema Único de Saúde.

“De modo geral, a gente não sabe o que foi feito na cirurgia e a responsabilidade de um profissional sul-mato-grossense é grande porque você acaba se responsabilizando pela complicação que isso pode gerar”, salienta Silva.

PREÇOS COMPETITIVOS

Com a popularização da cirurgia plástica no Brasil, os preços também ficaram competitivos com os praticados em outros países da América Latina, com a diferença de que, nesses locais, o valor do imposto é suprimido. Ao colocar na balança os custos de refinamento das cirurgias, comumente realizado pelas pacientes insatisfeitas com o resultado, o valor total investido em uma cirurgia nesses países e no Brasil são bem similares. “Em busca do refinamento, a mulher paga por novas consultas com o cirurgião plástico e muitas vezes até se submete a pequenas cirurgias de correção, o que causa arrependimento e vergonha”, destaca Silva.

De acordo com Jubert Sanches, trata-se de uma ilusão a opção por cirurgias em um país da fronteira, achando que será economizado um valor significativo com os custos da operação. Ele chama a atenção para o fato de a cirurgia não se resumir apenas a algumas horas no centro cirúrgico, mas que possui quatro pilares de relevância similar. O procedimento começa na consulta, passa pelo pré-operatório, chega à cirurgia em si e finaliza com o acompanhamento pós-operatório. “Uma paciente chega lá e o médico muitas vezes nunca a viu, o primeiro encontro é só na sala de cirurgia, faz o procedimento e no dia seguinte a coloca no ônibus e manda embora, ou seja, ele está fazendo um terço do procedimento”, finaliza o cirurgião.

A hora e a vez da cirurgia reparadora de mama

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Até poucas décadas atrás, a cirurgia de reconstrução mamária era um procedimento colocado em segundo plano pela classe médica¹.

Por Lucilene Oliveira
Madson de Moraes

Por causa das crenças de que o fechamento dos locais de mastectomia poderia ocultar a recorrência do tumor, a reconstrução mamária só ganhou aceitação mesmo no fim do século passado², e foram os cirurgiões plásticos que lutaram por sua adoção no tratamento do câncer de mama. De lá para cá, as técnicas de reconstrução mamária evoluíram muito nas últimas décadas.

Se, na década de 1980, a força da cirurgia plástica estava concentrada nos procedimentos estéticos e pouco nos reparadores, dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) têm apontado para o crescimento das cirurgias reparadoras e, em especial, de reconstruções mamárias. Em 2009, o censo realizado pela SBCP apontava que, dos 27% dos procedimentos reparadores realizados, só 3% eram cirurgias de reconstrução mamária. Mas, no Censo 2016, o número de reparadoras saltou de 27% para 43%, quando foram feitas 62.681 cirurgias de reconstrução das mamas, quase 10% do total das reparadoras realizadas. “O aprimoramento das técnicas e a melhor capacitação de profissionais, associados à ampliação do mercado pela obrigatoriedade de contemplação dos procedimentos reparadores por meio das operadoras de saúde suplementar, são possivelmente os principais fatores que estimulam esse crescimento”, afirma a chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher, em São Paulo, Ana Claudia Burattini. O Hospital realiza, em média, 100 cirurgias reparadoras por mês.

Tal cenário, no entanto, tem contribuído ou não para despertar o interesse dos cirurgiões plásticos em formação a se capacitarem em cirurgias de reconstrução das mamas? Para responder a essa pergunta, a Plastiko’s ouviu cirurgiões dos principais centros formadores do País para compreender como essa e outras questões, como remuneração e mercado de trabalho, têm interferido na hora de o profissional escolher sua área de atuação.

A percepção da cirurgia plástica é de que o interesse vem aumentando. “Temos percebido um aumento na procura pelo estágio de pós-graduação [em nosso hospital] nesses últimos anos, um reflexo da percepção de que o profissional com essa capacitação tem um papel diferenciado na especialidade”, diz Ana Claudia. No Hospital Pérola Byington, são oferecidas 15 vagas para esse estágio em reconstrução mamária, reservado a profissionais com título pela SBCP. Pelo aumento do número de casos de câncer de mama, o coordenador do Setor de Reconstrução Mamária da Escola Paulista de Medicina (EPM), Miguel Sabino Neto, salienta que há uma demanda reprimida de pacientes que fizeram tratamento oncológico e não foram submetidos à reconstrução mamária. “Faltam cirurgiões plásticos para atender a essa demanda na área”, aponta.

Esse interesse pela reconstrução das mamas, avalia o cirurgião plástico Alexandre Mendonça Munhoz, chefe do Serviço de Reconstrução da Mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), existe e, entre as diferentes áreas da reconstrução, a das mamas é a mais concorrida. “Mas, comparando com as cirurgias estéticas e os procedimentos não invasivos, realmente a procura é menor”, pondera Munhoz. O Icesp realiza cerca de 50 reconstruções mamárias por mês e, desde 2015, oferece fellow em reconstrução mamária, com duração de 12 meses.

Na opinião do cirurgião plástico que chefiou a Seção de Cirurgia Plástica e Microcirurgia Reconstrutiva do Instituto Nacional de Câncer (Inca) por 15 anos, Paulo Roberto de Albuquerque Leal, as reconstruções mamárias, assim como a cirurgia reconstrutora em geral, não despertam grande interesse entre os médicos em formação. Ele atribui essa situação, sobretudo, à falta de serviços de formação com docentes treinados em realizar e ensinar esses procedimentos. “O desafio maior é o treinamento para a capacitação. A maioria dos serviços, mesmo os universitários, mantém uma agenda mais voltada para o adestramento em procedimentos estéticos. Como não é oferecido um bom treinamento nas cirurgias reparadoras [para os cirurgiões plásticos em formação], o interesse sem dúvida cai”, aponta.

Outro fator é a necessidade de o cirurgião se submeter a um treinamento rigoroso quando se trata da reconstrução mamária, área com várias técnicas complexas em situações de indicações diversas. Na visão do diretor técnico-científico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), João Carlos Guedes Sampaio Góes, isso pode afastar o jovem cirurgião plástico que deseja uma formação mais imediata com retornos igualmente rápidos. “A reconstrução mamária é uma área um tanto específica dentro da cirurgia plástica. Não é somente assistir a algumas aulas ou ver meia dúzia de casos para o cirurgião estar completo com sua formação”, analisa o diretor da entidade, que realiza aproximadamente 40 cirurgias mensais de reconstrução mamária.

HÁ BAIXA REMUNERAÇÃO PARA RECONSTRUÇÃO DAS MAMAS?

Nesse aspecto, Alexandre Munhoz, do Icesp, ressalta que, além de apresentar poucas flutuações decorrentes de crises econômicas, a cirurgia reparadora das mamas é um movimento cirúrgico mais homogêneo durante todo o ano, diferentemente das cirurgias estéticas mais suscetíveis à diminuição no número de procedimentos em decorrência de crises econômicas ou mesmo durante meses de menor procura. “Mas, muito mais do que a remuneração financeira, aspectos relacionados à satisfação pessoal, como o bom trabalho e o bem maior que isso representa, conferem à reconstrução mamária uma área gratificante de atuação do cirurgião plástico.”

João Carlos Guedes Sampaio Góes, do IBCC, entende que a remuneração é muito baixa principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), mas também nos convênios que, segundo ele, possuem tabelas muito baixas para a reconstrução mamária. “Esse é um aspecto importante que deveria ser cobrado do SUS e dos próprios convênios para procurar atualizar essas tabelas onde há uma discrepância muito grande entre a complexidade e a responsabilidade do tratamento com as remunerações existentes”, avalia.

Ainda que a remuneração seja baixa, analisa Ana Claudia Burattini, do Pérola Byington, a realização de cirurgias reparadoras pode ser uma oportunidade para os que ingressam na carreira se tornarem conhecidos no mercado pela formação diferenciada. “Devido à falta de profissionais de formação adequada no mercado e à demanda crescente, o cirurgião que atua nessa área acaba se tornando referência entre os demais colegas de outras especialidades”, avalia.

CENTROS DE FORMAÇÃO POTENCIALIZAM ESPECIALIZAÇÃO

Com o objetivo de reforçar e ampliar a cirurgia de reconstrução mamária em todo o Brasil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica tem atuado em duas frentes: a primeira é o apoio aos centros formadores da técnica em todas as regiões do País, aliado a mutirões para a realização de cirurgias com o intuito de atender um número significativo de mulheres mastectomizadas.

Anualmente, a SBCP organiza, em outubro, mutirões de reconstrução mamária para atender pacientes vítimas de câncer de mama do SUS que aguardam na fila pela cirurgia.

No ano passado, a iniciativa atendeu 1.135 mulheres operadas em todo o Brasil. A entidade também fez a distribuição de 500 próteses na ação. “Realizar, no período de um mês, mais de mil cirurgias de reconstrução de mama no Brasil é muito expressivo. É uma atitude que trouxe um retorno muito bonito em termos de atendimento social”, explica a cirurgiã plástica e secretária adjunta da SBCP, Marcela Cammarota, responsável por coordenar a ação. O mutirão deste ano aconteceu em todo o Brasil na última semana de outubro.

Na linha de frente do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Daher, no Distrito Federal, Marcela chama a atenção para a importância de motivar cirurgiões plásticos, que estão concluindo a residência, a se qualificarem para atender a esse perfil de pacientes, uma vez que, com a alta incidência de câncer de mama, a tendência é de ampliação da demanda por esse tipo de procedimento. “Nos cursos de gerenciamento de carreira, se fala bastante da superlotação do mercado na cirurgia plástica estética, como a mamoplastia, abdominoplastia e colocação de próteses. É difícil competir sabendo fazer só isso. Para ter um diferencial no mercado, é preciso fazer algo mais, seja reconstrução de mama, seja cirurgia de mão ou craniomaxilofacial. São áreas lindas em que há pouca gente trabalhando e uma demanda enorme”, diz.

A constatação de superlotação no mercado das cirurgias plásticas comuns já tem contribuído com uma mudança de cenário em Brasília. Segundo Marcela, o número de cirurgiões aptos a atender mulheres mastectomizadas ampliou 10 vezes nos últimos anos. “Há pouco tempo, tínhamos apenas dois ou três cirurgiões plásticos que atuavam aqui com reconstrução, agora eu tenho pelo menos 10 ex-alunos que tiveram sua formação com a gente e estão operando muito bem”, destaca a cirurgiã plástica. Em números absolutos, a especialista aponta que, dos 180 cirurgiões plásticos do Distrito Federal, 20 a 30 especialistas são capacitados para realizar cirurgia reparadora das mamas.

Em Curitiba, a chefe do Serviço de Reparação de Mama do Hospital Erasto Gaertner, Anne Groth, aponta que o alto investimento em tecnologia de ponta e a exposição dos alunos a casos clínicos complexos são os principais atrativos para especializar anualmente dois fellowships que concluíram a residência médica em cirurgia plástica. “Aqui no serviço, há uma estrutura completa para que os nossos fellows assumam o protagonismo da cirurgia plástica reparadora. Nós temos microscópio, robô e um centro acadêmico bastante forte”, conta.

Ao todo, o Hospital realiza entre 60 e 70 cirurgias de reconstrução mamária por mês, frequência que confere aos fellowships experiência e prática aguçada na realização do procedimento. “Não existe só o implante, mas também a microcirurgia, o músculo grande dorsal para a reconstrução de mama, e cada situação tem seu momento para você aplicar a indicação correta. O cirurgião plástico geral não sabe fazer essas indicações. Na formação de cirurgia reconstrutora, os residentes e estagiários do nosso serviço são treinados com essas técnicas”, afirma o também cirurgião plástico do Serviço de Cirurgia Plástica e  Restauradora do Hospital, Alfredo Benjamin Duarte da Silva.

Na Paraíba, o chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Napoleão Laureano, que atende de 60% a 70% dos casos de câncer de mama no estado, Péricles Vitório Serafim Filho, destaca que, como forma de fortalecer o procedimento entre os especialistas da cirurgia plástica de todo o Nordeste, realiza o mutirão Dia da Boa Vontade, em março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, cerca de 20 pacientes são atendidas por especialistas de todos os lugares do Brasil, que viajam à Paraíba para participar do Simpósio Rec-Mama. “No dia anterior às cirurgias, discutimos os casos que serão operados, trocamos ideias com os profissionais e, no dia do mutirão, os alunos podem acompanhar a cirurgia ao lado de especialistas na área”, destaca Serafim, que coordena a Comissão de Lipoaspiração da SBCP.

Segundo os especialistas, iniciativas assim têm contribuído para devolver à especialidade o direito de ser a única apta a realizar a operação reparadora de mama. Ano após ano, a especialidade assistiu ao crescente desinteresse dos profissionais recém-graduados pela área e, com isso, a demanda ser absorvida por outras áreas. “O mastologista ocupou por ineficiência do serviço público, que não tem cirurgião plástico para atender à demanda. Ele, pela necessidade de atender a paciente, acaba fazendo reconstrução”, declara Marcela Cammarota. O cenário, no entanto, levou alguns mastologistas migrar para a cirurgia plástica estética e, com isso, se tornarem concorrentes diretos dos profissionais de cirurgia plástica. “A formação é incomparável. O cirurgião tem dois anos de cirurgia geral e mais três de cirurgia plástica. Não tem como comparar com um médico que teve sua formação em ginecologia”, conclui Marcela.

Confira o texto na edição 218 de Plastiko’s

A importância da eficiência energética em ambientes de saúde

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A preocupação com o uso eficiente da energia elétrica toma conta não apenas de ambientes residenciais, mas também de locais onde atuam profissionais da saúde, como consultórios médicos, clínicas e hospitais.

Por ALEXANDRE MOANA

Também pudera: em um mundo cada vez mais “verde”, a adoção de medidas sustentáveis e de menor impacto ao meio ambiente são, na medida do possível, uma tendência. Partindo do princípio de que todo espaço tem potencial de economia de energia, o conceito de eficiência energética pode ser pensado e aplicado a qualquer lugar: uma clínica, uma sala comercial ou até construções maiores, como edifícios e hospitais.

No entanto, como ser mais eficiente nesses ambientes de saúde? Projetar o local com uma janela mais ampla para aproveitar melhor a incidência de luz solar, por exemplo? Sim. Mas as ações podem ir muito além.

Normalmente, em um prédio comercial ou uma clínica, há predominância de sistemas de iluminação e de climatização, aos quais é necessária atenção. Sabe-se que esses dois sistemas exigem bastante energia e que, consequentemente, são dois aspectos que devem ser pensados para se tornarem eficientes, visando ao melhor aproveitamento do consumo e, consequentemente, redução nos custos.

A troca de uma lâmpada mais antiga (as incandescentes, responsáveis por gerar mais calor do que iluminação) por uma lâmpada mais eficiente, como a de LED, permite uma boa economia de energia. Já em relação ao sistema de climatização e sua utilização adequada, o dimensionamento do sistema de refrigeração é primordial. Ao fazer a aquisição de um equipamento, é preciso verificar se ele atende as reais necessidades do local. Não adianta comprar um dispositivo superestimado ou subestimado em relação à potência. Para se ter uma ideia, a instalação de um aparelho com tamanho diferente do ideal pode gerar mais de 30% de desperdício de energia naquele espaço.

“Se houver uma fresta aberta no ambiente climatizado, pode ser desperdiçada cerca de 20% de energia utilizada pelo ar-condicionado”

Outro fator a ser observado é a utilização. O ideal é ligar o ar-condicionado uma hora depois do início do expediente comercial. Por exemplo, se a jornada médica começa às 8h, seria interessante ligar o sistema de ar a partir das 9h. Também dá para desligar uma hora antes do atendimento, em virtude da desocupação do ambiente, uma vez que ele continua climatizado.

Outros detalhes que passam despercebidos também influenciam. Por exemplo, se houver uma fresta aberta no ambiente climatizado, pode ser desperdiçada cerca de 20% de energia utilizada pelo ar-condicionado. Ou ainda: se a clínica de saúde for construída com uma parede mais fina do que deveria e os raios solares estiverem incidindo diretamente nela, o gasto desnecessário de energia pode superar os 40%.

Por isso, ao implantar um sistema de ar-condicionado, o ideal é procurar uma Empresa de Serviços de Energia (Esco), para que faça as devidas orientações para esse tipo de projeto. Evite também compras por impulso, motivadas exclusivamente por preços, e instalações feitas de maneira inadequada. Lembre-se: todos esses detalhes podem contribuir para que um ambiente de saúde seja mais eficiente sob o ponto de vista de uso energético.

E qual a diferença de potencial de eficiência energética entre clínicas e hospitais? Em um hospital, que nada mais é do que – a grosso modo – um conjunto de clínicas médicas, você tem um ambiente que requer uma determinada tipologia de equipamentos, iluminação e refrigeração. Quer dizer, cada ambiente ou cada setor do hospital tem uma necessidade específica, seja em termos de iluminação, climatização e acomodação de equipamentos específicos para aquela finalidade.

Já a clínica médica é um ambiente onde, normalmente, há uma área de recepção, com a necessidade de uma quantidade de luz fundamental para manter o local agradável e também uma quantia de ar refrigerado para que as pessoas possam ter um conforto mínimo. Em comparação a um hospital, esse espaço não requer muitos ambientes ou equipamentos, a não ser que a clínica possua um ambiente cirúrgico.

Com tudo isso, fica novamente a lição para o setor da saúde. Em geral, é fundamental caminhar mais rapidamente em direção à eficiência energética. Trata-se de uma atividade que busca proporcionar meios para se produzir mais com a menor quantidade de energia. E a sua clínica? Já é eficiente?

 

Alexandre Moana
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE SERVIÇOS DE CONSERVAÇÃO DE ENERGIA (ABESCO)

Colar a orelha do bebê com esparadrapo diminui a “orelha de abano”?

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Não! Hábito ainda pode provocar irritações ou infecções na pele do bebê.

É só o bebê nascer com a orelha um pouco mais saltada para fora que, logo na maternidade, aparece algum parente aconselhando a colar as orelhinhas do recém-nascido com esparadrapo, na tentativa de “corrigir” a “orelha de abano”, como é popularmente chamada. Muitos pais, preocupados com a questão estética e até com possível bullying na infância, acabam recorrendo ao método, mas isso não é recomendado.

Usar esparadrapo reduz orelha de abano?

Segundo os especialistas, fazer isso não só é ineficiente para corrigir o “problema”, como ainda pode ser prejudicial à pele do recém-nascido. Em alguns casos, principalmente quando a orelha fica colada por muito tempo, pode haver irritação e até inflamação.

Por ser uma área próxima ao couro cabeludo, o esparadrapo ainda pode puxar os fios de cabelo, causando mais incômodo e dor à criança.

Qual a solução mais indicada?

Os médicos dizem que moldes de silicone estão entre os métodos mais eficientes para corrigir a “orelha de abano”. O procedimento, que deve ser feito sob supervisão e aconselhamento médico, no entanto, tende a ser mais eficaz quando a abertura ou deformidade é leve a moderada. Quando a abertura é grande (geralmente, acima de meio centímetro), só a cirurgia plástica resolverá a questão mesmo.

Um estudo publicado no periódico científico Plastic and Reconstructive Surgery, realizado com 488 crianças, mostrou que 90% dos casos tiveram melhora com o uso do molde. O tratamento demora de quatro a seis semanas e apresenta melhor resultado se feito em bebês com menos de 21 dias de vida –isso porque até os primeiros 45 dias a criança ainda está sob efeitos dos hormônios maternos, o que altera a maleabilidade da pele, deixando-a mais suscetível a mudanças.

Vale ressaltar que o procedimento não é barato e poucas pessoas ainda têm acesso a ele no Brasil.

E tem alguma opção mais acessível?

Alguns cirurgiões usam uma espécie de sonda que passa por fora da orelha e é colada com adesivo médico específico para não causar irritações. Mais uma vez, o método deve ser feito sob orientação médica e demonstrado aos pais como deve ser realizado em casa. Nunca faça por conta.

As faixas elásticas funcionam?

No primeiro mês de vida, o uso de faixas na cabeça apresenta resultado apenas quando a deformidade é suave, normalmente em casos de uma dobra formada por causa da posição em que o bebê estava no útero. No entanto, saiba que, assim como o uso de esparadrapo, o item não corrigirá a “orelha de abano”.

Se ainda assim optar pela faixa, é de extrema importância usá-la apenas quando bebê estiver sob os cuidados de alguém. Na hora de dormir, retire o acessório, para evitar risco de sufocamento, já que pode acontecer de a faixa se deslocar da cabeça e tampar as narinas da criança.

A partir de que idade a criança pode operar?

Os médicos consultados afirmam que a criança só deve ser operada acima dos seis anos, quando já tem a possibilidade de fazer uma intervenção cirúrgica sem correr o risco de a orelha mudar de tamanho. A plástica, no entanto, deve apenas ser feita se esse for um desejo do jovem, porque muitas vezes ele lida bem com a questão e não deseja passar pela otoplastia, como é chamada a cirurgia que corrige a “orelha de abano”.

 

Fontes: Dov Charles Goldenberg, cirurgião plástico especializado em cirurgia reconstrutiva e pediátrica do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Mariane Franco, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Mônica Carceles, pediatra neonatologista e coordenadora do berçário da Pro Matre Paulista (SP).

 

O Dr. Dov Goldenberg é editor da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP)

 

Leia a matéria na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/13/colar-a-orelha-do-bebe-com-esparadrapo-diminui-a-orelha-de-abano.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=vivabem

Cirurgião Plástico pernambucano lança biografia de Ivo Pitanguy

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Em “Ivo Pitanguy Além do Bisturi – Biografia de uma lenda”, o leitor conhecerá mais deste ícone da medicina brasileira e da cirurgia plástica mundial. 

Por SBCP

Escrito por Moises Wolferson, PhD em cirurgia plástica, escritor e historiador, o texto apresenta, leveza, linguagem direta, bom contexto e apresenta a vida e obra do maior mestre da cirurgia plástica de todos os tempos com grande entusiasmo; e vai além, conta em detalhes os momentos mais marcantes de sua vida científica, intelectual e empreendedora, sempre dirigida a  minorar o sofrimento das pessoas no sentido de encontrarem no seu semblante o conceito de normalidade.

Narra, inclusive, um episódio trágico ocorrido em Niterói, em 17 de dezembro de 1961, o incêndio do Grand Circo Norte Americano, com cerca de duas mil pessoas presentes. O garoto Pablo, de 11 anos, retirado das lonas com 80% do corpo queimado, se desvencilhou das enfermeiras e voltou para o meio do fogo. Minutos depois, reapareceu com um amigo no colo. O caso de heroísmo impressionou o jovem médico Ivo Pitanguy, que participou do resgate e viu o trabalho com os feridos estimular o desenvolvimento da cirurgia plástica no Brasil. Professor da PUC-RJ, Pitanguy ia para um plantão na Santa Casa da Misericórdia quando ouviu, pelo rádio, o anúncio do incêndio. Desviou o carro e seguiu para o Iate Clube do Rio. A bordo de sua lancha particular, atravessou a baía de Guanabara (não existia ainda a Ponte Rio-Niterói) e foi ao encontro das vítimas, quase mil pessoas foram salvas e tratadas pelo jovem médico e sua equipe. É fato indiscutível que uma das cirurgias mais complexa é aquela realizada em pacientes queimados.

No livro, tudo é repassado com esmero e afinco para retratar a realidade o mais próximo que seja possível. Os dados são corroborados com depoimentos emocionados de pessoas que tiveram o privilégio de acompanhar o Professor Pitanguy como seu colaborador, amigos próximos ou membros da AEXPI (Associação de ex alunos de Pitanguy), hoje ilustres mestres da cirurgia Plástica como o Dr. Farid Hakme, seu fiel escudeiro, autor do prefácio do livro Além do Bisturi, editado pela Dilivros. Há, também, relatos e depoimentos de grandes nomes da cirurgia plástica brasileira, inclusive muitos ex presidentes da SBCP – Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, como os Drs. Prado Neto, Luis Carlos Garcia, Pedro Martins, Ewaldo Bolivar, Juarez Avelar e outros.

Assim, o livro faz um mergulho na vida de um dos mais importantes cirurgiões plásticos do mundo e uma das maiores personalidades do século XX. Ao virar cada uma das páginas, o leitor vai entendendo como Ivo Pitanguy se transformou numa referência mundial, criando técnicas de cirurgia plástica que são seguidas e respeitadas até hoje. Traz, também, os obstáculos do início da carreira, quando a cirurgia plástica era vista como algo menor; sua passagem por grandes hospitais dos Estados Unidos, França e Inglaterra; a construção de sua clínica em Botafogo, reconhecida e frequentada em décadas por celebridades do cinema, dos esportes e da literatura. O livro narra, ainda, a sua dedicação em atender aos mais necessitados, dando a muitos deles a possibilidade de realizarem cirurgias plásticas restauradoras e estéticas, através da criação da Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia no Rio de Janeiro.

Com uma Iconografia ampla, o livro traz um capítulo de fotobiografia, rico em detalhes que vão além do bisturi. Mostra também o entusiasmo magistral pela vida exemplarmente demonstrado pelo seu savoir vivre e savoir fair. Uma lenda real, intensa e repleta de uma luz especial, própria das pessoas geniais.

O autor teve o privilégio de conhecer o Ivo Pitanguy também intelectual, com mais de 20 livros publicados, e que foi membro da ABL – Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 22.  Também usufruiu do seu convívio, da troca de ideias sobre o museu da cirurgia plástica brasileira e outros projetos culturais, a exemplo do livro “Um Século da Cirurgia Plástica no Brasil”, lançado em 2006, na Academia Brasileira de Letras.   Ivo Pitanguy, referência internacional na cirurgia plástica e patrono da cirurgia plástica brasileira. Uma lição de vida!

Dr. Moises Wolferson, à esquerda, ao lado do Dr. Antonio Pitanguy, neto do Prof. Ivo Pitanguy e o Dr. Alvaro Luiz Cansanção, à direita, durante lançamento do livro no 55º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, em novembro de 2018, em Recife (PE). Crédito da foto: Dr. Alvaro Luiz Cansanção.

Cirurgia plástica que salva vidas

By | Destaque

A frente da equipe de cirurgia plástica que participou da inédita e histórica cirurgia de separação de gêmeos siameses craniópagos no fim de outubro, o Dr. Jayme Adriano Farina Junior explicou como foi o processo e a importância da especialidade para que as operações obtivessem sucesso.

Após receber o contato do professor de neurocirurgia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Dr. Hélio Machado, explicando o caso das gêmeas siamesas craniópagas (nascidas unidas pelo topo do crânio) Maria Ysabelle e Maria Ysadora, o Dr. Farina começou a estudar os casos similares já conhecidos da medicina e como foram realizados esses procedimentos no mundo. “Ele pediu inclusive, que prestasse mais atenção no último caso separado pelo Dr. Goodrich que foi lá nos Estados Unidos, fazia um ano e meio”. James Goodrich é o neurocirurgião do The Children’s Hospital at Montefiore (Hospital Infantil de Montefiore, em Nova Iorque (EUA), amigo de Hélio Machado e que já operou casos semelhantes.

Ele conta que, além de estudos de casos, conversou com o cirurgião plástico da equipe do Dr. Goodrich para só depois começar os preparativos para iniciar o processo de separação: “E então nós começamos a planejar tudo isso com uma equipe multiprofissional, multidisciplinar, interdisciplinar e os planejamentos foram ficando cada vez mais elaborados. Até que resolvermos fazer a primeira cirurgia”.

A primeira cirurgia foi no dia 19 de fevereiro deste ano e envolveu a equipe de neurocirurgia e cirurgia plástica, composta pelos Drs. Jayme Farina Jr, Pedro Coltro, Marcelo Félix, Carlos Fagotti e, ainda, médicos residentes da especialidade, que trabalharam em conjunto com uma equipe multidisciplinar composta por cerca de 40 profissionais, entre neurocirurgiões, radiologistas, anestesistas, pediatras, intensivistas , fisiatras, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, profissionais da física médica  e dentistas. Tudo foi calculado em detalhes. O Dr. Farina explicou que antes da cirurgia, foi feito um planejamento com modelos tridimensionais feitos pelo pessoal da física médica do campus da FMRP-USP.

“Nessa primeira cirurgia foi feita uma janela de osso, frontal, a cirurgia plástica entrou primeiro, nós sempre entrávamos primeiro, fazíamos a abertura, a neurocirurgia fazia a ligadura dos vasos no cérebro e depois fechávamos”, explica o cirurgião plástico. “Foi feita a retirada de parte do osso e uma ligadura dos vasos sanguíneos em cerca de 25% do total dos vasos ligados. Fizemos uma incisão parcial, para que não houvesse muito sangramento. Em todas as etapas, nós abrimos parte só o suficiente para a neurocirurgia poder operar”.

Passados três meses da primeira cirurgia, após o êxito do procedimento, foi realizada a segunda cirurgia para continuar o que havia sido começado na primeira cirurgia. “no dia 9 de maio, fizemos a mesma coisa, mas, abrimos em outro setor das cabeças dando continuidade com a incisão anterior que nós tínhamos feito, e, mais um quarto do cérebro teve os seus vasos ligados”. No dia 04 de agosto, aconteceu a terceira cirurgia, similar entre as duas anteriores, também bons resultados.

A quarta cirurgia aconteceu vinte dias depois. “Foi no dia 24 de agosto e somente a cirurgia plástica operou.  Nós colocamos quatro expansores de pele: dois de 300ml e dois de 100ml. Foram dois da marca Silimed e dois da marca Eurosilicone, foram doados. A maioria das tecnologias usadas nessas meninas foram doadas”, diz o Dr. Farina. A expansão de tecido permite ao corpo “criar” pele extra para o uso na reconstrução em quase todas as partes do corpo. Neste caso, a pele seria usada para cobrir as cabeças das irmãs após a separação total, que na última cirurgia.

Em 27 de outubro, com grande expectativa de toda a equipe de mais de 40 médicos, foi realizada a quinta e última cirurgia, que contou com a vinda dos norte-americanos James Goodrich e o cirurgião plástico craniofacial de sua equipe, Oren Tepper, do Hospital Infantil de Montefiore, de Nova Iorque.   Desta vez, a cirurgia que já era complexa, trouxe novos desafios, como explica o Dr. Farina: “reabrimos a parte da incisão, a neurocirurgia ressecou uma grande quantidade de osso e nos entregou.  Tínhamos uma sala paralela onde nós, cirurgiões plásticos, trabalhávamos concomitantemente. Contamos com a participação do Dr. Oren Tepper, que nos deu uma ajuda muito grande. Enquanto a neurocirurgia desligava os vasos sanguíneos restantes, que era, vamos dizer assim, o último quarto de vasos sanguíneos, os últimos 25% que ainda estavam ligados, nós na sala ao lado, fazíamos a separação dos ossos que eles vinham nos entregando”.

Os ossos eram divididos para que de um osso virassem dois com a mesma superfície. “Um osso era dividido como se pegasse uma placa e a dividisse no meio no sentido de que duas placas ficassem com a mesma superfície: mais fina, mas com a mesma superfície. Para que? Para que o osso fosse para cada criança no final e fechasse o topo do crânio das meninas”, relembra o especialista. Foram mais de seis horas dividindo os ossos, enquanto elas iam sendo operadas na outra sala. “Depois essas meninas foram viradas, na última etapa, nós entramos novamente, fizemos a abertura do que restava dos retalhos de pele e recebemos o restante de todo osso e, novamente nós fomos para a sala ao lado fazer essas divisões dos ossos e já começamos também a unir esses ossos. Estávamos em uma sala vazia onde vários cirurgiões plásticos, com a ajuda de alguns colegas, também da neurocirurgia, se eu não me engano, residentes da neurocirurgia, nos ajudaram a fazer a fusão dos ossos. E nós fazíamos isso com placas absorvíveis de osteossíntese”, relembra o Dr. Farina.

O médico descreve que eles montaram uma espécie de abóbada, um mosaico de ossos. Depois de realizada essa montagem óssea, eles ficaram esperando a separação final das cabeças, ocorrida às 21h10 do sábado 27 de outubro. “O que aconteceu então? As meninas foram separadas. Elas estavam em duas mesas cirúrgicas: uma acoplada a outra.  Após a separação, uma mesa foi para um lado da sala e a outra mesa foi para. Após os neurocirurgiões fecharam as meninges de cada menina (uma membrana que cobre o cérebro), nós trouxemos da sala ao lado aquelas abóbadas cranianas que nós tínhamos pré-moldado, tampamos o topo das cabeças das meninas, utilizando uma cola de fibrina”. A cola de fibrina é um selante natural feito do plasma, componente sanguíneo e que não oferece contraindicação.

Depois de fechar o topo das cabeças das irmãs com os ossos, foram colocados os retalhos de pele, finalizando a cirurgia. No total, foram 21 horas de cirurgia. “Elas estão agora se recuperando na terapia intensiva, têm evoluído bem, recuperando a motricidade a cada dia. Claro, que tem pequenos procedimentos que ainda faltam ser realizados, ainda falta, por exemplo, fazer uma enxertia de pele na região da nuca da Ysabelle. A Ysadora teve pele suficiente para fechar tudo”, comemora o Dr. Farina.

Ao ser questionado sobre a satisfação de participar deste tipo de cirurgia, com resultados positivos, ele analisa que essa é a essência da cirurgia plástica: salvar vidas. “Neste caso, se não tivesse havido a intervenção conjunta da cirurgia plástica com a neurocirurgia, não teria como ter fechado a ferida complexa que era a exposição do cérebro das duas meninas. Elas não teriam como sobreviver. Poderia ter havido a separação, mas, sem o fechamento da ferida complexa, não teria havido sobrevida”.

Dr. Jayme Farina, que é Professor Doutor do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP, Chefe da Divisão de Cirurgia Plástica do HCFMRP-USP, Diretor da Unidade de Queimados do HCFMRP-USP e Coordenador do Setor de Microcirurgia Reconstrutiva da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da FMRP-USP, ressalta esse papel da cirurgia plástica salvadora de vidas, também. “Geralmente a mídia aborda a cirurgia plástica somente no lado da estética. Agora, no serviço universitário, a gente vive uma outra realidade. A gente vive uma realidade da cirurgia plástica salvadora de vidas, aquela que salva amputações, aquela cirurgia que reconstitui anomalias congênitas, faz reparações, além de cirurgia estética, que, no nosso caso, também fazemos cirurgia estética para ensinar aos residentes”, enfatiza o professor. “As cirurgias dos queimados, por exemplo, é uma cirurgia que a [cirurgia] plástica faz para para reparar tecidos específicos, e, com isso, salvar vidas”, conclui.

Cuidados devem se tomados ao fazer cirurgia plástica; veja quais

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Por Bom Dia Minas — Belo Horizonte

É preciso tomar alguns cuidados, principalmente no pós-operatório, ao realizar qualquer tipo de cirurgia plástica. Eles devem começar antes mesmo de fazer uma cirurgia. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Alexandre Meira, a primeira coisa que a pessoa deve saber antes de qualquer decisão é saber escolher o profissional que irá fazer a cirurgia, ele deve ser especialista na área. Ele precisa ter registro de qualificação de especialidade, que pode ser consultado no site do Conselho Regional de Medicina.

Livro que aborda o Transtorno Dismórfico Corporal será lançado em novembro

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“Transtorno Dismórfico Corporal – A mente que mente” busca apresentar o histórico do TDC, como identificar, neuroanatomia, preocupações dismórficas corporais no contexto da cirurgia plástica, dermatologia, endocrinologia, nutrição clínica e estética, odontologia e ortopedia. Inclui, também, como deve ser realizado a avaliação do transtorno, bem como o planejamento do tratamento.

Escrito pela psicóloga Maria José Azevedo de Brito Rocha, o psiquiatra Táki Athanássios Cordás e a cirurgiã plástica Lydia Masako Ferreira, com o prefácio do presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica biênio 2018/2019, Níveo Steffen, o lançamento da obra será dia 30 de novembro, às 19 horas na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Leia abaixo o texto de uma das autoras sobre o livro:

Transtorno Dismórfico Corporal – O desencontro entre mente e corpo

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é a condição neuropsiquiátrica mais relevante para o aumento de tratamentos médicos com a aparência, num contexto sociocultural que valoriza a atratividade.

Não obstante, o belo pode ter sentidos diferentes para o cirurgião plástico e para um paciente com TDC. Para o cirurgião, que está preso à técnica, o belo pode ter um sentido real, enquanto para o paciente com TDC o sentido é imaginário. Ele busca a normalidade, quer pertencer a um padrão, ainda que a sua demanda seja imaginária; e o
médico tem a obrigação ética de conhecer e oferecer o “normal”. Ou seja, existe um limite para ambos – nem sempre é possível melhorar.

Por isso, é muito importante que a triagem e a avaliação de risco do TDC, como um checklist, seja criteriosamente identificado no pré-operatório de um procedimento em cirurgia plástica. Cerca de 80% dos cirurgiões identificam o TDC apenas após a cirurgia, uma vez que, muitos desses pacientes, são funcionais e têm um discurso adaptado e adequado à realidade que buscam modificar.

Ser portador de TDC, dentro de um espectro leve a moderado, não é critério de exclusão para um procedimento estético e/ou cirúrgico. Por isso, o tratamento do TDC transita necessariamente por uma equipe multiprofissional.

O TDC revela em sua condição um estigma, quando comparado a outros transtornos mentais, e é facilmente banalizado por confundir-se com vaidade e aparente futilidade. Ou, subestimado, por profissionais da saúde mental, ao ser confundido como mera apresentação clínica de outros transtornos mentais. Por isso, a maioria dos pacientes
sente vergonha e prefere não falar sobre seus sintomas.

Espera-se assim que o livro “Transtorno Dismórfico Corporal – A mente que mente” possa encorajar pacientes e profissionais de saúde, que, respectivamente, sofrem e lidam com o TDC, a procurar e adotar melhores estratégias de tratamento.

Maria José Azevedo de Brito

Cirurgia Plástica: desconfie de propagandas ostensivas

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Secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica afirma que há inversão de valores, promovida por mídias sociais

Por Renata Reis, Gazeta de Limeira

A morte da bancária Lilian Calixto (46), na semana passada, após um procedimento estético em um apartamento na
Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, levanta uma série de questionamentos e deve chamar a atenção principalmente daqueles que querem mudar o corpo a qualquer custo.

A situação remete à reflexão, em primeiro lugar, sobre a perda de uma vida, atraída por ostensiva publicidade nas redes sociais, por um médico conhecido como “Dr. Bumbum”, que não era especialista e realizou o procedimento, com substância perigosa, em local inadequado. O PMMA (polimetilmetacrilato) usado causou complicações em pelo menos 17 mil em São Paulo, apenas em 2016,
estima uma pesquisa.

1 – Ganhou repercussão o caso da mulher que morreu após aplicação de polimetilmetacrilato (PMMA). Que substância é esta? Quantas outras pessoas Brasil afora o sr acredita que se arriscam com produtos como este?

R: Polimetilmetacrilato é um polímero sintético, grosso modo, microesferas de acrílico, que a despeito dos múltiplos alertas científicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Conselho Federal de Medicina (CFM), ainda segue sendo comercializado com aval da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Pesquisa bioestatística realizado pela Regional SP da SBCP, em 2016, restou estimado que 17mil pacientes apresentaram complicações advindas da utilização de PMMA. O baixo custo do produto, é fomento de utilização do produto, sobretudo em grandes volumes.

2 – Como a classe vê a exposição e facilitação dos procedimentos estéticos por meio das redes sociais? O “dr. Bumbum” tinha milhares e milhares de seguidores e atraiu a atenção da paciente que morreu.

R: É lamentável que ocorra uma tragédia de tamanha monta, uma vida ceifada (como o caso que vitimou paciente, amplamente divulgado pela imprensa esta semana no Rio de Janeiro), para que a sociedade e os órgãos oficiais investidos de poderes para fiscalização da medicina, se sensibilizem e despertem para a periculosidade de abusos de publicidade detratamentos estéticos, sobretudo em mídias sociais. Embora a publicidade médica seja regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (Resoluções CFM nº 1974/2011 e 2126/2015), oportunistas se valem da má fiscalização, e se apresentem de modo midiático e teatral, promovendo tratamentos estéticos de modo comercial, onde desavisados pacientes se tornam mero objeto de mercancia. Via de regra, estes profissionais aéticos, se apresentam como de capacidade e condutas ilibadas, verdadeiramente vendendo resultados ilusórios. Agrava-se o fato de muitos destes profissionais de saúde, entre eles médicos, não possuírem qualificação (formação) atestados por Título de Especialista outorgado pela Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Ministério da Educação, e Sociedades de Especialidade, no caso a Dermatologia (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e Cirurgia Plástica (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Há uma inversão de valores, promovida por mídias sociais. Um médico não é admirado e procurado por sua competência científica, capacidade técnica, qualificação profissional e respeitabilidade, mas sim pelo número de “likes” e seguidores de suas mídias sociais. É preciso repensar este comportamento social, em prol da segurança da população.

3 – É verdade que as selfies fez aumentar a procura por procedimentos estéticos no rosto?

R: Evidente que estamos aqui a falar conjecturalmente, posto que não existem  análises estatísticas que atestem este comportamento. Entretanto, a prática médica, em áreas estéticas, demonstra que este comportamento social de “ditadura da beleza” que estamos vivendo, tem trazido impacto no comportamento psico-social de muitos pacientes. Muitos chegam ao consultório de cirurgiões plásticos acreditando que tratamentos médicos se assemelham a transformações mágicas. Outras vezes, a distorção de análise de sua imagem, calcada em “selfies” geram angústia e ansiedade extremas, e como todo radicalismo, culmina em obsessão e transtornos maiores, via de regra difíceis de serem atendidos em tratamentos estéticos (cirúrgicos ou não).

É importante que se diga que tratamentos estéticos cientificamente reconhecidos, e de atuação da cirurgia plástica e dermatologia, pendem de um diagnóstico e conduta médica, como em toda a medicina. O conceito de saúde, preconizado pela Organização Social de Saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”.

Assim, não se pode admitir a banalização de tratamentos estéticos reconhecidos, como se fossem frivolidades.

4 – Quais os procedimentos estéticos mais procurados entre as mulheres e entre os homens atualmente?

R: Os procedimentos estéticos podem ser cirúrgicos, minimamente invasivos, ou clínicos. Os cirúrgicos mais realizados no Brasil atualmente são os implantes mamários (próteses de silicone), lipoaspiração e rinoplastias. Com o desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas (toxina botulínica, preenchedores faciais com ácido hialurônico, fios e técnicas de suspensão facial) as cirurgias de rejuvenescimento facial foram proteladas, embora seus resultados ainda sejam os mais notáveis e duráveis. Os tratamentos clínicos são de amplo arsenal, com o avanço tecnológico dos cosméticos e cosmecêuticos.

“Nunca se deixar levar por modismos ou mídias sociais. Desconfie de publicidade ostensiva”.

Dênis Calazans
Secretário da SBCP

5 – Qual é o passo a passo correto e seguro desde o momento em que uma pessoa decide passar por um procedimento estético até a efetiva realização? (como é feita avaliação inicial, quais exames são feitos, quais cuidados preparatórios e ambiente adequado para os procedimentos)

R: Reiteradamente a SBCP se pronuncia sobre estas recomendações.

A primeira e mais importante: sempre buscar um profissional qualificado, um médico portador de Título de Especialista (nos moldes já ditos, na resposta da pergunta 2), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e/ou Sociedade Brasileira de Dermatologia. Embora estes médicos possuam características profissionais personalíssimas, o Título de Especialista lhes assegura formação, capacitação e habilitação para práticas médicas seguras e reconhecidas cientificamente. Estes médicos terão competência para identificar, diagnosticar e indicar a melhor conduta para cada caso.

Segundo: nunca se deixar levar por modismos ou mídias sociais. Desconfie de publicidade ostensiva de médicos ou profissionais da área de saúde, sobretudo os grupos de whatsapp, instagram e facebook, de pessoas que publicam reiterados elogios e fotos de resultados cirúrgicos de determinado profissional. Atrás destas publicações, via de regra, se escondem profissionais aéticos, tecnicamente sofríveis, ávidos por angariar pacientes por puro interesse financeiro, e que se valem destes artifícios de imposição profissional, que findam sendo verdadeiras armadilhas para desavisados pacientes.

Terceiro: verificar as condições sanitárias e recursos onde tratamentos serão realizados. Qualquer procedimento invasivo deve ser realizado em estabelecimentos de saúde com as devidas licenças sanitárias, e preparados para eventuais emergências. Um exemplo típico de irregularidade e periculosidade são as lipoaspirações realizadas em consultórios de profissionais de saúde.

Quarto: seguir criteriosamente as recomendações médicas, e a manutenção de canais de comunicação com o médico assistente a fim de dirimir dúvidas e/ou relatar ocorrências não previstas.

6 – Quando uma pessoa decide submeter-se a um procedimento estético, o que deve ser ponderado, pois o que se vê, muitas vezes, é a necessidade de ficar “belo” a qualquer custo.

R: Um médico qualificado saberá identificar os comportamentos obsessivos de pacientes que esperam muito mais do que a técnica empregada possa lhes oferecer. Estes pacientes devem ser cuidadosamente trabalhados antes da decisão por determinado tratamento, a fim de que a expectativa exacerbada não seja um problema de frustração posterior, agravando ainda mais a percepção de insatisfação inicial.

7 – Quais os riscos da realização de um procedimento estético por um médico que não tenha formação em cirurgia plástica? É crescente invasão da especialidade por não especialistas?

R: O Brasil vive atualmente um preocupante e silente movimento. O número excessivo de escolas médicas entregando ao mercado aproximadamente 27.000 médicos por ano.

A medicina avançou, se aprimorou tecnológica e cientificamente, entretanto seguimos (os médicos) regidos por uma Lei Federal de 1957, em que outorga a médicos, recém formados ou não, direito de atuar em qualquer área da medicina, como se tivesse em seu diploma um mandado ilimitado. É um desalinho inimaginável tão grande, que seria o mesmo que alguém permitir um competente ginecologista realizar uma cirurgia cardíaca, ou uma neurocirurgia. Como a estética é um atrativo financeiro, muitos incautos profissionais se apresentam “travestidos” de dermatologistas e cirurgiões plásticos, promovendo barbáries como as noticiadas pela imprensa esta semana no Rio de Janeiro.

A SBCP sempre primou pela excelência na qualificação e formação dos cirurgiões plásticos brasileiros, motivo pelo qual a Cirurgia Plástica brasileira é cientificamente respeitada mundialmente por sua excelência e produção científica. Desta forma, desde 2012 que a SBCP protesta formalmente junto ao Conselho Federal de Medicina e Poder Legislativo, a edição de normas legais que assegurem o exercício de especialidades de alta complexidade (exemplo: Cirurgia Cardíaca, Neurocirurgia, Cirurgia Plástica, e outras que demandem mais de 5 anos de especialização) exclusivamente aos portadores de Título de Especialista na área.

Não bastasse os médicos aventureiros, que realizam tratamentos estéticos sema devida qualificação, outros profissionais da saúde se arvoraram ao direito de mesmas práticas. Com o respeito que devotamos a outras áreas da saúde, entendemos que atos médicos devem ser realizados por médicos, assim como cada profissional, em sua área para qual se formou academicamente. O problema tomou proporções tão preocupantes, que após esgotadas as tentativas diplomáticas e conciliadoras de sensibilizar estas classes profissionais, só nos restou a Judicialização da questão, a fim de garantir a segurança da população. Em recente decisão da Justiça Federal do Estado do Rio Grande do Norte, reafirmada por instâncias superiores (Tribunal Regional Federal e Superior Tribunal de Justiça), ficou determinado (por força liminar) a suspensão de normativa que outorgava poderes de realização de toxina botulínica e preenchedores faciais, por odontólogos.

8 – Por meio de quais canais é possível obter esclarecimentos seguros,
inclusive sobre os profissionais?

R: Portais de internet dos Conselhos Regionais de Medicina (www.cremesp.org.br); Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br); Sociedade Brasileira de Dermatoloia (www.sbd.org.br).

Dr. Dênis Calazans
Secretário

O Mestre escreve…

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Por Francesco Mazzarone

Em quase 30 anos acompanhando a formação de novos cirurgiões plásticos, consigo perceber algumas regras básicas para que esta formação seja mais adequada. Em primeiro lugar, observar a experiência de quem estiver na preceptoria. Respeitar não só a ancianidade, mas também o conhecimento adquirido com a vivência.

Em seguida, respeitar o ambiente de trabalho e, sobretudo, os pacientes. Durante a formação, provavelmente haverá alguma divergência em relação às rotinas e condutas que naturalmente tenham sido adquiridas nos serviços de origem. Porém, lembrar que observar e seguir a conduta de onde está  ocorrendo a formação é muito importante, afinal de contas este será seu “porto seguro”, pois somente desta forma em situações adversas ou de conflito qualquer colega poderá auxiliar a resolver o problema.

Deve-se aproveitar o máximo possível nas aulas teóricas, principalmente, observando todo e qualquer detalhe que possa vir auxiliar durante o treinamento prático.

Outro detalhe importante é de não se ter pressa, de querer operar logo, uma vez que a observação das dificuldades dos colegas veteranos irá auxiliar o aprendizado da prática cirurgia.

Também deve lembrar-se de ser humilde o suficiente para reconhecer seus próprios erros e aceitar ajuda sem se fazer de arrogante, afinal, o que está em jogo é o bem estar do paciente. Não é raro que, por medo ou vergonha, alguns jovens tentem esconder seu insucesso, porém, aqui se deve deixar a vaidade de lado e respeitar o bem estar do paciente.

Quando existe um grupo de médicos muito heterogêneo, existe uma maior diversidade de relacionamento, e desse modo, a inter-relação deve sim ser aprimorada mais rápido possível, de modo a poder se conviver com tranquilidade e harmonia.

Por fim, saber reconhecer as próprias limitações e manter cordialidade entre os colegas respeitando a hierarquia.

Fonte: Revista Plastiko’s, ed. 215 – Abr/Mai/Jun 2018

Francesco Mazzarone

Mestre em Avaliação pela Fundação Cesgranrio. Pós-Graduação em Cirurgia Plástica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1988) sob Orientação do Prof. Ivo Pitanguy, Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982). Atualmente é presidente do Instituto Ivo Pitanguy e coordenador do curso de pós-graduação em cirurgia plástica da PUC-RJ. Membro da banca examinadora do Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, membro efetivo da Associação dos Ex Alunos do Prof. Ivo Pitanguy (AExPI), membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro titular da Federação Ibero Latino-americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutora e cirurgião plástico do Instituto Ivo Pitanguy.

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