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Ex-bombeiro recebe novo rosto em cirurgia plástica reconstrutiva

O cirurgião plástico Eduardo Rodriguez da New York Langone Medical Center realizou um transplante facial que deu ao ex-bombeiro do Tennessee Patrick Hardison uma nova vida. O doador era um mecânico de bicicletas do Brookly que morreu após um acidente. Foram 26 horas de cirurgia plástica, que foi chamada de “a mais abrangente” do tipo já feita.

 

O ex-bombeiro sofreu queimaduras graves quando atendeu a um chamado para apagar um incêndio em uma casa no ano de 2001. Após o acidente Hardison recebeu um transplante feito com pele transferida de suas coxas, mas nos anos seguintes ele teve que ser submetido a 71 procedimentos, com uma média de sete por ano, e se tornou dependente de analgésicos, o que arruinou a vida de sua família.

 

Hardison após a cirurgia plástica feita com pele de suas coxas. (Crédito: New York Mag/Cortesia do NYU Langone Medical Center)

 

Hardison com seu novo rosto. (Crédito da foto: Reprodução/Norman Jean Roy/New York magazine

 

“As crianças corriam gritando e chorando quando me viam. Existem coisas piores do que a morte”, afirmou o Hardison em entrevista para a New York Mag.

 

Transplantes faciais ainda são incomuns, apesar deste tipo de procedimento ser feito há mais de 10 anos. O primeiro transplante parcial foi feito em 2005 em uma mulher francesa mordida por um cão. Nos EUA a primeira cirurgia plástica do tipo foi feita em 2008 em uma mulher atingida por um tiro disparado por seu marido quatro anos antes. Já em 2010 um fazendeiro espanhol de 31 anos, que atirou no próprio rosto acidentalmente, recebeu o que é descrito como o primeiro transplante facial completo. Em 2011 um profissional da construção civil nos EUA que sofreu um acidente causado por fios de alta tensão recebeu nariz, lábios, pele, músculo e nervos.

 

O rosto que o ex-bombeiro recebeu foi o terceiro oferecido a ele: o primeiro teve o consentimento da família negado, o segundo, de uma mulher, foi recusado por Hardison e o terceiro foi o do ex-mecânico.

 

O Dr. Rodriguez detalhou à reportagem o procedimento, que teve complicações. A veia jugular do ex-bombeiro era maior do que a do doador, o que exigiu perícia do cirurgião plástico: Hardison perdeu muito sangue e a saída foi inserir uma jugular em um furo feito minuciosamente em um dos lados da outra.

 

Hardison agora está em recuperação. O ex-bombeiro tomará imunossupressores pelo resto da vida e, segundo o Dr. Rodriguez, haverá rejeição – a questão é quando. O cirurgião plástico estima que três das cinco pessoas que receberam transplantes faciais ao redor do mundo morreram após o novo tecido ter sido rejeitado pelo corpo.

 

Entretanto, um dos filhos de Hardison afirmou ao repórter: “Quando vejo seu rosto quero memorizá-lo. Assim, da próxima vez que vê-lo, sei que é meu pai”.

 

Com informações do The Guardian e da New York Mag.

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