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Novidade pode causar revolução em mercado de implantes de seios

Fonte: New York Times (via UOL / tradução: Eloise de Vylder)

 

Os seios de Hilary Miller já não eram mais como antes. Depois de amamentar duas crianças, eles simplesmente não tinham mais a mesma firmeza da juventude. “Eu gostaria que eles tivessem a mesma aparência que tinham antes”, disse Miller, que trabalha numa empresa de produtos de beleza em Dallas.

 

Ela sempre quis aumentá-los, mas tinha medo dos implantes de silicone – ainda que eles tivessem sido aprovados pela Food and Drug Administration (agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA) em 2006, depois de serem retirados do mercado em 1992 enquanto a FDA avaliava se eram seguros. Depois de anos de litígio e estudos por um painel de especialistas, o gel de silicone foi considerado seguro, mas o estigma permaneceu.

 

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Muitas mulheres ainda temem “rupturas silenciosas”, isto é, rachaduras que são indetectáveis sem uma ressonância magnética, exame que pode custar milhares de dólares e geralmente não é coberto pelos convênios. Muitas mulheres também temem substâncias estranhas correndo por suas veias, com medo que elas causem doenças autoimunes ou câncer.

 

“Eu não gosto da ideia de não saber o que está dentro do meu corpo”, disse Miller, 38 anos. Um implante de solução salina também não a atraía – ela não queria sentir que tinha dois balões de água debaixo da blusa.

 

Então, em setembro, Miller fez o chamado Ideal Implant (Implante Ideal), que diz proporcionar uma “sensação natural, sem gel de silicone”. Os implantes, criados por um cirurgião plástico de Dallas, o dr. Robert Hamas, são feitos de solução salina. Mas, em vez de balançar, se curvar ou dobrar, como costuma acontecer com os implantes salinos, eles são tão macios quanto o gel.

 

“Eles ficaram bonitos. A sensação é natural”, disse Miller, que pagou cerca de US$ 7.000 (R$ 26.250) pelos implantes e um lift nos seios. “Eu gosto da forma como eles se encaixam nas minhas roupas. Estou muito feliz.”

 

Uma análise de 2014 na revista Archives of Plastic Surgery revelou que rupturas silenciosas ocorreram em 9% a 12% dos casos, oito anos após a implantação. A FDA aconselha que as mulheres que têm implantes de gel de silicone façam uma ressonância magnética três anos após a cirurgia, e depois disso a cada dois anos. Ao contrário do silicone, implantes salinos murcham quando há um vazamento, por isso é fácil saber se há algum problema.

 

Hamas vem trabalhando em seu produto desde 1992, logo após a moratória sobre o silicone. A ideia era descobrir uma maneira de impedir que a solução salina ficasse chacoalhando como um coquetel. Depois de muitas tentativas e erros, ele criou uma série de conchas de implante, sobrepostas como bonecas russas, e duas câmaras separadas que contêm a solução salina. Esta estrutura interna limita a movimentação da solução salina, enquanto sustenta as bordas do implante para evitar dobras.

 

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A empresa Ideal Implant Inc., inaugurada em 2006, é controlada por cerca de 120 cirurgiões plásticos elegíveis para o conselho, e obteve a aprovação da FDA em 2014. Os implantes foram disponibilizados para o público em setembro deste ano. Mais ou menos.

 

O Ideal Implant, que custa US$ 1.500 (R$ 5.620) por par além dos gastos cirúrgicos, um pouco mais caros do que para os implantes de silicone, só está disponível para os acionistas e para 45 médicos que o pesquisam para a FDA (nenhum dos quais tem qualquer participação financeira na empresa). Mas a demanda é bem maior que a oferta, por isso os médicos têm feito listas de espera das mulheres que querem o implante.

 

“Dez anos atrás, quando o Dr. Hamas me mostrou o projeto, achei que era uma boa ideia melhorar os implantes salinos, especialmente naquela época, quando era tudo o que tínhamos”, disse o Dr. James C. Grotting, cirurgião plástico de Birmingham, Alabama. “Eu não sabia que levaria tanto tempo.”

 

O Dr. Kevin Brenner, cirurgião plástico de Beverly Hills, Califórnia, que foi um dos pesquisadores originais da FDA, disse que tem pacientes esperando há cinco anos. “Aumentar os seios é uma decisão muito pessoal para a maioria das mulheres, e elas têm que se sentir confortáveis com o que coloco nelas”, disse ele. “Tanto a solução salina quanto o silicone têm vantagens e desvantagens. O Ideal Implant é melhor que os dois.”

 

Nem todo médico gosta da ideia. O Dr. Scot Glasberg, cirurgião plástico de Nova York e ex-presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, disse que recebeu telefonemas de meia dúzia de médicos preocupados com a comercialização do Ideal Implant.

 

“Ele sugere de uma forma indireta de que o silicone não é seguro”, disse. “Nós passamos muito tempo garantindo a segurança dos produtos de silicone. Nós odiaríamos ter uma situação em que qualquer pessoa, mesmo de uma forma remota, esteja tentando estabelecer que eles não são seguros.”

 

O Dr. Steven Teitelbaum, cirurgião plástico de Santa Monica e presidente da Sociedade de Cirurgiões Plásticos da Califórnia, nem sequer vê a necessidade de mais um implante salino. De acordo com a Sociedade Norte-Americana de Cirurgia Plástica Estética, em 2014, 20% dos implantes para aumentar os seios eram de solução salina.

 

“Ninguém chega pedindo solução salina, exceto mulheres que querem pagar menos ou colocar implantes enormes com incisões pequenas”, disse Teitelbaum. (Os implantes salinos podem ser inseridos pelo mamilo ou através de um corte na axila e depois inflados.) “O implante de solução salina nunca terá a mesma sensação de um implante de silicone.”

 

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Ele também se preocupa com os dados, ou a falta deles. A aprovação da FDA se baseou nos resultados iniciais de um estudo de dois anos, publicado na edição de setembro de 2012 do Aesthetic Surgery Journal. Hamas é um dos autores. Um estudo de dez anos com quase 500 mulheres de 18 a 67 anos, também realizado pela empresa, está em andamento e será concluído em 2019.

 

Por fim, Teitelbaum está incomodado com a falta de disponibilidade do implante. “Você não lança um produto se não tem ele pronto para enviar”, disse ele. “É um lançamento falso.”

 

Hamas afirma que sua empresa é pequena, o que explica a incapacidade de produzir o implante em grandes quantidades. Ele não teria conseguido abri-la sem os investimentos de outros médicos. E acredita que as mulheres estão preocupadas.

 

“Muitos cirurgiões plásticos dizem: ‘não se preocupe com o silicone, é aprovado pelo FDA’”, disse ele. “O FDA disse que o gel de silicone é seguro, mas as mulheres devem fazer uma ressonância magnética a cada dois anos, durante a vida toda, para ver se eles não se romperam, porque não dá para saber examinando uma paciente ou simplesmente olhando.”

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